A calourada da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), na tarde desta segunda-feira (23), foi marcada por uma confusão entre estudantes e um grupo de nove pessoas que não pertencem à universidade. O confronto aconteceu durante uma confraternização entre alunos dos cursos de Ciências Humanas, quando o grupo invasor teria entrado no campus, no distrito de Barão Geraldo, provocando e atacando os alunos.
De acordo com um dos estudantes que estava no local no momento da ação e que preferiu não se identificar, os universitários estavam pintando um mural no edifício do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), quando os invasores chegaram e começaram a atrapalhar a confraternização. Ele relatou que o grupo tomou as ferramentas usadas na pintura e até chegaram a jogar as tintas em quem estava no local.
“Eles [alunos] estavam pintando o mural de novo, mural feito com recurso público e tals. Aí o pessoal começou a tirar os rolos de tinta e os caras, uns oito, começaram a jogar tinta e puxar briga. Teve aluno que sofreu agressões, e chegou a levar chutes no chão. Outro estava com sangue na boca e muita gente levou soco de graça sem ter feito nada”, lembrou.
Invasores não identificados
Até o momento, os invasores não foram identificados, mas o aluno afirmou que o grupo seria formado por pessoas de extrema direita.
Em uma nota divulgada nesta terça-feira (24), a Unicamp repudiou à invasão, os atos de intimidação e agressão, e afirmou que está adotando as medidas administrativas e jurídicas necessárias para identificar os envolvidos.
Confira a nota da Unicamp:
“Episódios de invasão de qualquer natureza, filmagens não autorizadas e agressões são intoleráveis, representando uma grave afronta à democracia, à autonomia universitária, à segurança de estudantes, funcionários e docentes, e ao livre exercício do debate acadêmico. A universidade é um espaço de pluralidade, pautado pelo diálogo, não se submetendo a ações que busquem impor interesses por meio da violência ou da coerção.
A Unicamp reafirma seu compromisso com a democracia e com a defesa incondicional da universidade pública, gratuita, inclusiva e diversa.
Não permitiremos que a intolerância e a violência prevaleçam sobre o respeito às normas institucionais e o livre pensamento.
A Universidade está adotando as medidas administrativas e jurídicas necessárias para identificar os envolvidos e garantir a sua respectiva responsabilização pelos atos antidemocráticos.
A Reitoria se solidariza com todos os estudantes e membros da comunidade acadêmica que foram expostos a essa situação de insegurança”, diz a nota”.
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Assembleia para planos de autodefesa
Ainda ontem, o CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas) convocou uma assembleia a fim de aprimorar planos de autodefesa e informar a comunidade estudantil sobre o ocorrido. O encontro está marcado para às 17h30 desta quinta-feira (26), no estacionamento do IFCH/IEL.
“No dia de hoje (23), nossa universidade sofreu mais um ataque da extrema-direita, que dessa vez, para além de vandalizar nossos muros, agrediram fisicamente estudantes.
Diante dessa situação, os Centros Acadêmicos dos territórios atingidos, em conjunto com o DCE da Unicamp, convocam TODES ES ESTUDANTES DA UNICAMP à ASSEMBLEIA ANTIFASCISTA UNIFICADA, para aprimorarmos nossos planos de autodefesa, fortalecermos o Comitê Antifascista Unificado da Unicamp e passarmos os informes necessários a comunidade em relação ao ocorrido”, disse.
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