
Autoridades dos Estados Unidos e de Israel discutiram a possibilidade de uma operação com forças especiais dentro do Irã para garantir o controle de estoques de urânio enriquecido do país, informou o site Axios.
Segundo o veículo, a missão poderia envolver forças americanas, israelenses ou uma operação conjunta entre os dois países. O objetivo seria assegurar o material nuclear iraniano em meio à ofensiva militar iniciada no fim de fevereiro.
Questionado sobre a possibilidade, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à ABC que “tudo está sobre a mesa”.
O debate sobre uma operação desse tipo ocorre enquanto cresce a preocupação em Washington com a possibilidade de maior envolvimento militar dos EUA na guerra.
Trump não descartou o envio de tropas terrestres ao Irã desde o início do conflito, quando Washington iniciou ataques aéreos contra alvos iranianos. No fim de semana, porém, ele indicou que essa possibilidade poderia ser considerada em determinadas circunstâncias.
Falando a repórteres a bordo do Air Force One, o presidente afirmou que enviaria tropas apenas por “uma razão muito boa” e caso as forças militares iranianas estivessem “tão devastadas que não conseguiriam lutar no terreno”.
Ele também disse que uma operação para garantir os estoques de urânio enriquecido poderia ocorrer “mais adiante”, embora não esteja prevista neste momento.
Autoridades do governo afirmam que o plano militar atual não inclui o envio de tropas terrestres, mas reforçam que nenhuma opção foi retirada da mesa.
A possibilidade de ampliação da guerra já gera preocupação no Congresso. Parlamentares temem que a participação americana se aprofunde sem uma estratégia clara de saída.
“Quando você começa a colocar botas no terreno, e essas tropas podem precisar de reforço, isso começa a parecer um conflito de longo prazo”, disse o senador republicano Thom Tillis em entrevista à CNN.
O debate ocorre em meio à pressão política sobre a Casa Branca. Pesquisas recentes mostram aumento da desaprovação pública à condução da guerra.
Ao mesmo tempo, o conflito já resultou em baixas americanas. Seis militares mortos em ataques no Kuwait tiveram seus corpos repatriados no fim de semana em uma cerimônia na base aérea de Dover, em Delaware, com a presença de Trump. Um sétimo militar morreu após um ataque contra tropas americanas na Arábia Saudita.
Autoridades israelenses também afirmaram que garantir o controle do urânio enriquecido iraniano é um objetivo estratégico da operação militar.
Segundo o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Leiter, será necessário primeiro criar condições militares para que forças consigam chegar ao material nuclear e removê-lo.
Mesmo um uso limitado de tropas terrestres elevaria significativamente o nível do conflito e ampliaria o risco político para o governo americano, inclusive entre setores do Partido Republicano tradicionalmente contrários a intervenções militares prolongadas.
(com Axios e Financial Times)
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