
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, completou na última terça-feira (20), o primeiro ano de seu segundo mandato. A data veio acompanhada de uma série de críticas feitas por organizações americanas e internacionais, que apontam riscos de autoritarismo e de retrocessos em direitos humanos nas políticas de seu governo.
Nas últimas semanas, a administração Trump tem sido marcada pela operação na Venezuela, pelas ameaças relativas à Groenlândia e por medidas mais duras contra migrantes dentro do país. Segundo algumas das principais entidades de direitos humanos do mundo, essas ações integram uma lista mais ampla de iniciativas que, em sua avaliação, representam ataques a direitos e desafios à democracia.
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A Anistia Internacional afirma que a escalada de práticas autoritárias sob Trump está causando uma “erosão dos direitos humanos” nos Estados Unidos e além de suas fronteiras. “Todos nós somos testemunhas de uma trajetória perigosa sob o governo do presidente Trump, que já levou a uma emergência de direitos humanos”, disse Paul O’Brien, diretor-executivo da Anistia Internacional EUA.
A organização lançou o relatório intitulado “Soando os Alarmes: Práticas Autoritárias Crescentes e Erosão dos Direitos Humanos nos Estados Unidos”, no qual destaca 12 áreas em que enxerga sinais de alerta, da liberdade de imprensa e acesso à informação até o enfraquecimento de sistemas internacionais concebidos para proteger direitos humanos.
A Human Rights Watch também descreveu o primeiro ano do segundo mandato de Trump como marcado por tendências autoritárias. Em relatório que compila pesquisas e análises publicadas ao longo de 2025, a entidade organiza as preocupações em sete pilares principais, em linha com os apontamentos da Anistia.
‘Predador da liberdade de imprensa’
Em relação às liberdades de expressão e de imprensa, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) afirma que Trump caminha para se tornar um dos “piores predadores da liberdade de imprensa do mundo”, em termos de discurso e atitudes em relação à mídia. A organização elaborou uma linha do tempo com episódios do último ano, incluindo ações judiciais contra veículos, restrições a jornalistas da Associated Press na Casa Branca, mudanças na cobertura do Pentágono e a suspensão do apresentador Jimmy Kimmel sob pressão do órgão regulador FCC, entre outros.
A RSF relembra que, desde 2016, Trump rotula de forma recorrente jornalistas e veículos de comunicação com os quais discorda como “inimigos do povo” e “fake news”. “Essas ações ecoam medidas anti-imprensa de líderes que figuram na Lista de Predadores da Liberdade de Imprensa de 2025, como o presidente Daniel Ortega, na Nicarágua, e o presidente russo Vladimir Putin”, escreve a entidade, dizendo ver em Trump um perfil que se aproxima de práticas observadas em regimes mais fechados.
Resistência
A American Civil Liberties Union (ACLU), principal organização de defesa dos direitos civis dos Estados Unidos, avaliou o primeiro ano do segundo mandato à luz das disputas judiciais travadas com o governo. No relatório “Derrotar, Atrasar, Diluir: ACLU versus Presidente Trump”, a entidade informa ter ajuizado mais de 200 ações legais contra a administração e afirma ter obtido, até agora, cerca de 65% de sucesso em decisões que, em sua visão, barram, atrasam ou modificam medidas consideradas prejudiciais a direitos civis.
Anthony D. Romero, diretor-executivo da ACLU, adota um tom ligeiramente mais otimista ao destacar o papel de instituições e da sociedade na contenção de abusos. “Só estamos em crise constitucional se permitirmos”, escreveu. “Os direitos perduram não porque os líderes os respeitam, mas porque as pessoas e as instituições insistem em aplicá-los.”
“Eu não sou um ditador”
O presidente Donald Trump não respondeu especificamente às organizações nem aos relatórios publicados sobre o primeiro ano de seu segundo mandato. Ele, porém, já havia comentado acusações de autoritarismo no passado. Em agosto de 2025, por exemplo, em entrevista no Salão Oval, Trump afirmou: “Eu não sou um ditador. Sou um homem com um grande senso comum. Sou uma pessoa inteligente.”
Da mesma forma, a Casa Branca tem rejeitado repetidamente as acusações e as classificado como “profundamente levianas”. O governo também já enquadrou parte das críticas sob o rótulo de “Síndrome do Descontrole Causado por Trump” (TDS, na sigla em inglês para Trump Derangement Syndrome). O termo é usado por apoiadores do presidente para se referir, segundo eles, a pessoas que perderiam a lógica ou a razoabilidade em razão de uma forte antipatia por Trump.
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