
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse a seus colegas que continua focada em seu trabalho e que os informará primeiro se estiver prestes a se demitir, em uma mensagem que eles interpretaram como significando que ela não está prestes a renunciar, disseram quatro fontes à Reuters.
O Financial Times noticiou na quarta-feira que Lagarde planeja deixar o cargo antes das eleições presidenciais francesas do próximo ano, votação que a extrema-direita eurocética pode vencer.
Uma renúncia antecipada com o objetivo de dar ao atual presidente da França, Emmanuel Macron, uma palavra a dizer na escolha do novo presidente do BCE reacenderia o debate sobre a independência do banco central em relação à política, princípio que tem sido ameaçado nos Estados Unidos pelo ataque do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Federal Reserve.
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Lagarde enviou uma mensagem privada a outras autoridades mais tarde na quarta-feira para tranquilizá-los de que ainda está concentrada em seu papel de liderar a instituição financeira mais importante da Europa e que eles ouviriam dela, e não da imprensa, se ela quiser se demitir, disseram as fontes.
Os destinatários da mensagem disseram que isso provavelmente significa que Lagarde não quer deixar o BCE imediatamente, embora a mensagem não fechasse definitivamente a porta para tal medida.
Algumas autoridades disseram estar surpresas com o fato de já terem surgido especulações sobre o futuro de Lagarde, faltando mais de um ano para as eleições presidenciais francesas de 2027 e o fim do mandato de Lagarde em outubro do próximo ano.
Um porta-voz do BCE se recusou a comentar.
O presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, anunciou na semana passada planos de se aposentar, em uma medida que dá a Macron a chance de escolher o próximo chefe do banco central francês.
Em declarações privadas, as autoridades do BCE afirmaram que a decisão de Villeroy e a mensagem de Lagarde indicam o desejo francês de garantir a escolha de banqueiros centrais competentes e independentes, independentemente de quem vença as eleições presidenciais na França.
O partido francês de extrema-direita Reunião Nacional (RN) condenou as medidas como antidemocráticas.
O presidente francês escolhe o presidente do banco central do país e, como chefe da segunda maior economia da zona do euro, desempenha um papel importante nas negociações mais amplas para selecionar o presidente do BCE.
As pesquisas mostram que a líder de extrema-direita Marine Le Pen ou seu protegido Jordan Bardella podem ganhar a Presidência francesa.
Embora o RN tenha há muito abandonado o apelo para que a França saia do euro, o partido ainda é visto como uma incógnita nos círculos de banqueiros centrais.
Ainda assim, algumas fontes afirmaram que uma eventual decisão de Lagarde de se demitir antecipadamente para privar o sucessor de Macron de ter uma palavra a dizer sobre quem deve liderar o BCE levantaria, por si só, questões sobre a sua independência em relação à política.
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