
A Assembleia de Peritos do Irã afirmou ter chegado a um consenso sobre o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, mas o nome do novo líder supremo ainda não foi oficialmente anunciado. A informação foi divulgada por autoridades religiosas iranianas e veiculada pela agência Al Jazeera e outras agências internacionais.
Ayatollah Mohammad-Mahdi Mirbagheri, membro da Assembleia de Peritos, disse que o colegiado alcançou uma “opinião decisiva e unânime” sobre o novo líder, embora ainda existam “alguns obstáculos” em relação ao procedimento de oficialização da escolha. Pela Constituição iraniana, cabe a esse órgão, composto por 88 clérigos, selecionar o líder supremo, figura central do sistema político e religioso do país.
Em vídeo divulgado pela agência Nournews, outro integrante da assembleia, Ayatollah Mohsen Heidari Alekasir, afirmou que um candidato já foi escolhido com base em uma orientação atribuída a Khamenei – que governou o Irã por 37 anos e foi morto no dia 28 de fevereiro em um ataque conjunto de Estados Unidos e de Israel. Segundo ele, o antigo líder defendia que o sucessor deveria “ser odiado pelo inimigo”, e não elogiado por ele. Alekasir afirmou ainda que “até o Grande Satã [Estados Unidos] já mencionou seu nome”, sem citar diretamente quem seria o escolhido.
As declarações ocorrem poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que Mojtaba Hosseini Khamenei, filho de 56 anos do líder morto, era o nome mais provável para assumir o posto, mas o considerou uma opção “inaceitável”.
Mojtaba é descrito pela imprensa internacional como um clérigo de linha dura, com forte articulação junto à Guarda Revolucionária e influência construída nos bastidores como principal assessor do pai, apesar de não ter ocupado cargos formais de governo além de sua atuação no gabinete do líder supremo.
A agência semioficial Mehr, citada tanto pela Al Jazeera quanto por veículos internacionais, o anúncio do novo líder caberá ao secretário do órgão, Ayatollah Hashem Hosseini Bushehri, mas ainda não se sabe se a formalização da decisão ocorrerá em uma reunião presencial, levando em conta o contexto de escalada militar e preocupações em relação a segurança.
A indefinição sobre a forma do anúncio ocorre em meio a ameaças diretas de Israel ao processo de sucessão. Em mensagem publicada em persa na plataforma X, o Exército israelense alertou que “não hesitaria” em atacar qualquer pessoa que participasse da reunião destinada a escolher o sucessor de Khamenei.
A sucessão na cúpula religiosa ocorre em paralelo à intensificação da guerra na região e a um aumento da pressão sobre a infraestrutura estratégica iraniana.
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Mais ataques
Jatos israelenses atacaram grandes depósitos de combustível nas áreas de Kuhak e Shahran, em Teerã, além da cidade vizinha de Karaj. Autoridades locais relataram explosões em partes da capital e orientaram moradores a usar máscaras e permanecer em casa, citando riscos de poluição do ar em razão das nuvens de detritos. A Sociedade do Crescente Vermelho alertou para a liberação de grandes quantidades de partículas nocivas na atmosfera após as explosões em tanques de armazenamento de combustível.
O Irã, por sua vez, ampliou ataques com mísseis e drones contra países do Golfo. Um ataque iraniano danificou uma usina de dessalinização no Bahrein, segundo o governo local, embora o abastecimento de água não tenha sido interrompido.
A ofensiva ocorre depois de Teerã acusar os EUA de atingirem uma estrutura semelhante em território iraniano. Países do Golfo dependem fortemente de usinas de dessalinização para o fornecimento de água potável, o que aumenta o potencial de impacto de ataques sucessivos a esse tipo de instalação.
Mercado energético
O conflito também pressiona o mercado de energia. Emirados Árabes Unidos e Kuwait começaram a reduzir a produção de petróleo diante da quase interrupção do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de um quinto das exportações globais de energia.
Segundo a Bloomberg, os futuros de petróleo bruto nos Estados Unidos encerraram a semana acima de US$ 90 por barril, mais de US$ 20 acima do nível da semana anterior, no maior ganho percentual semanal em registros que remontam à década de 1980. As ações da Saudi Aramco chegaram a subir perto de 5% em Riad, refletindo a percepção de maior prêmio de risco na região.
Trump
Enquanto isso, a condução da guerra e da sucessão em Teerã segue sob escrutínio internacional.
O governo Trump afirma considerar ampliar o escopo dos ataques dentro do território iraniano, e Israel indica que continuará a mirar tanto instalações militares e energéticas quanto figuras-chave da estrutura de poder iraniana.
A escolha e o perfil do novo líder supremo – sobretudo se confirmar um nome associado à Guarda Revolucionária e à ala mais rígida do regime – tendem a ser observados como um indicativo da direção futura da política externa e de segurança do Irã, com efeitos potenciais sobre o conflito em curso e sobre a volatilidade nos mercados de petróleo e ativos de risco ligados à região.
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