Mario Eduardo Campos, Campinas (SP)
Os ciclos de motores ditam, basicamente, eficiência ou economia de combustível que os motores poderão entregar. Entender as diferenças de funcionamento entre as arquiteturas Otto, Atkinson e Miller revela como a engenharia automotiva trabalha os pistões e as válvulas. O arranjo mecânico escolhido pelas montadoras tem o objetivo técnico de adequar o conjunto motriz ao uso de cada carro.
Os ciclos Atkinson, Miller e Otto são os mais usados para carros de passeio. Na prática, eles alteram a maneira que pistões e válvulas trabalham. Segundo o especialista Erwin Franieck, engenheiro mecânico e conselheiro executivo da SAE Brasil, o ciclo Otto, o mais comum na indústria, oferece melhor eficiência em cargas plenas nas rotações mais elevadas, o que favorece a entrega de torque e potência, em troca de um consumo um pouco mais elevado.
Já o Atkinson é o contrário, oferecendo melhor eficiência em cargas parciais e rotações baixas e intermediárias, consumindo menos combustível, em troca de desempenho, pois a restrição de ar sacrifica a entrega em altas rotações. Por isso, eles costumam ser usados em carros híbridos, com a assistência de motores elétricos.
A perda de força inerente ao Atkinson é compensada atualmente pelo uso de propulsores elétricos complementares nos carros híbridos. Por outro lado, o ciclo Miller surge como uma evolução mecânica para garantir economia de combustível sem abrir mão da performance dinâmica. A semelhança técnica com o Atkinson é vasta, mantendo o controle rigoroso da abertura das válvulas para aproveitar a expansão dos gases.
A vantagem técnica do Miller é a sua capacidade plena de operar sob demandas maiores no pedal do acelerador. Isso se torna possível graças à adição de pelo menos um turbocompressor no sistema de admissão de ar do motor. Esse recurso de sobrealimentação compensa o volume de ar na câmara, entregando boa economia geral sem perdas significativas de potência e torque nas acelerações.
