
Uma troca de mensagens entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Daniel Vorcaro, dono do Master, menciona uma suposta reunião com o comandante do União Brasil, Antônio Rueda, durante as negociações da venda do banco para a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. Costa afirma na conversa que permaneceria para “sempre” ao lado de Vorcaro.
O diálogo foi extraído do celular de Vorcaro, cujo conteúdo está sendo analisado pela Polícia Federal e pela CPI do INSS no Congresso. Vorcaro, de acordo com a apuração, tirava prints de tela de determinadas conversas de WhatsApp e guardava as imagens na galeria do celular.
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O arquivo com o print da mensagem foi salvo por Vorcaro no início de 2025 e reforça, segundo investigadores, a teia de relações do dono do Master, que buscava apoio político na tentativa de salvar a instituição financeira. De acordo com o diálogo, Costa procurou Vorcaro para contar que havia falado com Rueda e acrescentou que o presidente do União Brasil também gostaria de conversar com o banqueiro. A investigação busca mais elementos sobre o teor da reunião entre o ex-chefe do BRB e o dirigente partidário.
Na conversa de WhatsApp, Costa afirmou a Vorcaro que ficou desapontado com outro encontro que havia realizado naquele dia, sem especificar com quem, e disse que eles sempre estariam juntos. “Sempre é sempre mesmo”, escreveu o então presidente do BRB. O dono do Master respondeu que também seguiria ao lado do aliado com o qual negociava uma operação para salvar o banco, que sofria dificuldades financeiras para sobreviver no mercado.
Procurado, Costa, que deixou o comando do BRB após se tornar alvo de investigação da PF, afirmou, por meio de advogados, que “mensagens foram trocadas no contexto do exercício regular de suas responsabilidades como presidente do Banco de Brasília (BRB), no âmbito das relações institucionais e comerciais mantidas pelo banco.” A nota da defesa do executivo diz ainda que “comunicações entre dirigentes de instituições financeiras fazem parte da rotina do mercado e não substituem os processos formais de análise, governança e deliberação colegiada que regem a atuação do BRB”. O texto acrescenta também que “todas as decisões relacionadas às operações em discussão foram submetidas às instâncias técnicas e de governança competentes, sempre orientadas pela defesa dos interesses do BRB”.
Já Rueda disse em nota que “não comenta diálogos privados” que seriam, no seu ponto de vista, divulgados de forma irregular. O dirigente do União Brasil afirmou também que “não possui qualquer relação” com Vorcaro, “além de contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”. A defesa de Vorcaro disse que não vai se manifestar.
Conexões políticas
À época da conversa, Costa e Vorcaro negociavam uma operação de socorro ao Master. O banco público controlado pelo governo do DF anunciou a compra de 58% do capital total da instituição financeira privada por cerca de R$ 2 bilhões. Essa operação foi rejeitada pelo Banco Central, que, no final do ano passado, decretou a liquidação do Master por suspeita de fraudes e dificuldades financeiras para honrar os seus compromissos.
Com o avanço das apurações, descobriu-se que o BRB carteiras de crédito fictícias do Master. Segundo a PF, houve fraudes em R$ 12,2 bilhões dessas transações. A apuração, segundo os investigadores, aponta “indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master”. Em depoimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado, Vorcaro e Costa negaram qualquer irregularidades e divergiram sobre o conhecimento da origem dos ativos considerados fraudulentos.
As investigações em andamento na PF buscam esclarecer como Vorcaro conseguiu o apoio do BRB para realizar uma operação considerada de alto risco. Uma das linhas em apuração é se o dono do Master contou com ajuda de políticos para viabilizar a transação que salvaria a sua instituição financeira.
Em conversas reservadas, Vorcaro costumava reconhecer a importância da sua rede de contatos em Brasília. Ele dizia a pessoas próximas que havia feito “fortes amigos” na capital federal, que “no Brasil não tem como andar se não tiver esse tipo de proteção” e que, sem o apoio de poderosos, não estaria no lugar aonde chegou.
Assim como a menção a Rueda em mensagem trocada entre Costa e Vorcaro, outros diálogos do dono do banco Master e documentos analisados pela investigação reforçam a suspeita do alcance das conexões políticas do banqueiro. Um e-mail salvo nos arquivos de Vorcaro mostrou que o presidente do União Brasil e o comandante do PP, senador Ciro Nogueira (PI), tiveram assentos reservados em um helicóptero de uma empresa de Vorcaro para deixar o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em 2024. Rueda não se manifestou na ocasião, enquanto Nogueira confirmou ter ido ao evento, mas negou ter usado a aeronave.
Também é atribuída a Rueda e à cúpula do União Brasil no Rio a indicação do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, que foi preso pela PF no curso da investigação sobre investimentos de cerca de R$ 1 bilhão no Master feitos pelo fundo que gere as aposentadorias dos servidores do governo do Estado do Rio.
A relação de Vorcaro e do Master com integrantes do União chegou também ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, vice-presidente da sigla e pré-candidato ao governo da Bahia. Como mostrou O GLOBO, ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central, entre março de 2023 e maio de 2024. Ele confirmou que recebeu os pagamentos por ter prestado consultoria para a instituição, mas disse que os serviços foram regulares.
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