
As pesquisas eleitorais mais recentes apontam que a campanha eleitoral de 2026 deve ser marcada pela dificuldade dos pré-candidatos de reduzir rejeição. Em vez de abrir espaço para crescimento consistente, a entrada mais intensa da disputa tende a reforçar desgastes e limitar a capacidade de expansão dos candidatos.
“Eu nunca vi rejeição diminuir. Rejeição continua a mesma ou aumenta”, afirmou Sila Schumann, CEO do Instituto Ideia, no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Segundo Sila, o mesmo movimento pode ser observado nas eleições anteriores. Com o avanço das campanhas, o nível de exposição cresce e, com ele, a intensidade dos ataques entre adversários. O resultado costuma ser a ampliação da rejeição, e não a sua redução, apontou a pesquisadora.
Esse efeito tende a ser ainda mais relevante em um cenário de polarização consolidada, em que grande parte do eleitorado já entra na disputa com posições definidas.
Ataques ampliam desgaste
Com pouco espaço para crescimento orgânico, candidatos recorrem ao confronto direto como estratégia para conter o avanço do adversário, o que, na prática, aumenta o desgaste de todos os lados.
“Se não diminui rejeição, só tende a aumentar, justamente pelos ataques”, afirmou Schumann ao comentar a tendência.
Esse ambiente tende a dificultar movimentos de ampliação de base, especialmente entre eleitores menos alinhados ideologicamente, que passam a enxergar os candidatos, de ambos os lados da disputa, com maior desconfiança.
Para candidaturas que ainda buscam consolidação nacional, o aumento da rejeição pode funcionar como um teto. É o caso, por exemplo, de nomes que carregam associações fortes com governos anteriores ou que ainda não se apresentaram de forma mais completa ao eleitorado.
Nesse contexto, segundo Sila, a rejeição não apenas limita o crescimento, como também redefine a estratégia de campanha. Em vez de conquistar novos eleitores, o foco passa a ser evitar perda de apoio e administrar o desgaste.
Disputa mais travada
O resultado é uma eleição mais travada, em que a margem para viradas significativas diminui. Com rejeições elevadas e eleitorado já dividido, a disputa tende a se concentrar em pequenos movimentos, especialmente entre os eleitores menos engajados.
Além disso, o histórico mostra que rejeição elevada não impede competitividade, mas dificulta a construção de vantagem confortável. Isso torna o cenário mais imprevisível e aumenta o peso de fatores de curto prazo.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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