
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou nesta sexta-feira, 6, um recurso da defesa de Filipe Garcia Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), e manteve sua prisão na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. Os advogados haviam solicitado o retorno do custodiado para o Complexo Médico Penal, na Região Metropolitana de Curitiba, mas o pedido foi negado.
Em janeiro, Filipe Martins, que deveria estar detido em Ponta Grossa, cidade onde residia quando foi preso, no Paraná, foi transferido para o presídio de Curitiba, sob alegação de que a unidade da capital paranaense proporcionaria mais segurança ao ex-assessor. Como o deslocamento ocorreu sem autorização do STF, na última terça-feira, 3, Moraes determinou seu retorno à Cadeia Pública Hildebrando de Souza.
As mensagens de Vorcaro a Moraes: o que mostram conversas reveladas em investigação
Troca de mensagens ocorreu horas antes da primeira prisão do banqueiro
Moraes criticou mensagens apagadas por Débora do Batom em voto por condenação
Declaração foi relembrada por perfis bolsonaristas após a informação de que o magistrado teria se comunicado por recado de visualização única com Daniel Vorcaro na data da prisão no ano passado
Filipe Martins estava em prisão domiciliar até 2 de janeiro de 2026, quando Moraes decretou sua prisão preventiva após a identificação de um suposto acesso do investigado à rede social LinkedIn, conduta considerada incompatível com as medidas cautelares impostas pela Corte.
Após audiência de custódia, o ex-assessor de Bolsonaro permaneceu detido na Cadeia Pública de Ponta Grossa até 6 de janeiro, quando foi transferido pela Polícia Penal para Curitiba, sem consulta prévia ao STF.
Segundo o despacho de Moraes, a Coordenação Regional de Ponta Grossa solicitou administrativamente a transferência do ex-assessor para uma “unidade prisional adequada ao seu perfil” porque se tratava de um “preso político”.
A Polícia Penal então efetuou a mudança tendo em vista que “o custodiado possui histórico de exercício em função pública, o que o coloca em condição diferenciada de risco no convívio com a população carcerária comum”. A transferência, no entanto, foi realizada sem a autorização do STF.
Moraes então solicitou explicações sobre o ocorrido, além de requerer que a Cadeia Pública de Ponta Grossa e o Complexo Médico Penal enviassem ao STF um “relatório detalhado sobre as atividades desempenhadas por Filipe Garcia Martis Pereira” desde o dia 2 de janeiro, incluindo “registros de visitas recebidas (com indicação de datas e horários)” e “atendimentos médicos, odontológicos, psicológicos ou de outra natureza”.
Segundo o advogado de Martins, Ricardo Scheiffer, a manifestação do STF foi “desnecessária’, visto que “a movimentação de presos entre unidades é ato administrativo típico da gestão penitenciária estadual, orientado por critérios técnicos de segurança, integridade, logística e adequação do local de custódia”, afirmou ao Estadão.
Outro membro da defesa de Filipe Martins, o advogado e pré-candidato à Câmara Jeffrey Chiquini, em publicação no X, classificou a determinação de Moraes como ilegal e disse que iria recorrer da decisão. Moraes, no entanto, não atendeu ao recurso. Chiquini costuma postar vídeos questionando decisões do ministro nas redes sociais e viraliza entre apoiadores de Bolsonaro.
Filipe Martins foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro de 2025, a 21 anos e seis meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023 para manter Bolsonaro no poder. A decisão ainda não transitou em julgado e, por isso, é passível de recurso.
The post Moraes nega recurso e mantém Filipe Martins na Cadeia Pública de Ponta Grossa appeared first on InfoMoney.
