
Veja abaixo o que sabemos após a dramática reviravolta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de terça-feira, sobre suas ameaças de atacar a infraestrutura civil do Irã.
HÁ DE FATO CESSAR-FOGO?
Não está claro.
O Irã e os EUA concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, mas combates ainda estavam ocorrendo nesta quarta-feira.
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Israel lançou seus maiores ataques até agora no Líbano, tendo como alvo a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, destruindo prédios e matando dezenas de pessoas sem aviso prévio, de acordo com as autoridades libanesas.
O Irã disse que estava considerando ataques contra Israel em resposta.
O Irã também atacou instalações de petróleo nos países vizinhos do Golfo Pérsico, incluindo um enorme oleoduto na Arábia Saudita que tem sido usado para contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz, de acordo com uma fonte do setor petrolífero.
Kuweit, Barein e Emirados Árabes Unidos também relataram ataques com mísseis e drones.
Os EUA disseram que interromperam seus ataques ao Irã, mas estão prontos para retomar os combates se os esforços para alcançar uma paz mais duradoura fracassarem.
O ESTREITO DE ORMUZ ESTÁ ABERTO?
Ainda não.
A TV estatal iraniana disse que uma primeira embarcação havia navegado pelo ponto de estrangulamento global de petróleo com a permissão de Teerã após o cessar-fogo, mas fontes de navegação disseram que a marinha iraniana estava ameaçando os navios com destruição caso tentassem passar.
O Irã pode suspender seu bloqueio na quinta ou sexta-feira antes das negociações de paz, de acordo com uma autoridade iraniana sênior, mas os navios ainda precisariam da permissão de Teerã para passar.
Trump disse que o cessar-fogo de duas semanas exige que o Irã abra o estreito, mas o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã disse que Washington havia concordado, em princípio, com a continuidade do controle iraniano.
Dados de tráfego marítimo mostraram que duas embarcações de propriedade grega e um graneleiro chinês passaram pelo estreito desde o início da quarta-feira. O Irã já havia feito acordos de passagem segura com vários países, incluindo Índia e Iraque. A transportadora alemã Hapag-Lloyd disse que pode levar pelo menos seis semanas para que o tráfego retorne aos níveis anteriores à guerra.
OS PREÇOS DO PETRÓLEO ESTÃO CAINDO?
Sim.
Os preços do petróleo caíram para menos de US$100 por barril após o anúncio do cessar-fogo, à medida que os investidores antecipavam que os 20% da oferta mundial que haviam sido restringidos pelo conflito poderiam voltar a estar disponíveis.
Essa é uma queda drástica em relação aos preços que chegaram a US$118 por barril no final de março, mas ainda bem acima dos níveis anteriores à guerra.
O petróleo Brent, a referência internacional, estava sendo negociado a US$94 por barril nesta quarta-feira, em comparação com US$70,75 antes do início do conflito em 28 de fevereiro. O benchmark norte-americano West Texas Intermediate estava sendo negociado a US$95, comparado a US$65 antes da guerra.
Esses preços, é claro, podem subir novamente se os combates forem retomados ou se o Irã mantiver seu bloqueio.
A guerra também danificou as instalações de petróleo na região, o que pode dificultar o retorno ao nível de produção anterior à guerra.
De forma mais ampla, a incerteza sobre futuras interrupções também pode manter os preços elevados, de acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA.
AS NEGOCIAÇÕES DE PAZ SERÃO BEM-SUCEDIDAS?
Isso não está claro.
Tanto o Irã quanto os EUA estão reivindicando vitória por enquanto, mas eles entram nas negociações de paz com agendas totalmente diferentes.
O Irã exige o fim de todos os combates na região, inclusive no Líbano; a retirada de todas as forças dos EUA da região; o levantamento das sanções internacionais; o direito de continuar a enriquecer urânio; e o controle contínuo sobre o estreito.
Os EUA, por sua vez, pedem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio e remova seus estoques existentes; restrinja seu programa de mísseis balísticos; e corte o financiamento para aliados regionais, entre outras exigências.
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