A disputa dentro do PL pela segunda vaga ao Senado em São Paulo ganhou um novo capítulo nesta semana com uma espécie de romaria de deputados aos Estados Unidos para se reunir com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Cerca de 15 parlamentares se deslocaram para Dallas, no Texas, entre a noite desta quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, para uma sequência de encontros com o filho do ex-presidente e uma reunião geral prevista para sexta-feira.
O movimento é interpretado dentro do partido como um gesto político para demonstrar apoio a Eduardo, que permanece nos Estados Unidos, mas também ocorre em meio à disputa interna para definir quem herdará o espaço que originalmente seria dele na corrida ao Senado em 2026.
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Entre os integrantes do grupo, cinco parlamentares são de São Paulo: os deputados estaduais Gil Diniz, Tenente Coimbra, Paulo Mansur e Lucas Bove, além do deputado federal Mario Frias. Todos aparecem nas conversas internas do partido como possíveis interessados em ocupar a vaga do PL na disputa.
Nos bastidores da legenda, a avaliação é que a viagem também cumpre outro papel: aproximar os pré-candidatos do ex-deputado e reforçar laços políticos com um dos principais nomes do bolsonarismo, ainda influente nas decisões do partido no estado.
A expectativa entre aliados é que os encontros culminem em uma reunião mais ampla na sexta-feira, quando Eduardo deverá receber o grupo de parlamentares para discutir estratégias políticas e eleitorais para 2026. Integrantes do partido afirmam que a bancada paulista deve comparecer em peso ao encontro.
O próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, viajou ao Texas para se reunir com Eduardo e discutir o cenário eleitoral em São Paulo. A interlocutores, ele tem reiterado que a definição sobre o nome do partido deve passar pelo ex-deputado.
Resistência a plano do partido
A corrida pela bênção do filho do ex-presidente ocorre em um momento em que uma estratégia defendida por parte da direção do PL enfrenta resistência por parte dele.
Nos bastidores, dirigentes da legenda passaram a defender que o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL) — aliado de Jair Bolsonaro e integrante da gestão do prefeito Ricardo Nunes — seja lançado como candidato ao Senado.
A avaliação desse grupo é que um nome ligado à segurança pública poderia mobilizar o eleitorado bolsonarista no estado. Eduardo, no entanto, tem demonstrado resistência à ideia. Em encontro com Valdemar, ele teria afirmado que não vê condições de apoiar essa alternativa e prefere lançar alguém de sua confiança, segundo relatos de interlocutores.
Lista de possíveis nomes
A indefinição sobre a candidatura já vinha sendo discutida dentro do bolsonarismo paulista. Nas anotações do senador Flávio Bolsonaro que foram vazadas recentemente pela imprensa, o cenário aparece pulverizado.
Nos registros, a primeira vaga aparece associada ao deputado federal Guilherme Derrite (PP), aliado do governador Tarcísio de Freitas e já chancelado pelo próprio Jair Bolsonaro como candidato.
Para a segunda cadeira, surgem diferentes alternativas dentro do campo bolsonarista: o empresário Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente; o deputado federal Mario Frias; o próprio Eduardo Bolsonaro; o vice-prefeito paulistano Mello Araújo; e o deputado federal Marco Feliciano. Entre esses, Renato tem dito que prefere ser candidato a deputado federal.
Apesar de citado por Flávio nas anotações, Feliciano afirmou ao GLOBO que não foi convidado para a viagem aos Estados Unidos para se reunir com Eduardo.
— Não fui convidado — disse.
Nos bastidores, o cenário também envolve o governador Tarcísio de Freitas, que defende a formação de uma chapa mais ampla da direita no estado. Aliados do governador chegaram a trabalhar com a possibilidade de o segundo nome ao Senado ser o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente, visto como um perfil capaz de dialogar com eleitores fora do núcleo mais ideológico do bolsonarismo.
A hipótese enfrentou resistência dentro do PL, onde dirigentes defendem que a vaga seja ocupada por um nome da própria legenda. Ficou definido, ao menos à princípio, que a palavra final seria de Eduardo.
Viagens além de São Paulo
A movimentação para encontrar Eduardo não se limita à bancada paulista. O deputado federal Rodrigo Valadares também decidiu viajar aos Estados Unidos para se reunir com o ex-deputado e embarcou na noite de quarta-feira.
Além dele, também integram a agenda em Dallas os deputados federais José Medeiros e Rodrigo da Zaeli, além de Coronel Assis, do União Brasil. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, também participa da viagem. Este grupo participa da agenda para pedir opinião de Eduardo na montagem de chapas em seus estados.
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