
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai revogar o Decreto nº 12.600, que inclui no Programa Nacional de Desestatização (PND) as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. Na prática, o dispositivo, em vigor desde agosto de 2025, autorizava o governo a realizar a concessão da manutenção da navegabilidade dos rios para a iniciativa privada.
De acordo com Boulos, que concedeu entrevista para a imprensa no Palácio do Planalto ao lado da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a revogação do decreto se deu após pressão feita por povos indígenas que habitam regiões próximas aos rios. Segundo o chefe da Secretaria-Geral, Lula, que está em viagem à Coreia do Sul, conversou com os auxiliares e se mostrou favorável à medida.
E se a Enel deixar suas concessões pelo Brasil? XP traça cenários para setor elétrico
XP avalia que as opções da Enel estão cada vez mais restritas e que o desinvestimento tende a ser a alternativa provável
Lula critica uso do comércio como arma e defende diálogo em fórum na Coreia do Sul
Petista evita citar Trump, mas critica política de tarifas dos EUA e aposta em cooperação para ampliar exportações de carnes e fortalecer cadeias de suprimentos
“O decreto previa estudos técnicos, ambientais, logísticos, para uma inclusão das hidrovias do rio Tapajós, Madeira e Tocantins, no programa de concessões do governo. Os povos indígenas nos trouxeram uma preocupação com os efeitos dessa obra nos seus territórios e essa preocupação foi levada em conta na escuta com esses povos para a decisão de hoje [segunda-feira, 23]”, afirmou Boulos.
Como o Estadão mostrou, representantes do agronegócio brasileiro apontam que rios navegáveis são capazes de reduzir significativamente os custos logísticos e ampliar a eficiência do setor. Alertam, por exemplo, que, quando o escoamento da produção depende exclusivamente do caminhão, o custo sobe exponencialmente.
Sítio arqueológico
Segundo Guajajara, outro ponto que motivou a revogação do decreto foi a existência de um sítio arqueológico que poderia ser afetado pelas ações da iniciativa privada.
Desde janeiro, indígenas ocupam o complexo portuário de Santarém, em Santarém (PA) para protestar contra o decreto do governo federal. Na madrugada de sábado, 21, eles entraram no terminal da Cargill, empresa multinacional do ramo do agronegócio.
The post Lula revogará decreto de concessão de hidrovias amazônicas à iniciativa privada appeared first on InfoMoney.
