
Astronautas da Nasa estão prontos para decolar nesta quarta-feira (1º) em uma jornada de 10 dias que os lançará em uma trajetória de estilingue ao redor da Lua, marcando o retorno da humanidade à vizinhança lunar pela primeira vez em mais de meio século.
A cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin e instalada no topo do foguete Space Launch System (SLS), fabricado pela Boeing está programada para ser lançada às 18h24, horário local, (19h24, horário de Brasília) do Kennedy Space Center, na Flórida.
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A missão é um ensaio geral crucial, no espaço, para o atrasado foguete SLS e para a cápsula Orion, e representa o maior marco até agora na campanha Artemis, da Nasa, de vários anos, para levar humanos de volta à superfície lunar já em 2028.
Se a missão for lançada dentro do cronograma, a tripulação de quatro pessoas viajará mais longe no espaço do que qualquer outra na história.
As viagens Artemis tentarão repetir, e depois superar, feitos alcançados durante o histórico programa Apollo, que levou Neil Armstrong e outros 11 homens à superfície lunar nas décadas de 1960 e 1970.
Com o programa Artemis — batizado em homenagem à deusa gêmea de Apolo —, a NASA pretende permanecer na Lua em caráter permanente. O administrador da agência indicado pelo presidente Donald Trump, Jared Isaacman, apresentou um plano de US$ 30 bilhões ao longo de uma década para montar uma base lunar onde astronautas possam viver e trabalhar.
Isaacman também acelerou uma reformulação significativa da missão como um todo, incluindo a adição de um teste em 2027 que enviará uma tripulação para acoplar a um dos módulos de pouso lunar em construção pelas empresas SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos.
“Os Estados Unidos nunca mais vão abrir mão da Lua”, disse Isaacman no início deste mês, ao apresentar os planos da base lunar.
A tripulação passará cerca de quatro dias viajando até a vizinhança da Lua, onde fará uma passagem pela face oculta — um ponto de vista que nunca é visto da Terra. Está previsto que realizem um sobrevoo da superfície lunar em 6 de abril.
Se tudo ocorrer conforme planejado, a trajetória levará a nave a apenas cerca de 6.618 quilômetros da Lua em sua maior aproximação, com o astro aparecendo do tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço estendido, na janela da cápsula.
No comando da missão Artemis II, nesta quarta-feira, está o astronauta da Nasa Reid Wiseman, veterano da Marinha por 27 anos e ex-chefe do escritório de astronautas da agência. Voam com ele os astronautas da NASA Victor Glover, piloto da missão, e Christina Koch, especialista de missão que participou da primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. Eles se juntam ao astronauta canadense Jeremy Hansen, que viajará ao espaço pela primeira vez.
Cerca de três horas e meia após o lançamento, Glover manobrará a Orion para se aproximar de uma parte do foguete SLS enquanto estiver em órbita, demonstrando a capacidade de se aproximar com precisão de outra espaçonave. A mesma técnica de aproximação poderá ser usada, no futuro, para acoplar a Orion a módulos de pouso lunar que levarão astronautas até a superfície da Lua.
No segundo dia de voo, a espaçonave Orion acionará seu motor principal, enviando a tripulação em rota para a Lua.
Os Estados Unidos correm para voltar à Lua antes que a China envie seus próprios astronautas para lá pela primeira vez — uma meta que Pequim estabeleceu para antes do fim desta década.
Diversos políticos americanos críticos da China, incluindo o senador Ted Cruz, do Texas, têm apresentado o programa Artemis como uma corrida por uma posição estratégica no espaço, por vezes descrito como o “ponto mais alto” definitivo em caso de guerra.
A China ainda não enviou pessoas à superfície lunar, mas já conquistou vários feitos, incluindo os únicos pousos já realizados no lado oculto da Lua. O país também lidera um projeto para construir uma estação internacional de pesquisa próxima ao polo sul lunar.
A missão Artemis II se destaca por uma série de “primeiras vezes”. Koch será a primeira mulher a voar nas proximidades da Lua, enquanto Glover será o primeiro astronauta negro a fazer o mesmo. Hansen também se tornará o primeiro canadense a voar para a Lua.
A missão marca apenas o segundo voo do foguete SLS, que sofreu anos de atrasos em relação ao cronograma. O foguete e a Orion enfrentaram diversas postergações e estouros de orçamento, o que empurrou para frente todo o programa Artemis.
“A exploração espacial tripulada está no cerne da própria instituição NASA desde a época de Apollo, e também da autoimagem de uma grande parte da agência”, disse Casey Dreier, diretor de política espacial da Planetary Society, uma organização de defesa da exploração espacial.
Depois que a tripulação da Nasa sobrevoar a Lua, a gravidade puxará a nave de volta à Terra.
No décimo dia de missão, a cápsula vai reentrar na atmosfera do planeta e descer sob paraquedas, amerissando no Oceano Pacífico.
Um navio de resgate e uma equipe de mergulhadores da Nasa e da Marinha dos EUA vão se encontrar com a cápsula para retirar a tripulação da água.
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