A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou um comunicado, neste domingo (29), no qual informou que o furto de amostras de vírus do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada, no Instituto de Biologia (IB), foi um caso isolado e não envolveu organismos geneticamente modificados (relembre o caso abaixo).
De acordo com a universidade, assim que tomou conhecimento do ocorrido, foram acionadas a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A atuação conjunta permitiu a rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos.
A instituição também instaurou uma sindicância interna para apurar eventuais responsabilidades administrativas. Paralelamente, a investigação conduzida pela Polícia Federal busca esclarecer a motivação do furto e apurar o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso.
A Unicamp reforçou, em nota, o compromisso com a segurança de seus laboratórios e com o cumprimento das normas sanitárias e legais vigentes. Veja o texto na íntegra:
Com relação à subtração de materiais de pesquisa do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, classificado com nível de biossegurança 3 (NB-3), a Universidade vem a público esclarecer que:
- Laboratórios NB-3 operam em conformidade com protocolos rígidos de segurança. O episódio ocorrido foi um caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas que estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial.
- Ao tomar conhecimento do fato, a Reitoria da Unicamp acionou imediatamente a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que possibilitou a rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos.
- Não há organismos geneticamente modificados dentre os materiais em questão.
A Universidade também esclarece que:
- A Unicamp é nacionalmente reconhecida por incentivar a formação de empresas de base tecnológica que se dediquem a transformar os resultados de pesquisas realizadas na Universidade em produtos e serviços que beneficiem a sociedade.
- A Incubadora de Empresas da Unicamp (Incamp), sob responsabilidade da Agência de Inovação Inova Unicamp, opera com toda a segurança jurídica necessária, atuando em concordância com a política de inovação da Universidade e o marco legal nacional de inovação. Possui certificação de máxima qualidade no Brasil, CERNE nível 4, expedida pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Sua atuação está restrita à capacitação de empreendimentos inovadores, não abrangendo a gestão, supervisão ou execução das atividades técnico-científicas que são conduzidas de forma independente por seus respectivos sócios.
- A empresa associada ao marido da docente suspeita de ter retirado os materiais do já mencionado laboratório sem a devida autorização participa do programa da Incamp, o que lhe permite apenas fazer uso de espaço compartilhado de escritório.
- A motivação da subtração de materiais, bem como o possível envolvimento de diferentes pessoas físicas e jurídicas no caso, estão sob investigação conduzida pelos órgãos federais competentes.
- Uma sindicância foi instaurada na Universidade para averiguação interna.
É importante ressaltar, ainda, que a Unicamp é reconhecida em importantes rankings internacionais como a segunda melhor universidade da América Latina devido à qualidade de sua produção científica, e à excelência e comprometimento de seu corpo docente, de seus funcionários e de seus alunos, assim como pela formação responsável e ética de recursos humanos qualificados.
Reiteramos que a ocorrência em questão foi um caso isolado e, portanto, voltamos a público para reafirmar o nosso compromisso com a missão de promover o conhecimento para uma sociedade democrática, justa e inclusiva, com destaque à excelência no ensino, na pesquisa e na extensão.
Furto de material biológico na Unicamp: Professora descartou amostras após buscas em sua residência
A Polícia Federal (PF) concedeu uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (27) para falar sobre ofurto de material biológico que ocorreu em um laboratório do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. De acordo com o Delegado Chefe da PF em Campinas, André Almeida de Azevedo Ribeiro,a professora doutora Soledad Palemeta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade, presa em flagrante na última segunda-feira (23), também é investigada por fraude processual, já que descartou parte das amostras.
“Após a busca à residência, ela retorna à Unicamp e descarta o material que poderia representar o descarte de materialidade probatória do ponto de vista investigativo-criminal”, disse o delegado.
