
A defesa de Daniel Vorcaro pediu a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o vazamento de mensagens que teriam sido trocadas entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
A terceira fase da Operação Compliance Zero recuperou mensagens de WhatsApp enviadas por Vorcaro com e sobre diversas figuras de grande influência no Brasil. Entre elas, segundo a investigação, estaria uma conversa em 17 de novembro, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, que envolveria o ministro Alexandre de Moraes.
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A investigação aponta que as conversas teriam ocorrido entre 7h19 e 20h48, pouco antes da prisão, efetivada às 22h. Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes teriam escrito textos em seus blocos de notas, feito capturas de tela e enviado as imagens com o recurso de visualização única. Por esse motivo, as supostas respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas de Vorcaro permaneceram acessíveis no histórico do aparelho.
Nas mensagens, Vorcaro afirmaria prestar contas ao ministro sobre as negociações de venda do Banco Master e relata que teria antecipado o fechamento do negócio com o grupo Fictor para tentar salvar a instituição. Ele também menciona que um eventual vazamento de informações seria “péssimo”, mas poderia servir de gancho para ingressar formalmente no processo. Em trechos atribuídos ao banqueiro, ele questiona o magistrado por duas vezes se haveria alguma novidade e chega a perguntar diretamente: “Conseguiu bloquear?”.
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmam que “diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação”.
“Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”, diz outro trecho.
A defesa enfatiza ainda que não tem o intuito de investigar jornalistas ou terceiros que tenham recebido o material, mas sim apurar quem, “tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso”, pode ter violado esse dever.
A imprensa é protegida pelo direito ao sigilo da fonte. Mesmo que receba material sigiloso, o jornalista não pode ser responsabilizado pela divulgação, desde que a publicação atenda a critérios como o de interesse público.
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