Desde que iniciou a operação no Brasil, em abril do ano passado, a Omoda & Jaecoo vinha com um bom ritmo de vendas baseado no Jaecoo 7, um SUV médio híbrido plug-in, que comercializou 4.233 unidades até o encerramento de 2025. Enquanto isso, a outra metade da marca estava bem apagada, com o SUV cupê elétrico Omoda E5, emplacando 738 veículos no mesmo período.
Para mudar este cenário e tornar a Omoda mais conhecida, a empresa começou a vender o Omoda 5 na variante com motor a combustão e um sistema híbrido pleno (HEV), que chegou às lojas em outubro passado em duas versões: Luxury, por R$ 159.990; e Prestige, por R$ 184.990. Parece ter dado certo: só nos últimos três meses de 2025, foram vendidas 1.371 só das versões HEV.
Independentemente de outros atrativos do carro, é com esses preços principalmente que a marca espera fazer sucesso. Se desconsiderarmos os automóveis com um sistema híbrido leve (como os Fiat Pulse e Fastback), o Omoda 5 torna-se o carro híbrido mais barato do Brasil. É um argumento forte e que deu certo para outras marcas, como a BYD, na hora de se estabelecer com a linha inicial de elétricos e híbridos.

Mesmo a versão topo de linha Prestige está em uma faixa de valores que não só faz com que o modelo seja mais barato que os SUVs médios de entrada do mercado, como Jeep Compass Sport (R$ 174.990) e Toyota Corolla Cross XR (R$ 190.490), como também custe menos que as configurações topo de linha dos SUVs compactos.
Um VW T-Cross Extreme é vendido por R$ 203.990, enquanto o Hyundai Creta N Line (que passa a ser a nova versão de topo na linha 2027, com ajustes no motor) sai por R$ 206.990.

Posicionar-se dessa forma tem suas vantagens. O Omoda 5 tem um porte de SUV médio, com 4,45 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,59 m de altura e um entre-eixos de 2,61 m. Para efeito de comparação, o Compass mede 4,40 m, enquanto o Corolla Cross tem 4,46 m.
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Sua carroceria em forma de cupê pode ser atraente, mas tem os seus problemas. O caimento do teto diminui a área para cabeça para 94 centímetros do banco traseiro ao teto, e para 90,5 cm no caso dos assentos dianteiros. O porta-malas também é penalizado, com 372 litros de capacidade, medida que o deixa mais próximo do VW T-Cross (373 l) do que do Compass (410 l).

Pode perder em espaço, mas não deve na qualidade, combinando peças emborrachadas nas portas e imitação de couro nos bancos e volante. Há uma sobriedade no design, sem os exageros e as firulas de outras marcas chinesas. O estilo é bem reconhecível para quem entrou nos últimos lançamentos da Caoa Chery, como Tiggo 8 PHEV, inclusive no uso de duas telas de 12,3” posicionadas lado a lado.

A versão Prestige se diferencia pelos bancos dianteiros com ajuste elétrico e ventilação, tampa do porta-malas com abertura elétrica, vidros dianteiros com isolamento acústico, sistema de som da Sony com oito alto-falantes, sensor de chuva e carregador por indução para smartphones.
O pacote ADAS também é exclusivo, adicionando itens como piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, sensor de ponto cego e assistente de faixa.

Os sete airbags, conexão Android Auto e Apple CarPlay sem fio, câmera 360o, sensor de estacionamento, ar-condicionado digital bizona, faróis full-led e o freio de estacionamento eletrônico são de série.
A equipe de engenharia fez um bom trabalho de adaptação no Omoda 5. A suspensão multilink ficou mais firme para o Brasil, absorvendo bem os problemas do asfalto ruim. O único defeito nesta área é que, como o SUV tem apenas 14,5 cm de altura em relação ao solo, o motorista tem que tomar cuidado para não raspar o assoalho ou os para-choques.

Sob o capô está o grande trunfo do Omoda 5, um sistema híbrido pleno que combina o motor 1.5 turbo de 135 cv e 20,4 kgfm a um propulsor elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm, entregando uma potência combinada de 224 cv e 30,1 kgfm. A programação faz com que priorize o uso do motor elétrico a maior parte do tempo, usando a unidade a combustão para carregar a bateria de 1,83 kWh e dar uma força nas acelerações, motivo pelo qual o utilitário esportivo vai de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos.

A força elétrica ajuda muito o carro nas retomadas, principalmente de 40 a 80 km/h, precisando de apenas 3,7 s. Mesmo a medida de 80 a 120 km/h é baixa, marcando 6 s.
Na pista de testes, o SUV registrou uma média de 14 km/l. Dirigindo com cuidado, é normal ultrapassar este valor – ao longo da avaliação, a medição do computador de bordo chegou a marcar 22 km/l de média.

Atualmente, é difícil encontrar um carro nessa faixa de preço que entregue tantos equipamentos e que ainda tenha uma motorização híbrida. Esta é a chance de o Omoda 5 se estabelecer como um nome forte no mercado, antes que os outros chineses resolvam entrar no segmento.
Veredicto Quatro Rodas
Bem preparado para o Brasil, o Omoda 5 Prestige é completo, com um preço agressivo e muita tecnologia para colocar a marca entre as chinesas mais vendidas.

Ficha Técnica
Motor: gasolina, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1.499 cm³, 135 cv a 5.200 rpm, 20,4 kgfm a 2.500 rpm; elétrico, diant., 204 cv, 31,6 kgfm; combinados, 224 cv, 30,1 kgfm
Câmbio: automático CVT, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), multilink (traseiro)
Freios: disco ventilado (dianteiro), disco sólido (traseiro)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: liga leve, 215/55 R18
Dimensões: comprimento 4,45 m, largura 1,82 m, altura 1,59 m, entre-eixos 2,61 m, peso 1.546 kg, porta-malas 372 litros; tanque 44 litros
Teste de Desempenho Quatro Rodas
Aceleração
- 0 a 100 km/h: 8,2 s
- 0 a 1.000 m: 30,60 s / 163 km/h
- Velocidade máxima: n/d
Retomadas
- 40 a 80 km/h: 3,7 s
- 60 a 100 km/h: 4,4 s
- 80 a 120 km/h: 6,1 s
Frenagens
- 60 km/h a 0: 14,2 m
- 80 km/h a 0: 24,5 m
- 100 km/h a 0: 38,9 m
- 120 km/h a 0: 55,2 m
Consumo
- Urbano: 14,1 km/l
- Rodoviário: 14,0 km/l
Ruído interno
- Neutro / RPM máx.: –
- 80 km/h: 65,2 dBA
- 120 km/h: 70,3 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: não aplicável
Volante: 2,5 voltas
Seu bolso
- Preço básico: R$ 184.990
- Garantia: 7 anos
