
O prefeito do Rio e futuro candidato a governador, Eduardo Paes (PSD), consolidou o apoio do MDB para a eleição de outubro. Nesta quinta-feira (19), o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, participará de um ato ao lado de quadros estaduais da legenda e do próprio Paes a fim de encaminhar a aliança e indicar um nome para a vice da chapa.
Depois de conversas entre Paes e o chefe estadual do MDB, Washington Reis, ficou definida a indicação de uma irmã dele, Jane Reis, advogada ligada à Assembleia de Deus e com atuação em projetos sociais na Baixada Fluminense. A família está à frente de Duque de Caxias, município com o segundo maior colégio eleitoral do estado. Junto com o fator regional, o viés religioso é considerado o principal ativo da parceria.
Paes e o dirigente estadual do PSD, Pedro Paulo, visitaram Reis logo depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou novamente, com pedido de vista do ministro Luiz Fux, a análise do processo contra o ex-prefeito de Caxias que o deixou inelegível por crime ambiental. Diante da constatação de que não conseguiria estar nas urnas este ano, ele se apressou e fechou o acordo com o prefeito da capital.
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— Vamos indicar a vice amanhã. Paes quer uma mulher — confirma Washington.
Antes do nome de Jane entrar na roda, o emedebista sugeriu outro irmão, o deputado estadual Rosenverg Reis, mas o prefeito manifestou a preferência por uma mulher, apesar de os cotados até então para o posto — filiados a partidos diferentes — serem homens.
Além da família Reis, Paes vinha conversando com outros quadros do MDB, como o ex-ministro e hoje secretário nacional de saneamento, Leonardo Picciani, e o líder do partido na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões, para buscar o apoio. Aos olhos da direção nacional da legenda, a aliança é vantajosa para impulsionar uma boa nominata de deputados.
O pré-candidato ao governo sempre teve o PP como a sigla a ser conquistada para oferecer a vice, dada a capilaridade do partido no estado — é o segundo com maior número de prefeituras, atrás apenas do PL. Pesa contra, no entanto, o fato de o União Brasil comandar no Rio a federação que os partidos tendem a formar, o que dificulta acertos antecipados entre PSD e PP.
Washington Reis é um dos quadros que a família Bolsonaro mais prestigia no Rio. A entrada do grupo político do ex-prefeito ajuda, segundo interlocutores, a “alargar” a chapa de Paes, que tem medo de ser muito associado ao presidente Lula (PT) num estado que se mostra refratário ao petista.
Paes foi filiado ao MDB por dez anos, entre 2007 e 2017. Elegeu-se duas vezes prefeito pela sigla. Saiu depois do baque da Lava-Jato, que devastou quase todos os figurões emedebistas no Rio, sobretudo o ex-governador Sérgio Cabral.
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