A fila de espera por transplantes de órgãos cresceu no estado de São Paulo. Dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram que o número de pacientes aguardando um órgão passou de 25 mil, em 2024, para 28 mil em 2025, ou seja, um aumento de 11,5%. Entre os órgãos mais demandados, o rim lidera a lista.
No ano passado, quase 20 mil pessoas aguardavam por um transplante de rim. Em seguida aparecem as córneas, com cerca de 7 mil pacientes na fila. Depois, vem o fígado, com 446 pacientes, e o coração, com 231.
Número de transplantes realizados também cresceu
Mesmo com o crescimento da fila e das recusas familiares, o número de transplantes realizados aumentou em São Paulo. Em 2025, foram registrados 8.370 procedimentos, contra 7.805 em 2024.
Na região atendida pelo DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, o avanço também foi registrado. Foram 599 transplantes realizados no ano passado, 20 a mais do que em 2024.
Em 2026, os dados mostram que moradores das cidades da região continuam aguardando na fila por um órgão. Atualmente, cerca de 1,5 mil pacientes esperam por um transplante de rim. Outros 332 aguardam por córnea, 72 por fígado e 36 por um coração.
Crescimento da fila da espera está relacionado a recusa de familiares
O crescimento da fila está diretamente relacionado ao aumento das recusas familiares para a doação de órgãos. No estado de São Paulo, foram registradas 748 recusas em 2025, um número maior que o de 2024. No Brasil, o índice de recusa familiar para doação de órgãos gira em torno de 50%.
A alta também foi observada pela OPO (Organização de Procura de Órgãos) da Unicamp, responsável por 124 cidades da região. Segundo o órgão, as recusas passaram de 94, em 2024, para 106, no ano passado.
Quem sofre com a recusa de transplante é Keyla Gonçalves, que há dois anos foi diagnosticada com ceratocone, quando a córnea assume forma cônica podendo sofrer uma perfuração ou resultar até mesmo na perda da visão.
“No começo, eu e a minha família pensamos que poderia ser uma miopia ou astigmatismo, porque a minha família tem. Por um tempo, o óculos foi muito bom e serviu super para mim, só que depois de uns anos a minha visão começou a piorar drasticamente. A gente não sabia mais o que fazer porque não tinha mais grau de óculos para mim usar. Então, fomos à Unicamp e descobrimos que tenho ceratocone”, disse em entrevista a EPTV Campinas.
Recentemente, Keyla recebeu a indicação de transplante de córnea. Porém, há 1.595 pacientes na sua frente. De acordo com ela, o tempo médio de espera é de seis meses.
Ilka Boin, coordenadora do serviço de transplante hepático da Unicamp e vice-presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), explica que o medo, a circulação de fake news e a desinformação estão entre os fatores que levam muitas famílias a dizerem “não” no momento de decidir se vão ou não permitir a doação.
“Normalmente as famílias têm medo, não têm consciência do que está acontecendo. Claro que tem o sentimento de luto, que é muito forte, cada um vivencia o luto de uma maneira. Então, isso é algo que a gente sempre tem que levar em consideração. Mas uma grande parte é uma questão de não acreditar no procedimento ou ser levado por uma ‘fake news’”, disse.
Porém, Ilka ressalta que existe um protocolo rigoroso para confirmar a morte cerebral, condição necessária para a doação. Segundo ela, o diagnóstico é feito por meio de avaliações clínicas e exames de imagem que comprovam a ausência definitiva de atividade cerebral.
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Uma nova chance
Para quem recebe um órgão, a doação representa uma nova chance. Este é o caso do aposentado Roberto Alves, que recentemente comemorou 30 anos de um transplante de fígado.
“Teve a cirrose hepática, né? E aí não tinha condições de fazer o tratamento e a recomendação naquele momento era o transplante, só o transplante”, disse ele.
O aniversário da cirurgia, celebrado na última quinta-feira (5), virou uma data especial para Roberto. Ele conta que hoje, aos 67 anos, adora andar de bicicleta e leva uma vida ativa do que na época em que recebeu a indicação para a indicação para o transplante, quando enfrentava um cansaço intenso.
“A família é que vai dar o ‘sim’ para aquela situação. Então, é muito bom conversar em vida para falar que é a favor. Eu, por exemplo, se eu não tivesse o ‘sim’ daquela família naquele momento, eu não estaria aqui hoje falando com vocês”, completou.
*Com informações da EPTV Campinas
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