
O ministro do Supremo Tribunal Federal e relator do caso do Banco Master na Corte, André Mendonça, afirmou que há dois integrantes não identificados da organização criminosa de Daniel Vorcaro “ainda à solta”.
A declaração consta do voto depositado pelo ministro no julgamento que manteve a prisão preventiva do banqueiro.
“No que concerne especificamente à contemporaneidade dos elevados riscos que essa organização criminosa armada é capaz de causar à ordem pública, deve-se rememorar que, segundo as apurações policiais, a “Turma” pode ser composta por até 6 membros ainda não devidamente identificados”, escreveu.
“A Turma” é o codinome utilizado pelo grupo miliciano pago por Daniel Vorcaro para intimidar desafetos e obter informações de maneira ilegal. Por meio do WhatsApp, o banqueiro e o líder do grupo, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário, firmavam acordos e negociavam pagamentos pelos “trabalhos”.
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Ainda de acordo com Mendonça, Sicário estava com “dois potenciais integrantes” da organização no dia em que foi deflagrada a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão.
Mendonça também afirmou em seu voto que a Polícia Federal identificou diálogos que indicam que um ex-funcionário do banqueiro foi ameaçado de morte com sua família em uma ação que contou com a participação de ‘sete milicianos’.
O ministro citou o episódio para rebater o argumento da defesa de que o grupo ‘A Turma’ seria apenas um grupo de WhatsApp do qual Vorcaro faria parte. Segundo a decisão, o ex-funcionário era capitão da embarcação pertencente ao banqueiro.
“Quanto ao citado fato, a autoridade policial identificou diálogos com “evidências que confirmam que a ‘Turma’ procurou o ex-funcionário LUIS FELIPE WOYCEICHOSKI para lhe coagir, ameaçando de morte não apenas ele, mas sua família, numa ação que foi definida por LUÍS FELIPE como realizada por “7 MILICIANOS””, escreveu Mendonça em seu voto.
No seu voto, o ministro relatou ainda indícios de que o “braço armado” de Vorcaro ainda estaria em atuação, em razão dos resultados da própria deflagração da operação. Mendonça citou que, durante a operação, em abordagem realizada pela Polícia Rodoviária Federal, foi encontrado em veículo de propriedade do Mourão, mas conduzido por outra pessoa, dois potenciais integrantes da Turma, conhecido como “os meninos” e responsáveis pelas tentativas de invasão digital de sistemas.
“No interior do veículo, foram encontrados quatro computadores além de caixas e malas. A partir de depoimentos colhidos posteriormente, verificou-se que pelo menos um dos indivíduos estaria em processo de mudança, tendo restituído o imóvel em que habitava à locadora”, afirmou Mendonça.
Por maioria de votos, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou a decisão de Mendonça pela prisão de Vorcaro. Além de Mendonça, votaram pela manutenção da decisão os ministros Nunes Marques e Luiz Fux. Resta o voto de Gilmar Mendes.
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