Uma nova estratégia para a produção de hidrogênio verde, desenvolvida em uma parceria de pesquisa entre a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a Universidade de Kyushu, no Japão, pode representar um avanço para a sustentabilidade no setor energético a partir do uso de uma microalga.
O estudo, publicado na revista científica “International Journal of Hydrogen Energy”, aponta a possibilidade de multiplicar em até 13 vezes a geração de hidrogênio verde em sistemas movidos a energia solar quando é utilizada a microalga Chlamydomonas reinhardtii no processo.
Considerado um combustível limpo por não emitir CO₂ (gás carbônico) durante sua produção ou consumo, o hidrogênio verde é visto como peça importante na transição energética global e na descarbonização. No entanto, sua produção ainda enfrenta o desafio do alto custo em comparação aos combustíveis fósseis.
Microalga pode reduzir custos
Segundo a pesquisa, o uso da microalga pode ajudar a reduzir esses custos ao substituir reagentes químicos tradicionais, que são mais caros e poluentes.
Os pesquisadores responsáveis destacam ainda que a técnica apresenta potencial de “emissão negativa de CO₂”, já que as algas capturam gás carbônico da atmosfera para realizar seu crescimento e formação de biomassa. Esse processo contribui, segundo o estudo, para a mitigação do aquecimento global.
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Uso industrial
A partir dessa biomassa, o sistema também foi capaz de produzir outros gases de interesse industrial, como metano e monóxido de carbono, em condições controladas. Esses subprodutos, de acordo com a pesquisa, podem ser direcionados para usos industriais, em vez de serem liberados na atmosfera.
No Brasil, a pesquisa foi liderada pelo professor Augusto Ducati Luchessi, coordenador do Laboratório de Biotecnologia BraPhyto, da FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) da Unicamp, em Limeira.
Do lado japonês, o trabalho foi conduzido pelo pesquisador Kaveh Edalati, que também liderou o desenvolvimento de fotocatalisadores de alta performance à base de brookita, uma forma cristalina do dióxido de titânio. Nesse sistema, o material atua sob luz solar em contato com água e biomassa da microalga, favorecendo a produção de hidrogênio.
Quais são os próximos passos da pesquisa?
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores apontam desafios para a aplicação em larga escala. Entre eles estão a necessidade de aumentar a eficiência catalítica do sistema e reduzir os custos do cultivo da biomassa. A proposta é utilizar microalgas que possam crescer em águas residuais ou resíduos industriais, reduzindo a dependência de meios de cultura sintéticos.
Também estão entre os próximos passos o desenvolvimento de métodos que operem em condições químicas mais brandas e estudos sobre o escalonamento de fotobiorreatores de grande porte, além da avaliação completa do ciclo de vida da tecnologia para garantir sua sustentabilidade em todas as etapas.
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