
Em uma cidade conhecida pela ostentação e por etiquetas de preço na casa das centenas de milhões de dólares, o bairro à beira-mar mais cobiçado de Miami (EUA) reúne endereços que começam em US$ 60 milhões — e oferecem uma garantia quase absoluta de que você jamais conseguirá visitá-lo.
Indian Creek Island, também conhecida como o bunker dos bilionários, é uma faixa de terra artificial de 1,2 milhão de metros quadrados na Baía de Biscayne, ao norte de Miami Beach, que atraiu os ultrarricos em massa. Entre os moradores endinheirados, estão o quarterback da NFL Tom Brady, o fundador da Amazon Jeff Bezos, e a filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump.
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A ilha principal conta com apenas 40 lotes exclusivamente à beira-mar, acrescentando mais uma camada de exclusividade ao já elevado custo para estar lá. O interior da ilha é dominado pelo Indian Creek Country Club e seu campo de golfe privado de 18 buracos. Quem quiser circular pelo campo ao lado dos vizinhos precisará, segundo relatos, pagar uma taxa de adesão de US$ 500 mil e passar por um longo processo de admissão.
Embora seja possível encontrar propriedades por valores menores, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, tornou-se o mais recente bilionário a adquirir, segundo informações, uma mansão recém-construída por um valor estimado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões no início deste mês.
E, entre os ultrarricos que podem desembolsar milhões por uma casa, muitos frequentemente mandam demolir a estrutura existente para erguer uma nova, disse Michael Martirena, cofundador da Ivan and Mike Team, da corretora imobiliária Compass.
O preço da exclusividade
Com apenas 84 moradores em 2020, Indian Creek Island é um dos enclaves mais exclusivos dos Estados Unidos, e uma das principais razões é a privacidade e a segurança que oferece a seus residentes ultrarricos.
Indian Creek é um município independente, com governo próprio e uma força policial que patrulha a ilha 24 horas por dia, sete dias por semana, não apenas por terra, mas também pelo mar.
Uma única ponte com guarita a conecta ao continente, e qualquer visitante precisa apresentar documento de identidade e pode até passar por inspeção do veículo, disse Martirena, que já visitou propriedades no local com clientes.
“É uma bolha, e ninguém entra ou sai, a menos que tenha um motivo”, afirmou Martirena, especialista em imóveis de ultra luxo.
Diferentemente de enclaves de celebridades próximos, em South Beach, como Palm, Star e Hibiscus Islands — onde passeios de barco passam regularmente em frente às mansões à beira-mar —, as patrulhas marítimas de Indian Creek mantêm curiosos afastados, disse Martirena à Fortune.
Por causa da localização da ilha e do paisagismo estratégico, pouquíssimas casas nas áreas vizinhas, como Bay Harbor Islands ou Surfside, têm vista clara para Indian Creek Island. Isso a torna muito privada, disse Martirena, e altamente desejada.
“É o lugar certo para estar”, disse Martirena. “Pessoas desse nível se sentem seguras e sem serem incomodadas.”
Ainda assim, apenas ter dinheiro não garante acesso. Todas as ofertas são feitas fora do mercado, disse Martirena, o que significa que o corretor do comprador precisa negociar diretamente com os representantes do proprietário e entrar em contato diversas vezes caso eles ainda não estejam prontos para vender.
“É uma comunidade pequena e, para manter o burburinho em nível baixo, eles resolvem tudo internamente e de forma muito reservada”, disse ele.
Em uma comunidade já exclusiva, o lado oeste oferece uma experiência ainda mais isolada porque os lotes fazem fronteira com a hidrovia intracosteira que separa a ilha do continente, disse anteriormente à Fortune Mick Duchon, corretor imobiliário baseado em Miami Beach da Corcoran Group.
Nesse lado da ilha, onde moram dois dos cinco homens mais ricos do mundo, Zuckerberg e Bezos, os lotes têm cerca de 7.400 metros quadrados, em comparação com os 4.600 metros quadrados que são a norma na ilha, afirmou Duchon.
Desde que anunciou sua mudança de Seattle para a Flórida, em 2023, Bezos adquiriu três propriedades na ilha por mais de US$ 230 milhões no total. Ele está transformando dois lotes do lado oeste em um complexo residencial, enquanto mora em uma casa em estilo mediterrâneo no terceiro lote, do outro lado da ilha.
A migração de bilionários para Indian Creek reflete um movimento mais amplo no mercado imobiliário de luxo do sul da Flórida, que Martirena descreveu como “covid 2.0”. Em parte graças à ausência de imposto estadual sobre a renda na Flórida, o interesse de compradores de alto padrão está explodindo, mesmo com a desaceleração da atividade na faixa mais baixa do mercado imobiliário.
Outro fator é a proposta de imposto de 5% sobre o patrimônio dos bilionários, que vem ganhando força na Califórnia. O cofundador do Google, Larry Page, teria começado a transferir ativos, incluindo seu family office, para fora da Califórnia. Recentemente, o bilionário pagou US$ 173 milhões por duas mansões à beira-mar no bairro de Coconut Grove, em Miami.
Martirena afirmou que seu próprio negócio acelerou nas últimas semanas, com três consultas recentes que ele atribuiu diretamente à possível tributação sobre grandes fortunas.
“Eles estão se planejando com antecedência. Não querem se mudar para cá”, disse. “Querem permanecer no estado da Califórnia, porque amam onde vivem e nunca pensaram em se mudar. Mas trabalham muito pelo dinheiro que ganham e disseram que gostam ainda mais da própria conta bancária.”
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