A Polícia Civil realizou, na manhã desta quarta-feira (27), uma operação contra uma escola de enfermagem investigada por funcionar sem autorização em Campinas. Segundo as apurações, o Instituto Educacional Novo Nível, localizado na Rua Doutor Domingos Rimoli Netto, no bairro Parque Valença, oferecia curso técnico de enfermagem sem credenciamento dos órgãos competentes e teria emitido diplomas sem validade legal.
A investigação também apura a informação de que alguns alunos formados na instituição estariam trabalhando em hospitais, mesmo sem formação reconhecida oficialmente. Cada aluno pagava R$ 12.750 pelo curso técnico de enfermagem, que tinha duração de dois anos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na sede da escola quanto na casa do proprietário da instituição. A operação investiga possíveis crimes de estelionato e exercício ilegal da profissão.
Até o momento, o Instituto Educacional Novo Nível não se manifestou oficialmente sobre as investigações. O espaço segue aberto para posicionamentos da instituição e da defesa dos envolvidos.
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Denúncias partiram de alunos
De acordo com a Polícia Civil, a apuração começou após denúncias feitas por estudantes que afirmam ter sido enganados pela instituição. Uma das alunas registrou boletim de ocorrência no 11º Distrito Policial de Campinas após enfrentar dificuldades para conseguir os documentos necessários para obter o registro profissional no conselho de classe.
Ao procurar a Diretoria de Ensino, ela descobriu que a escola não possuía autorização de funcionamento.
Pelo menos sete pessoas já procuraram a polícia para denunciar o caso. Os alunos apresentaram contratos e documentos relacionados ao curso.
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Polícia apreendeu documentos e equipamentos
Durante a operação desta quarta-feira, policiais realizaram buscas na instituição para apreender documentos, materiais e equipamentos que possam auxiliar nas investigações.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita é que a escola captava alunos prometendo formação técnica na área da saúde mesmo sem autorização legal para oferecer o curso.
O delegado Luiz Fernando Marucci afirmou que a investigação teve início após a denúncia de uma ex-aluna que frequentou o curso durante dois anos.
“Ela procurou a inspeção dos documentos necessários para fazer sua inscrição junto ao conselho de classe e teve dificuldade para obtenção desses documentos. Depois procurou a Diretoria de Ensino, quando soube que essa escola não tinha autorização de funcionamento”,
explicou o delegado.
Segundo ele, outras colegas da estudante também procuraram a delegacia posteriormente.
“Era uma escola que não tinha autorização de funcionamento, então esse diploma eventualmente emitido não tem funcionalidade”,
disse.

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Bloqueio de contas e férias antecipadas
Ainda de acordo com o delegado, havia rumores de denúncias em andamento e, diante disso, a instituição teria antecipado as férias.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de valores em contas, medida que pode viabilizar eventual reparação de danos às vítimas.
O proprietário da escola foi ouvido pela polícia e, segundo Marucci, alegou que o problema seria uma “questão meramente administrativa” e afirmou que irá apresentar documentos às autoridades.
A suspeita da polícia é de que a escola funcione desde 2022 já sem autorização.
Pedido de funcionamento foi negado
No mês passado, a Diretoria de Ensino da Região Campinas Oeste negou o pedido de funcionamento do Instituto Educacional Novo Nível. A decisão foi publicada em portaria assinada pela dirigente regional de ensino.
Segundo o documento, o pedido foi indeferido porque a instituição não apresentou toda a documentação exigida pelas normas do Conselho Estadual de Educação.
Além disso, o imóvel indicado pela escola foi considerado inadequado para funcionamento de uma unidade escolar.
A portaria entrou em vigor na data da publicação.
Polícia apura se alunos sabiam da irregularidade
A investigação também vai apurar se parte dos estudantes sabia que o curso não tinha autorização e que os diplomas emitidos poderiam não ter validade no mercado de trabalho.

*Com informações de Júnia Vasconcelos/EPTV Campinas
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