A PF foi notificada do desaparecimento das amostras no sábado (21) e cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Após a visita dos policiais federais, a professora retornou aos laboratórios no mesmo dia e descartou parte das amostras. Na segunda-feira, a Unicamp interditou temporariamente todos os laboratórios da FEA.
Na terça-feira (24), a Justiça concedeu liberdade provisória à Soledad, que terá que cumprir as seguintes exigências:
- Comparecer à Justiça todo mês
- Pagar fiança de 2 salários mínimos
- Proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias
- Proibida de sair do país sem autorização
- Proibida de acessar laboratórios envolvidos
Ela vai responder em liberdade pelos crimes de furto, transporte irregular de material geneticamente modificado e por expor a saúde pública a risco.
Também de acordo com a PF, o marido dela, Michael Edward Miller, que é aluno do IB, também é investigado.
“Vamos investigar todas as imagens, todos os vídeos apreendidos, para poder delimitar quem são as pessoas que participaram”, afirmou o delegado, que também descartou a hipótese de terrorismo biológico.
Cronologia
- 13/02 – Caixas com amostras de vírus somem do laboratório nível NB3
- 21/03 – PF cumpre mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Professora retorna ao laboratório do IB com um aluna, que abriu o local.
- 23/03 – Soledad é vista de novo nos laboratórios e instalações da FEA são interditadas. PF encontra material furtado e percebe que parte havia sido descartada. A professora é presa em flagrante pela PF
- 24/03 – Liberdade provisória é concedida à Soledad
H1N1 e H3N2 estão entre as amostras furtadas.
Amostras dos vírus H1N1 e H3N2, responsáveis pela gripe tipo A, estavam entre os materiais biológicos retirados indevidamente do Laboratório de Virologia do IB, de acordo com apuração da reportagem do g1 Campinas. A instalação é de nível de biossegurança 3 (NB-3)
De acordo com as investigações, os micro-organismos foram levados sem autorização para outros laboratórios dentro da própria universidade e permaneceram desaparecidos por cerca de 40 dias.
A PF informou que não há risco à população, já que as amostras não saíram do ambiente controlado da universidade, tendo sido transferidas apenas entre laboratórios internos da Unicamp. O material foi recuperado e encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para análise.
FEA da Unicamp afirma que não trabalha com vírus respiratórios
Após ainvestigação sobre o furto de amostras de vírus em laboratórios da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da universidade divulgou uma nota oficial afirmando que não realiza pesquisas com vírus respiratórios.
O posicionamento foi divulgado neste sábado (28) e traz esclarecimentos técnicos sobre as áreas de pesquisa desenvolvidas na unidade, após a repercussão do caso que envolve uma professora investigada pela Polícia Federal.
FEA disse que não trabalha com vírus respiratórios
Segundo a faculdade, as pesquisas na área de microbiologia de alimentos envolvem principalmente vírus entéricos, associados à contaminação de alimentos e água, e que não possuem transmissão respiratória.
A nota também afirma que vírus respiratórios, como influenza – incluindo H1N1 e H3N2 – não são considerados agentes de interesse da Engenharia de Alimentos e não estão relacionados à cadeia produtiva de alimentos sob a perspectiva de risco alimentar.
Investigação sobre amostras de vírus
A investigação começou após o desaparecimento de amostras de vírus de um laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp. O material foi posteriormente localizado em outros laboratórios dentro da universidade.
A professora investigada chegou a ser presa em flagrante, mas teve liberdade provisória concedida pela Justiça e responde ao processo em liberdade. Ela é investigada por furto, transporte irregular de material biológico e fraude processual, após descartar parte das amostras.
A universidade informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso e que segue colaborando com a Polícia Federal e órgãos responsáveis pelas investigações.
Nota completa da FEA
“A Direção da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de
Campinas (UNICAMP) vem a público prestar esclarecimentos técnicos e institucionais
acerca de informações divulgadas na imprensa (Jornal da EPTV 2, do dia 27/03/2026,
intitulada “UNICAMP: Pesquisadora suspeita de furto descartou amostras de vírus”,
com duração de 9min09s sobre investigação em curso
envolvendo docente da FEA/UNICAMP.
