
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (20), que está disposto a negociar minerais críticos e comércio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi dada em entrevista ao programa India Today, em Nova Délhi.
“Quero negociar com ele [Donald Trump] a questão dos minerais críticos e terras raras. O Brasil tem muitos, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade”, disse Lula.
“Prefiro negociar de forma soberana que o processo de transformação desses minerais críticos seja processado e exportado no nosso país e não fora. E vamos vendê-los a quem quisermos vender. Não vamos aceitar imposição”, acrescentou.
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Minerais críticos são insumos estratégicos para a economia tecnológica, usados principalmente na fabricação de chips e circuitos eletrônicos. Os depósitos que concentram esses elementos são conhecidos como “terras raras”.
O tema é central na disputa entre Estados Unidos e China, hoje os países com maior investimento tecnológico no setor.
Na entrevista, Lula afirmou ainda que o Brasil quer tratar os Estados Unidos da mesma forma que trata outros países, “sem favoritismos” e com foco na defesa dos interesses nacionais.
O presidente está na Índia desde quarta-feira (18), participando de reuniões e eventos sobre tecnologia, em busca de novos mercados e acordos em áreas estratégicas para o Brasil.
Um dos focos da viagem é justamente um acordo para exploração de minerais críticos. As chancelarias negociam um memorando sobre o tema que deve ser assinado pelos ministérios de Minas e Energia dos dois países.
O Brasil tem a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo e tenta atrair parceiros globais para pesquisa, processamento e refino do material sem se vincular a acordos de exclusividade — como desejam os Estados Unidos.
Novos investidores
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, afirmou que o interesse de empresários indianos no Fórum Empresarial Brasil–Índia, que acontece neste sábado (21), já se aproxima de 600 inscritos, o que deve fazer do evento o maior do terceiro mandato de Lula.
Segundo Viana, o interesse se explica pelo potencial da relação comercial entre os dois países, hoje em torno de US$ 15 bilhões por ano. “Mas é pouquíssimo. Se chegar a US$ 100 bilhões, ainda será pouco”, disse.
Ele avaliou ainda que Brasil e Índia estão “na mesma frequência”, com grande alinhamento de objetivos, principalmente em segurança pública, alimentação, saúde, tecnologia e terras raras.
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