A confusão que aconteceu entre estudantes e um grupo que não faz parte da comunidade acadêmica, ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre), nesta segunda-feira (23), teve como pivô um muro com artes e grafitagem na biblioteca do IFCH (Instuto de Filosofia e Ciências Humanas).
A briga aconteceu durante a calourada da universidade, uma confraternização entre os estudantes e os novos alunos. De acordo com relatos dos universitários, os membros do MBL tumultuaram as atividades que eram feitas e agrediram os estudantes. O MBL alega que os militantes pintavam pichações quando foram atacados pelos universitários.
Ações são constantes, diz diretor
Em conversa com o repórter Gustavo Biano, da EPTV Campinas, o diretor do IFCH, Ronaldo de Almeida, disse que essas invasões do grupo são constantes e essa não foi a primeira situação que terminou em desentendimento. Segundo ele, isso acontece desde o ano passado e ao menos cinco invasões do tipo já foram registradas. O diretor também afirmou que as pessoas que compõem o grupo já foram identificadas e a universidade vai tomar medidas judiciais cabíveis. Em nota, a Unicamp repudiou a invasão e a intimidação.
Estudantes alegam agressões
De acordo com um dos estudantes que estava no local no momento da ação e que preferiu não se identificar, os universitários estavam pintando um mural no edifício do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), quando os invasores chegaram e começaram a atrapalhar a confraternização. Ele relatou que o grupo tomou as ferramentas usadas na pintura e jogaram as tintas em quem estava no local.
“Eles [alunos] estavam pintando o mural de novo, mural feito com recurso público e tals. Aí o pessoal começou a tirar os rolos de tinta e os caras, uns oito, começaram a jogar tinta e puxar briga. Teve aluno que sofreu agressões, e chegou a levar chutes no chão. Outro estava com sangue na boca e muita gente levou soco de graça sem ter feito nada”, lembrou.
MBL diz que foi atacado
Em nota enviada ao grupo EP, o MBL alegou que seus militantes restauravam paredes pichadas, amparados pelo Artigo 65 da Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais), quando foram confrontados por alunos da universidade.
De acordo com o movimento, o grupo foi agredido com socos, chutes e empurrões e as tintas brancas que eram usadas foram arremessadas contra os militantes. O MBL também alega que uma câmera foi subtraída e jogada em uma área de mata, não sendo recuperada até o momento.
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Assembleia para planos de autodefesa
Ainda nesta segunda, o CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas) convocou uma assembleia a fim de aprimorar planos de autodefesa e informar a comunidade estudantil sobre o ocorrido.
“No dia de hoje (23), nossa universidade sofreu mais um ataque da extrema-direita, que dessa vez, para além de vandalizar nossos muros, agrediram fisicamente estudantes.
Diante dessa situação, os Centros Acadêmicos dos territórios atingidos, em conjunto com o DCE da Unicamp, convocam TODES ES ESTUDANTES DA UNICAMP à ASSEMBLEIA ANTIFASCISTA UNIFICADA, para aprimorarmos nossos planos de autodefesa, fortalecermos o Comitê Antifascista Unificado da Unicamp e passarmos os informes necessários a comunidade em relação ao ocorrido”, afirma a nota do CACH.
O que diz a Unicamp
Em uma nota divulgada nesta terça-feira (24), a Reitoria da Unicamp repudiou à invasão, os atos de intimidação e agressão, e afirmou que está adotando as medidas administrativas e jurídicas necessárias para identificar os envolvidos.
Confira a nota da Unicamp:
“A Reitoria da Unicamp vem a público manifestar seu repúdio à invasão e aos atos de intimidação e agressão protagonizados no dia de ontem (23/2), no campus de Barão Geraldo, por um grupo de nove pessoas durante o primeiro dia de aula da Universidade.
Episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis, representando uma grave afronta à democracia, à autonomia universitária, à segurança de estudantes, funcionários e docentes, e ao livre exercício do debate acadêmico.
A universidade é um espaço de pluralidade, pautado pelo diálogo, não se submetendo a ações que busquem impor interesses por meio da violência ou da coerção.
A Unicamp reafirma seu compromisso com a democracia e com a defesa incondicional da universidade pública, gratuita, inclusiva e diversa.
Não permitiremos que a intolerância e a violência prevaleçam sobre o respeito às normas institucionais e o livre pensamento.
A Universidade está adotando as medidas administrativas e jurídicas necessárias para identificar os envolvidos e garantir a sua respectiva responsabilização pelos atos antidemocráticos.
A Reitoria se solidariza com todos os estudantes e membros da comunidade acadêmica que foram expostos a essa situação de insegurança”.
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