
A revelação sobre a troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro 2025, ampliou a pressão na Corte, que decide a partir desta sexta-feira se manterá o dono do Banco Master na prisão.
Como mostrou O GLOBO, ministros do STF afirmaram em conversas reservadas que a comunicação entre os dois naquela data é “grave” e “difícil” de explicar. A interlocução entre os dois foi revelada pela colunista Malu Gaspar.
Os integrantes da Corte avaliam que a revelação desgasta a imagem de Moraes, que já vinha sofrendo um abalo desde a revelação de que o escritório de advocacia comandado por sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratado pelo Master — o documento previa o pagamento de R$ 129 milhões no curso de três anos.
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Nesta semana, três meses após a contratação ter vindo à tona, a advogada revelou os detalhes e afirmou em nota que durante o período do contrato, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, produziu 36 pareceres e fez 94 reuniões de trabalho.
Os ministros do STF ponderam, no entanto, que é necessário ter acesso à integra das comunicações para entender o contexto todo da conversa.
Integrantes da Corte mais próximos a Moraes, atual vice-presidente do Supremo, acrescentam que é preciso aguardar se virão novos desdobramentos. Esse grupo pontua, por exemplo, que o teor do que o ministro teria respondido não veio à tona.
Entenda o caso
A colunista Malu Gaspar mostrou que Vorcaro enviou uma série de mensagens a Moraes no dia da operação da Polícia Federal que levou à sua prisão, em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre o banco.
As informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro dava informações ao ministro sobre o avanço das negociações para a venda do Master e sugerem que também falou sobre o inquérito sigiloso que estava em andamento na Justiça Federal de Brasília e o levou à prisão.
Duas vezes, durante o dia, ele pergunta a Moraes se tinha alguma novidade, e ainda questiona: “Conseguiu bloquear?” Há ao todo prints de nove mensagens que mostram uma conversa via WhatsApp entre 7h19m e 20h48m de 17 de novembro — o banqueiro foi preso na noite daquele dia no Aeroporto de Guarulhos. De acordo com a PF, os dois conversavam por meio de anotações no bloco de notas enviadas por WhatsApp como imagens de visualização única.
Moraes negou que tenha recebido as mensagens citadas na reportagem e afirmou que uma análise mostrou que uma análise no material em poder da CPI do INSS mostrou que elas foram direcionadas a outros destinatários.
Diferentemente do material enviado à CPI do INSS, no entanto, o conteúdo a que a colunista Malu Gaspar teve acesso é resultado da extração realizada por um software específico da PF que exibe conjuntamente as mensagens e os arquivos enviados, revertendo, na prática, a visualização única da mensagem.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que a divulgação de informações do celular dele apresenta “conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto”. Os advogados do banqueiro pediram ao STF uma investigação para investigar a divulgação das mensagens. Relator do caso na Corte, o ministro André Mendonça determinou a abertura do inquérito, mas reiterou que o objetivo não é investigar o trabalho da imprensa, que tem o direito do sigilo à fonte protegido pela Constituição.
Crise em andamento
O caso Master provocou uma das maiores crises institucionais do Supremo nos últimos anos, com Moraes e o ministro Dias Toffoli passaram a ter suas condutas ligadas ao caso questionadas. Toffoli, antigo relator do caso na Corte, deixou a função do inquérito no mês passado, após semanas de desgaste para o tribunal. Toffoli adotou uma série de medidas que provocaram contrariedade em investigadores, como escolher os peritos que seriam responsáveis por analisar o material do celular de Vorcaro. O magistrado se declarou suspeito e não vai analisar a prisão do dono do Master.
Ele deixou a relatoria após confirmar que é sócio da Maridt, empresa que vendeu a participação em um resort no Paraná para um fundo ligado ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
A relatoria foi então sorteada para o ministro André Mendonça, que na semana passada decretou a prisão de Vorcaro e outros investigados na terceira fase da operação Compliance Zero. A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo investigadores, o esquema teria usado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez, além de operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. A decisão de Mendonça também cita suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações.
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