Presente diariamente no prato dos brasileiros, o feijão carioca completa 60 anos em 2026 com uma forte ligação com Campinas. Foi no IAC (Instituto Agronômico de Campinas) a variedade passou de uma descoberta no campo a objeto de pesquisa científica, tornando-se a mais consumida no Brasil.
O marco histórico remete a 1º de agosto de 1966, quando um lote de 30 quilos de sementes foi enviado ao IAC, em Campinas, após ser identificado no interior paulista pelo engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes. O material foi recebido pelo pesquisador Shiro Miyasaka e catalogado como I-38700, passando a integrar a coleção de germoplasma do Instituto.
No entanto, o legado do programa, remete aopesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha”, que morreu no início de 2026, transformou a cultura do feijão no Brasil, segundo o IAC.
Luiz foi um dos pesquisadores conduziram avaliações agronômicas que comprovaram o potencial da nova variedade. Ensaios realizados entre 1967 e 1969 mostraram produtividade média de 1,67 toneladas por hectare, superior às variedades tradicionais da época, além de resistência a doenças, boa adaptação aos solos paulistas e qualidade culinária, com cozimento rápido e caldo consistente.
D’Artagnan ingressou no IAC em 1967, onde passou a atuar na antiga Seção de Leguminosas. Em 1969, a variedade Carioca foi oficialmente lançada, sob a responsabilidade direta do pesquisador, sendo incluída no projeto de produção de sementes básicas da CATI. A partir desse marco, ele passou a ser reconhecido como o “pai do Carioquinha”.
Origem do nome
Lançado oficialmente em 1969, o feijão recebeu o nome “carioca”, o que por décadas gerou confusão. A denominação não tem relação com o Rio de Janeiro. Segundo registros históricos, o nome surgiu quando um trabalhador rural comparou o aspecto rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado para animais manchados.
Resistência inicial e consolidação
No início, o aspecto “manchadinho” causou estranhamento entre consumidores acostumados a grãos de coloração uniforme. Para ampliar a aceitação, pesquisadores do IAC e técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) promoveram campanhas de divulgação, distribuição de sementes, campos de demonstração e ações educativas.
Em menos de uma década, a variedade se consolidou. Em 1976, o feijão carioca já era o mais cultivado e comercializado no estado de São Paulo, tornando-se referência nacional.
Programa de melhoramento em Campinas
Sessenta anos depois, Campinas segue no centro da pesquisa. O IAC mantém um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, ativo desde 1932. Ao longo das últimas décadas, mais de 60 variedades do tipo carioca foram desenvolvidas a partir do material original, com avanços em produtividade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade nutricional.
Atualmente, cultivares desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Segundo estudos do Instituto, os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país. O tipo carioca responde por aproximadamente 66% das sementes autorizadas no mercado, refletindo o padrão de consumo nacional.
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