A bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), conhecida como uma das chamadas superbactérias por sua resistência a antibióticos, foi identificada em sete pacientes do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas.
Por causa do surto, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto da unidade foi temporariamente fechada para novas internações a partir desta terça-feira (10).
De acordo com o hospital, a bactéria é relativamente comum em ambientes hospitalares. No entanto, neste episódio, o controle da disseminação tem sido mais difícil, mesmo com os protocolos de limpeza e segurança adotados (leia mais abaixo).
O que é a bactéria KPC
A KPC faz parte de um grupo de microrganismos que apresentam alta resistência a antibióticos. Por isso, é frequentemente chamada de superbactéria.
Esse tipo de microrganismo produz uma enzima capaz de neutralizar diversos antibióticos, especialmente os mais utilizados no tratamento de infecções bacterianas graves.
No Brasil, a presença da KPC foi identificada no início dos anos 2000. Desde então, surtos são registrados ocasionalmente em hospitais e outras unidades de saúde.
Como a superbactéria surge
Segundo o infectologista Plínio Trabasso, o surgimento dessas bactérias resistentes está relacionado ao uso prolongado de antibióticos potentes em ambientes hospitalares.
“Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado”, explica.
Quais são os sintomas
De acordo com Trabasso, as infecções associadas à KPC podem se manifestar de diferentes formas, sendo as mais comuns:
- Infecção da corrente sanguínea (sepse);
- Pneumonia;
- Infecções do trato respiratório;
- Infecção urinária (menos frequente);
- Infecções em feridas cirúrgicas.
Como ocorre a transmissão
A KPC não representa um grande perigo à sociedade, mas pode agravar a saúde de pacientes hospitalizados com imunidade debilitada, especialmente aqueles internados em UTIs.
A transmissão pode ocorrer:
- Pelo contato com fluidos de pessoas infectadas;
- Por meio de equipamentos hospitalares, como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas;
- Por falhas na higienização e desinfecção de ambientes hospitalares, o que pode gerar a chamada transmissão cruzada entre pacientes;
- Infecções fora do ambiente hospitalar também podem acontecer, mas são consideradas raras.
Como prevenir
O infectologista destaca que medidas simples ajudam a reduzir o risco de transmissão.
Para a população em geral, a recomendação é higienizar as mãos com frequência, utilizando água e sabão ou álcool em gel, especialmente após contato com outras pessoas.
Já para profissionais de saúde, o controle depende do cumprimento rigoroso dos protocolos de higiene e segurança hospitalar.
Medidas para conter o surto no Mário Gatti
Para conter a disseminação da bactéria, a Prefeitura de Campinas informou que os sete pacientes infectados foram isolados em um salão específico da UTI, com uma equipe exclusiva para atendimento.
Os outros 13 pacientes internados em outro setor da UTI serão transferidos para enfermarias que serão temporariamente adaptadas para funcionar como terapia intensiva.
“Isso já foi feito na época da Covid e faremos novamente. Será uma exceção para pacientes que irão para fora do Mário Gatti”, afirmou Andrea Von Zuben, coordenadora do setor de informações da Rede Mário Gatti.
Apesar da suspensão das novas internações na UTI, o hospital continuará atendendo normalmente casos de urgência e emergência. Pacientes que precisarem de terapia intensiva poderão ser encaminhados para outros hospitais da cidade.
Segundo a administração municipal, um plano de contingência foi enviado ao Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) na manhã de segunda-feira (9) e está em análise. As medidas serão mantidas até que o cenário seja considerado estável pelas equipes técnicas.
A rede municipal informou ainda que algumas ações preventivas já estavam sendo adotadas antes da suspensão das internações, como limpezas nos terminais de leitos, intensificação da higienização das mãos e capacitação das equipes de limpeza.
Dificuldade para conter a superbactéria
De acordo com a administração do hospital, neste episódio, o controle da disseminação tem sido mais difícil, mesmo com os protocolos de limpeza e segurança adotados
Sempre que um paciente deixa a Unidade de Terapia Intensiva, o leito passa por um processo chamado limpeza terminal. O procedimento inclui a higienização completa do espaço, abrangendo camas, equipamentos e até paredes.
Neste caso, porém, a medida não foi suficiente para conter a presença da bactéria.
Segundo a unidade de saúde, a KPC continua circulando no ambiente da UTI, o que levou à decisão de suspender temporariamente novas internações, como forma de evitar novos casos de infecção. Andrea Von Zuben explica que a suspensão permitirá uma intervenção mais ampla na unidade.
Com os pacientes já internados sendo remanejados para outros espaços do hospital, a UTI poderá passar por uma limpeza mais profunda, além de pequenas reformas na estrutura. A expectativa da administração é que o setor seja reaberto em até 30 dias.
“A ideia nesse momento é proteger o paciente, interromper a transmissão e só vir a admitir novamente pessoas quando a gente estiver com o ambiente mais seguro. Não quer dizer que não vai mais ter KPC na UTI ou que KPC é uma coisa que vai ser eliminada. Isso não existe. A gente quer voltar à medida de controle, que realmente saiu um pouco do controle”, explica Andrea.
Segundo ela, a principal preocupação da equipe é evitar que pacientes já debilitados sejam expostos à bactéria dentro da própria unidade de terapia intensiva.
“A ideia é proteger os pacientes que vêm para a UTI adulto. Então, o que nós vamos fazer? Nós vamos remanejar os pacientes para a gente conseguir fazer todas as medidas de controle para evitar infecções intra-UTI. O que a gente não deseja é que novos pacientes já fragilizados venham a adquirir a bactéria”, detalhou em entrevista à EPTV.
*Com informações da EPTV Campinas
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