
“Eu brinco que eu auto me promovi. Não saí da cadeira porque estava cansado, doente ou querendo me aposentar. Saí porque queria ampliar minha capacidade de construir o futuro. A cadeira de CEO é uma adrenalina muito boa, maravilhosa, mas prende você no agora. Te dá pouco espaço para olhar outras coisas. E eu queria trabalhar no que vem depois”. Desta forma, direta e cheia de visão de negócios, o atual VP do Conselho do Grupo Boticário, Artur Grynbaum, explicou a decisão de deixar a cadeira de CEO no auge do crescimento da companhia.
Hoje, em posição no conselho com atuação executiva ampliada, Artur descreveu sua função como complementar à do atual CEO em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, que conta histórias de homens e mulheres por trás das grandes empresas do Brasil.
“Eles tocam o plano de 0 a 3 anos. Eu trabalho do 3 ao 10. Se alguém não provocar o presente, o futuro não chega. Meu papel é desarrumar algumas certezas de hoje para garantir que a empresa exista forte amanhã”, afirma.
A fala revela uma visão rara em ambientes corporativos: a capacidade de abrir mão do posto máximo. E mostra que sair da posição de principal executivo não significou perda de influência. Segundo ele, a mudança ampliou o alcance estratégico.
Esta é a segunda vez que o executivo do Grupo Boticário participou do programa Do Zero ao Topo. Depois de cinco anos, Arthur Grynbaum falou das mudanças na empresa, como sua transição de CEO para o conselho, além de revelar decisões difíceis e o crescimento global.
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Estratégia de crescimento
A transição de cargo também foi planejada com cuidado político e cultural. Artur reconhece que a troca de comando sempre gera tensão interna, mas defende que o sucesso está na clareza de papéis.
A reconfiguração estratégica coincidiu com outro movimento decisivo: a aceleração digital pós-pandemia. Segundo Artur, o período foi um divisor de águas na estrutura do grupo. O dado mais emblemático é o crescimento da área de tecnologia, que saiu de cerca de 300 profissionais antes de 2020 para quase 3.000 pessoas nos anos seguintes.
“A pandemia tirou todo mundo do beta. Não tinha mais espaço para teste. Era vida real. Ou a gente acelerava, ou ficava para trás. A tecnologia deixou de ser suporte e virou espinha dorsal do negócio.”
Ele explica que a mudança não foi apenas quantitativa, mas cultural. Áreas que antes operavam como apoio passaram a ocupar papel estratégico dentro das decisões corporativas.
“Antes, tecnologia era vista como tiradora de pedido. Alguém dizia ‘eu quero isso’ e a área executava. Hoje ela senta na mesa estratégica. A gente tirou essas áreas da cozinha e colocou na sala. Elas passaram a pensar o negócio junto.”
Para Artur, o aprendizado da crise foi definitivo. Empresas grandes só sobrevivem se aprenderem a se reorganizar na velocidade do mundo digital. “O mundo acelerou brutalmente. Não é sobre digitalizar um processo, é sobre mudar a forma de trabalhar. Quem não entende isso acha que tecnologia é ferramenta. Não é. É mentalidade”, diz.
Para saber mais detalhes da trajetória de Arthur Grynbaum no Grupo Boticário, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
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Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.
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