A confirmação oficial chegou: o Mitsubishi Pajero retornará ao mercado global como o principal utilitário esportivo da marca japonesa. O modelo, que estava ausente das prateleiras em sua forma tradicional, ressurge como um SUV feito sobre chassi de longarinas. E a marca irá além, transformando o nome em uma nova linha de veículos, que foi confirmada para o Brasil.
Os planos foram revelados pela fabricante em uma apresentação global para investidores. A meta é lançar 13 modelos mundialmente até 2031, entre eles cinco SUVs, uma minivan e uma picape como parte do chamado “grupo de produtos off-road”. Destes, três dos cinco utilitários serão da família Pajero.
Em um dos momentos da apresentação, a Mitsubishi falou do Brasil, citando a força da marca criada pelos rallies e outros eventos feitos com proprietários e também que fará uma sequência de lançamentos de veículos off-road “liderados pela linha do Novo Pajero”.
A decisão de reviver o utilitário faz sentido sob a ótica de escala global e compartilhamento de custos. Em vez de desenvolver uma plataforma monobloco do zero, a marca utilizará a arquitetura da picape Triton. Isso garante maior capacidade no fora de estrada, mas impõe concessões naturais em dinâmica de asfalto. A produção ficará concentrada na Tailândia, hub global da fabricante para veículos comerciais e SUVs pesados.
As mudanças mecânicas sugerem um retorno às origens. Imagens de flagrantes recentes mostram que o utilitário abandonará a suspensão traseira independente, adotada nas duas últimas gerações, retornando ao eixo rígido na traseira. É uma configuração que o carro não utilizava desde a sua segunda geração. A troca favorece a robustez para uso severo, porém exigirá um trabalho de calibração apurado para não penalizar o conforto dos ocupantes na rodovia.
O que a Mitsubishi ainda não falou é se repetirá a fórmula da última geração do Pajero, usando uma construção monobloco integrada ao chassi de longarinas, ou se voltará ao estilo de carroceria sobre chassi como nos primeiros modelos.

Para contrabalancear a construção mais rústica, o pacote de tecnologia embarcada herda os sistemas mais recentes apresentados na picape. O conjunto inclui o sistema de tração Super Select 4WD-II, que permite rodar com tração nas quatro rodas engatada em vias pavimentadas, além de um seletor de modos de condução. O pacote integrará assistentes avançados de condução (ADAS), adequando o modelo ao atual patamar de segurança da categoria.
A montagem na Tailândia indica o favorecimento de motores a diesel para mercados chave da Ásia, Oceania e América do Sul. A imprensa internacional cita a previsão de variantes a gasolina para algumas regiões e eventuais configurações híbridas que ainda correm em segredo. Para o mercado brasileiro, o utilitário deverá continuar a usar um motor diesel, enquadrando-se para roubar clientes de rivais como o Toyota SW4 e o Chevrolet Trailblazer. Alguns mercados inclusive terão uma motorização híbrida, como é o caso do Oriente Médio.
