Muitas pessoas que moram em Campinas se assustaram, na noite desta quarta-feira (18), ao ver filas de carros em alguns postos de combustíveis. As imagens foram compartilhadas em tom de alarmismo nas redes sociais, apontando para um possível desabastecimento em caso de greve dos caminhoneiros e desdobramentos da crise no Oriente Médio (veja mais abaixo).
Mas existe a necessidade para essa correria aos postos? Para o vice-presidente do Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas), Eduardo Valdívia, a resposta é não.
Segundo ele, o sindicato não tem um monitoramento efetivo sobre o estoque dos combustíveis nos postos, mas em conversas com revendedores e diretores do Recap, há a informação de desabastecimentos pontuais e momentâneos, que podem durar algumas horas até pouco mais de um dia.
Greve de caminhoneiros?
Em relação a informações sobre uma possível greve de caminhoneiros no país, Valdívia diz que não há informações oficiais sobre a adesão na região de Paulínia.
Os sindicatos nacionais se reúnem nesta quinta-feira para decidir se haverá paralisação ou não. Mesmo que a greve comece, o vice-presidente da Recap explica que não há motivo para pânico porque o etanol está garantido.
“Estamos no início da safra do etanol e temos estoques com tranquilidade. Proprietários de carro flex não precisam se desesperar para abastecer agora porque o etanol não tem restrição neste momento”, declara Valdívia.
Entretanto, ele pontua que as distribuidoras apresentam restrições no fornecimento, com redução muito grande nos pedidos. Valdívia também aponta que a situação mais preocupante é a do diesel, em função do volume que o Brasil precisa importar.
Queda de braço com distribuidoras
De acordo com Valdívia, o Recap denunciou distribuidoras à Fundação Procon e Procon Campinas por causa do preço cobrado nos combustíveis. O sindicato vem recebendo diversas reclamações dos revendedores.
“O posto é cobrado pelo consumidor que vê notícias que a Petrobras não subiu o preço. Se a Petrobras não subiu, o posto não pode subir. O consumidor leigo não tem conhecimento que entre o posto e a Petrobras tem a distribuidora”, argumenta.
Crise do Diesel
A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado uma forte valorização do petróleo no mercado internacional, acendendo um alerta no governo brasileiro em pleno ano eleitoral: o risco de uma nova alta da inflação.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nos postos subiu mais de 11% em apenas uma semana, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80 por litro.
A tensão geopolítica se intensificou após ataques envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, ampliando o conflito na região. Um dos pontos mais estratégicos é o Estreito de Ormuz, controlado pelos iranianos, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Segundo autoridades do Irã, o estreito foi fechado, reduzindo drasticamente o fluxo comercial e impulsionando o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60, no início do ano, para aproximadamente US$ 110.
Esse aumento afeta diretamente o mercado brasileiro. A Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel, enfrenta o dilema de repassar o custo mais alto ao consumidor ou absorver parte do impacto, reduzindo suas margens de lucro.
Para tentar conter os efeitos da alta e evitar pressão inflacionária, o governo federal adotou uma série de medidas. Entre elas, a isenção de impostos federais (PIS/Cofins) e a criação de uma subvenção para produtores e importadores de diesel. A estimativa é de um gasto de R$ 30 bilhões para reduzir em cerca de R$ 0,64 o valor do litro nos postos. Como contrapartida, foi instituído um imposto sobre a exportação de petróleo.
Com esse subsídio, a Petrobras ganhou espaço para reajustar os preços nas refinarias sem repassar integralmente o aumento ao consumidor final. Ainda assim, os efeitos das medidas têm sido limitados até o momento.
A desoneração do PIS/Cofins representa cerca de 5% do preço do diesel, o que levou o governo a complementar a estratégia com a subvenção. Mesmo assim, a redução não foi suficiente para conter a alta.
Na tentativa de ampliar o alívio, o governo federal buscou apoio dos estados para reduzir o ICMS, que corresponde a quase 20% do preço final do combustível, o equivalente a cerca de R$ 1,20 por litro. No entanto, os governadores rejeitaram a proposta.
O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) argumentou que a redução do imposto comprometeria o financiamento de políticas públicas e que cortes tributários nem sempre chegam ao consumidor final.
Diante da resistência, uma nova proposta foi apresentada: os estados zerariam o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, enquanto o governo federal compensaria metade das perdas de arrecadação. A medida pode custar cerca de R$ 3 bilhões por mês, com ressarcimento de R$ 1,5 bilhão pela União. A decisão deve ser tomada até 28 de março.
A preocupação do governo se justifica pelo papel estratégico do diesel na economia brasileira. O combustível é essencial para o transporte de mercadorias, e seu encarecimento impacta diretamente os custos logísticos, pressionando preços de alimentos, produtos industriais e serviços.
Além das medidas fiscais, o governo também intensificou a fiscalização sobre a tabela de frete, buscando evitar prejuízos aos caminhoneiros e reduzir o risco de paralisações que possam agravar ainda mais o cenário econômico.
Alta já aparece nos postos de Campinas
Na última sexta-feira (13), a Petrobras anunciou o aumento do preço do diesel vendido às distribuidoras em R$ 0,38 por litro. O reajuste representa alta de 11,6% e foi o primeiro da refinaria desde maio de 2025.
Porém, antes mesmo do anúncio do reajuste, motoristas já encontravam preços mais altos em postos de Campinas. Na semana passada, o valor do litro do diesel subiu até R$ 1,50 em alguns estabelecimentos da cidade.
O sindicato que representa os postos da região afirmou que o aumento está relacionado à instabilidade no mercado internacional de petróleo, provocada pelo conflito no Oriente Médio.
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Como denunciar aumento abusivo
Em casos de suspeita de aumento abusivo, o consumidor pode procurar o Procon Campinas. O órgão orienta que o motorista registre a denúncia e anexe comprovantes, como fotos dos preços ou notas fiscais.
Segundo o Procon, os postos são obrigados a divulgar os valores dos combustíveis de forma clara e visível, permitindo que o consumidor saiba o preço antes de decidir abastecer.
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