
O ministro Fernando Haddad afirmou que não mudaria decisões tomadas à frente do Ministério da Fazenda e disse que deve deixar o cargo na próxima semana. Ao fazer um balanço da gestão iniciada em janeiro de 2023, Haddad rebateu críticas à condução da política tributária e sustentou que o governo buscou cobrar impostos de grupos que, segundo ele, estavam fora do alcance da tributação.
“Nós fizemos essas mudanças e, na minha opinião, não faria nada diferente”, afirmou em entrevista ao programa 20 Minutos, do Opera Mundi.
Desde que assumiu a Fazenda, Haddad esteve à frente de frentes centrais da agenda econômica do governo, como o desenho do novo arcabouço fiscal, a condução da reforma tributária sobre o consumo e a renda, e a defesa de medidas para ampliar a arrecadação e buscar o cumprimento das metas fiscais.
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O ministro é alvo de críticas de agentes de mercado por não ter conduzido cortes profundos de gastos na máquina pública, diante da elevação da relação dívida-PIB, que acelerou na gestão Bolsonaro, mas que deu sequência à tendência no governo Lula.
Na entrevista, o ministro disse que a decisão de sair do cargo foi tomada após a piora do cenário político. Segundo ele, a ideia inicial era se dedicar à elaboração do plano de governo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a mudança no ambiente político alterou esse plano.
“Nesses três meses de conversa com ele [Lula], o cenário se complicou. O céu está menos azul do que eu imaginava no final do ano passado. Então, estou conversando com o presidente e devo sair do Ministério na semana que vem”, declarou.
Haddad também indicou confiança na transição no comando da Fazenda. O nome mais cotado para substituí-lo é o do atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Sem fazer uma defesa direta do auxiliar, o ministro disse que deixará o ministério em “boas mãos”.
Haddad não confirmou qual cargo pretende disputar, mas sua saída ocorre em meio ao avanço das articulações para uma candidatura em São Paulo. Nos bastidores, o movimento é tratado como parte da estratégia do PT para ter um nome competitivo no maior colégio eleitoral do país, em uma possível disputa contra o governador Tarcísio de Freitas. Segundo a Reuters, a candidatura será oficializada na próxima quinta (19).
Ao comentar o cenário econômico, Haddad voltou a demonstrar preocupação com o nível dos juros, apesar da desaceleração da inflação. Segundo ele, a reforma tributária, com entrada em vigor prevista para o ano que vem, poderá impulsionar ainda mais a atividade. O Copom decide por um provável corte da Selic na próxima quarta (18).
Sobre a alta do petróleo em meio à guerra no Irã, o ministro disse não ver motivo para grande preocupação. Segundo Haddad, embora a elevação dos preços tenha potencial inflacionário, o movimento também pode ampliar a arrecadação, já que o Brasil é um grande produtor de petróleo. “Até com esse negócio do petróleo você tem um aumento de arrecadação natural, porque o Brasil é um grande produtor de petróleo, então você vai ter aumento da arrecadação por conta disso, naturalmente”, afirmou.
Na quinta-feira, Lula assinou medida provisória que zera PIS e Cofins sobre o diesel, prevê o pagamento de subvenção a produtores e importadores e cria um imposto de exportação sobre petróleo.
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