
A retaliação do Irã à campanha de bombardeios dos EUA e de Israel tem se concentrado fortemente em seus vizinhos ao redor do Golfo Pérsico, ameaçando seu status como destinos de gigantes financeiros, bilionários e turistas ricos.
O sucesso da região ao atrair capital do mundo todo ao longo dos anos e diversificar sua economia para além do petróleo também pode transformá-la em uma ameaça aos mercados globais.
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O ataque militar ao Irã acendeu o alerta para a economia brasileira. Com o risco de choque na oferta de petróleo, analistas projetam pressões no IPCA e possíveis mudanças no ciclo de corte da taxa Selic pelo Banco Central.
Emirados Árabes e Catar pedem a aliados ajuda para Trump recuar em crise com Irã
Os dois países tentam formar uma ampla coalizão para promover um fim rápido e diplomático ao conflito, para evitar uma escalada regional e um choque prolongado nos preços de energia.
“Mudei para o Catar para fugir dos impostos e agora estou me escondendo de mísseis”, ironizou no X um profissional do setor financeiro que vem registrando as ondas de ataques aéreos iranianos da varanda de seu apartamento.
Embora os EUA tenham bases militares na região que também foram alvo, analistas afirmam que a estratégia do Irã é infligir dor aos aliados americanos no Oriente Médio, incluindo os Emirados Árabes Unidos, na esperança de que pressionem o presidente Donald Trump a encerrar as operações de combate.
Até lá, no entanto, as redes sociais estão sendo inundadas por imagens de pontos turísticos de luxo literalmente em chamas, enquanto o Irã continua a lançar mísseis e drones contra eles.
Um ataque aéreo ao hotel Fairmont The Palm, em Dubai, provocou um incêndio e espalhou pânico na famosa ilha artificial Palm Jumeirah, onde vivem muitos dos residentes mais ricos da cidade.
Fumaça também foi vista nas proximidades do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, depois que um drone aparentemente foi interceptado e explodiu. E, na vizinha Abu Dhabi, destroços de outro drone atingiram as Etihad Towers. O aeroporto internacional da Cidade do Kuwait também foi atacado por um drone.
Enquanto isso, a DP World suspendeu as operações no porto de Jebel Ali — o maior porto de contêineres do Oriente Médio e peça-chave da economia de Dubai — após um píer pegar fogo por causa de destroços de um míssil interceptado.
O porto e a zona de livre comércio adjacente respondem por 36% do PIB de Dubai, e centenas de navios próximos ao Estreito de Ormuz permaneceram parados por preocupação com os acontecimentos.
Além disso, os ataques do Irã levaram ao fechamento do espaço aéreo ao redor do Golfo, que se consolidou como um importante hub global de aviação e também é um grande motor da economia regional.
“O que está acontecendo nos Emirados Árabes Unidos pode ser catastrófico, a menos que pressionem Trump a derrotar o Irã de forma rápida e decisiva ou a recuar imediatamente”, alertou no X Marko Kolanovic, ex-estrategista-chefe do JPMorgan. “Com 88% de expatriados, e forte dependência de turismo, finanças, aviação e transporte marítimo, isso também pode enviar ondas de choque pelo mundo.”
Ele destacou que Dubai sofreu uma crise imobiliária em 2009 e 2010 que ficou em grande parte restrita à cidade, mas ainda assim teve implicações para os mercados financeiros globais.
“Essa situação é muito pior”, acrescentou Kolanovic.
Uma questão central para o futuro de Dubai é quantos expatriados irão fugir e se eventualmente retornarão, agora que sua sensação de segurança foi abalada.
Dubai há muito cultiva uma imagem de segurança à prova de falhas, com muitos moradores deixando carros e casas destrancados. Mas os ataques do Irã provocaram uma corrida aos aeroportos e compras por pânico em alguns supermercados.
“Este é o pesadelo definitivo de Dubai, já que sua própria essência dependia de ser um oásis seguro em uma região turbulenta”, publicou no X Cinzia Bianco, pesquisadora do Conselho Europeu de Relações Exteriores. “Pode haver uma maneira de ser resiliente, mas não há como voltar atrás.”
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