Conforme antecipado por Quatro Rodas, a Lotus está a caminho do Brasil. A fabricante britânica confirmou o início de suas operações no Brasil por meio da LTS Brasil, empresa que atuará como representante exclusiva e oficial, assumindo integralmente a operação de importação, distribuição, abertura de rede de concessionários, vendas, fornecimento de peças, serviços de pós-venda e garantias.
A operação brasileira nasce sob o comando do empresário e ex-piloto Clemente Faria Junior, que comanda a Bamaq, concessionária de veículos pesados e de carros de luxo, com bandeiras como New Holland, Porsche e Mercedes-Benz, além da GWM. De acordo com o anúncio inicial, a estratégia da importadora envolve a oferta de toda a atual linha da Lotus, além de garantir a chegada simultânea de futuros lançamentos globais.
Os principais carros da Lotus
O portfólio a ser comercializado no Brasil espelhará a atual fase da Lotus. Estão confirmados para o país desde os equipados com os tradicionais motores a combustão até as novas safras de veículos com conjuntos híbridos plug-in (PHEV) e elétricos.

Para os entusiastas, a grande notícia é a vinda do Lotus Emira. Trata-se do último carro da marca movido puramente a combustão e o único Lotus ainda feito na Inglaterra. Ele foi criado para brigar diretamente com o Porsche 718 Cayman, apostando na receita clássica: motor central-traseiro, tração traseira e foco total na conexão com o piloto. No entanto, o Porsche já saiu de linha.
Mecanicamente, o cupê utiliza dois conjuntos conhecidos: um quatro cilindros 2.0 turbo de 365 cv (de origem Mercedes-AMG) com câmbio de dupla embreagem, ou o V6 3.5 com compressor e 406 cv (de origem Toyota), que pode ser acoplado a um câmbio manual. No Brasil, seu preço ficará ao redor de R$ 1 milhão.

Entre os eletrificados, o principal é o Lotus Eletre, um SUV de mais de 5,10 m. O modelo elétrico tem o porte dos Lamborghini Urus e Ferrari Purosangue. Nas versões de topo do elétrico, tem 918 cv e torque que supera os 100 kgfm, permitindo um 0 a 100 km/h na casa dos 2,9 segundos.
Uma carta na manga para o Brasil pode ser a recém-anunciada versão com extensor de autonomia (EREV). Diante da desaceleração global dos elétricos puros, a Lotus reviu sua estratégia e equipou o Eletre com um motor a combustão (um 2.0 de 282 cv conhecido dos Volvo) que atua apenas como gerador, elevando a autonomia para mais de 1.000 km — solução ideal para países continentais, como a China e o Brasil.

A gama deve ser completada pelo Lotus Emeya, um “hiper-GT” de quatro portas. Este sedã utiliza a mesma arquitetura elétrica de 800V do SUV, permitindo recargas ultrarrápidas, e se posiciona como rival direto do Porsche Taycan. Só que o histórico do Taycan dá a letra: carros elétricos de luxo já não fazem sucesso no Brasil.
Nova fase e injeção de capital
A chegada da Lotus ao Brasil reflete o atual momento de expansão e reposicionamento financeiro da marca em escala global. Sediada em Hethel, na Inglaterra, onde foi fundada pelo engenheiro Colin Chapman, a fabricante vivencia um de seus períodos mais ambiciosos desde que passou ao controle do Grupo Geely —conglomerado chinês que também é proprietário da Volvo e parceiro de grandes montadoras, como o Grupo Renault.

A operação da Lotus preencherá a lacuna de “superluxo” no ecossistema da Geely no Brasil. Enquanto a Volvo foca em segurança e eletrificação premium, e a Zeekr ataca com o luxo tecnológico, permitindo que a Lotus torne-se a vitrine de performance e exclusividade. Detalhes sobre a operação e data exata do início das vendas podem ser revelados nos próximos meses.
Isso permitiu à Lotus o acesso a plataformas elétricas de última geração e centros globais de pesquisa e desenvolvimento (P&D), dando musculatura para a marca lançar desde hipercarros elétricos até seu primeiro SUV, rivalizando com montadoras como Porsche e Ferrari.

A filosofia original, de fazer carros com baixo peso e alta eficiência aerodinâmica, pode ter ficado pelo caminho com a introdução dos Lotus eletrificados, mas ainda faz parte da identidade da marca.
No automobilismo, essa busca técnica rendeu 79 vitórias e sete títulos de construtores na Fórmula 1, onde a marca foi pioneira no uso do chassi monocoque e no domínio do “efeito solo”. O DNA esportivo tem profunda relação com a história do Brasil, uma vez que pilotos que se tornariam ídolos nacionais, como Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Nelson Piquet, tiveram passagens históricas e vitoriosas pilotando os carros da construtora britânica.