A UNICAMP definiu que todas as comunicações oficiais sobre o caso estão centralizadas
no Gabinete do Reitor, com o objetivo de assegurar rigor informacional, coerência
institucional e respeito às investigações em andamento. Nesse sentido, manifestações
individuais de docentes não representam o posicionamento institucional da FEA ou da
UNICAMP.
A Faculdade de Engenharia de Alimentos atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão
voltadas à produção, processamento, qualidade e segurança de alimentos. No campo
da microbiologia de alimentos, umas das vertentes de atuação da Faculdade, os
agentes virais de relevância são predominantemente vírus entéricos, associados à
transmissão fecal-oral, como norovírus, rotavirus e vírus da hepatite A, dentre outros.
Esses agentes não possuem transmissão respiratória, estão relacionados à
contaminação de alimentos e água e, em geral, enquadram-se em níveis de
biossegurança até NB2.
Por outro lado, vírus respiratórios, como influenza (por exemplo, H1N1 e H3N2), possuem
transmissão predominantemente aérea e não são considerados agentes de interesse da
Engenharia de Alimentos, tampouco estão relacionados à cadeia produtiva de
alimentos sob a perspectiva de risco alimentar. Da mesma forma, pesquisas
envolvendo agentes classificados como NB3 (nível de biossegurança 3) exigem
infraestrutura altamente especializada, além de autorizações específicas, não
integrando o escopo de atuação da Engenharia de Alimentos.
A FEA dispõe de infraestrutura compatível com suas áreas de atuação, observando
rigorosamente as normas de biossegurança, as autorizações institucionais e os planos de trabalho aprovados. Todavia, não estão no escopo da FEA e no plano de trabalho de
quaisquer membros do corpo docente da Faculdade, desenvolver atividades de
pesquisa laboratorial nas instalações da Faculdade envolvendo vírus respiratórios ou de
importância veterinária ou agentes de maior nível de contenção, não sendo também
automaticamente autorizadas pelo vínculo institucional do docente.
Conforme já divulgado, a Universidade instaurou sindicância interna para apuração
rigorosa dos fatos, incluindo a verificação da aderência das atividades realizadas aos
planos aprovados e o cumprimento das normas institucionais e de biossegurança. A
FEA e a UNICAMP colaboram integralmente com as autoridades competentes,
incluindo a Polícia Federal, autoridades sanitárias e órgãos regulatórios.
A Faculdade de Engenharia de Alimentos reafirma seu compromisso com a segurança
biológica, a integridade científica, o cumprimento rigoroso das normas legais e
institucionais e a transparência perante a sociedade. Ressalta-se, ainda, que a FEA é
resultado do trabalho árduo e contínuo de gerações de docentes, pesquisadores,
estudantes e servidores, que ao longo de décadas contribuíram para a construção de
uma instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente e posicionada
entre as melhores do mundo na área de Engenharia de Alimentos.
Adicionalmente, a Direção enfatiza que opiniões individuais, ainda que emitidas por
docentes especialistas, devem ser tratadas com a devida cautela e não podem ser
apresentadas como posicionamento institucional, sobretudo em contextos sensíveis e
sob investigação. A utilização ou interpretação dessas manifestações fora de seu
devido contexto pode gerar confusão na imprensa e na opinião pública, além de
potencialmente interferir ou prejudicar o adequado curso das apurações em
andamento.
Por fim, destaca-se a importância de que informações técnicas sejam tratadas com
precisão, evitando generalizações que possam gerar interpretações equivocadas sobre
o escopo da Engenharia de Alimentos, os riscos efetivos envolvidos e as
responsabilidades institucionais. Novas informações serão divulgadas exclusivamente
pelos canais oficiais da Universidade.”
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