
A guerra no Oriente Médio entrou no 12º dia com novos ataques, ameaças sobre rotas de petróleo e sinais de que o conflito pode se prolongar. A escalada militar ocorre enquanto governos e mercados monitoram o impacto sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de energia.
Em meio à intensificação do conflito, veio à tona nesta quarta-feira (11) a informação de que o novo líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, ficou ferido no ataque de 28 de fevereiro que levou à morte de seu pai, Ali Khamenei.
Segundo uma autoridade iraniana, os ferimentos foram leves e ele segue exercendo suas funções, embora ainda não tenha se pronunciado publicamente desde que assumiu o cargo.
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Segundo ele, é possível ver “grande segurança” na passagem estratégica para o comércio global de petróleo
Ataques se intensificam
A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel continua ampliando a pressão sobre o Irã. Os Estados Unidos destruíram 16 barcos iranianos suspeitos e instalar minas no Estreito de Ormuz e bombardearam mais de 5.500 alvos no país.
Israel, por sua vez, manteve ataques contra posições ligadas ao Irã no Líbano. Um bombardeio atingiu um prédio residencial no centro de Beirute, provocando incêndio em um bloco de apartamentos.
O Irã disparou contra Israel e alvos em todo o Oriente Médio, demonstrando que ainda pode revidar e interromper o fornecimento de energia. O país atacou navios comerciais, o Aeroporto de Dubai, que seguiu operando, ameaçou atacar bancos no Oriente Médio e prometeu ataques contínuos.
Disputa sobre o Estreito de Ormuz
A região do Estreito de Ormuz segue como o principal ponto de risco para a economia global. Duas fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o Irã instalou ao menos uma dúzia de minas navais na área.
Três navios foram atingidos ao atravessar o estreito nas últimas horas. Autoridades militares iranianas afirmaram que embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel ou a aliados poderão ser alvo de ataques ao transitar pela rota.
Entre os navios atingidos estariam embarcações britânicas e tailandesas. Ao mesmo tempo, navios ligados ao Irã e à China continuaram cruzando a passagem.
O bloqueio do estreito preocupa principalmente pelo impacto no mercado de energia. A região é responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo, e autoridades iranianas afirmaram que o preço do barril poderia chegar a US$ 200 caso o fluxo seja interrompido.
Divergências sobre o fim da guerra
Nesta quarta, Trump voltou a afirmar que o fim da guerra está próximo. Segundo ele, “quase não há mais nada para atacar”. Em outra declaração, afirmou que a guerra acabará “quando ele decidir”.
O presidente dos EUA vem repetindo a narrativa de derrota do Irã, mas não é possível comprovar que a estrutura bélica do país persa tenha realmente ido aniquilada. As falas de Trump sobre o fim da guerra entram em contradição com o que dizem os próprios membros do governo americano, como o secretário da Guerra, Pete Hegseth, que já disse anteriormente que o conflito pode ir longe.
Confrontado por um repórter que apontou as contradições e questionou se o conflito afinal se tratava de uma “pequena excursão” ou de uma “guerra”, Trump respondeu que é “os dois”. “É uma excursão que nos manterá fora de uma guerra; para eles é uma guerra, para nós acabou sendo mais fácil do que pensávamos.”
Desta vez, a fala de Trump entrou em contradição até mesmo com seu aliado, Israel. Em conversas privadas, autoridades israelenses afirmaram que não veem fim próximo da guerra e não têm certeza sobre a queda do governo do Irã. Um porta-voz do governo falou à Reuters que o país está preparado para continuar a guerra pelo tempo que for necessário.
Por outro lado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, falou que qualquer acordo para o fim da guerra deverá incluir reparações ao Irã e garantias de segurança contra futuras agressões.
“Em conversa com os líderes da Rússia e do Paquistão, reafirmei o compromisso do Irã com a paz na região”, escreveu no X. “A única maneira de pôr fim a esta guerra – instigada pelo regime sionista e pelos EUA – é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e oferecer garantias internacionais firmes contra futuras agressões”, completou.
Reflexos internacionais
A guerra já provoca repercussões diplomáticas. A Espanha retirou permanentemente sua representação diplomática de Israel, o que agrava a crise entre o país europeu e EUA e Israel.
O impasse diplomático já vem desde o começo do conflito, a partir das críticas do presidente Pedro Sánchez aos ataques contra o Irã. A medida gerou reação e Trump, que disse que a Espanha “tem se comportado muito mal”.
Ao mesmo tempo, líderes do G7 realizaram uma reunião por telefone para discutir o conflito. Em comunicado, Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália, Reino Unido, Alemanha e França afirmaram que avaliam a possibilidade de escoltar navios na região para garantir a livre navegação no Golfo.
O bloqueio do Estreito de Ormuz preocupa principalmente por conta do trânsito de petróleo. O conflito já levou ao aumento dos preços do barril e autoridades iranianas disseram que o mundo deve se preparar para que os preços cheguem a US$ 200.
Com o risco de interrupção no fluxo de petróleo, a Agência Internacional de Energia anunciou a maior liberação coordenada de reservas estratégicas de energia já realizada para tentar conter o impacto do conflito sobre os preços globais.
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