
O prefeito Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo do estado, subiu o tom nesta quinta-feira às críticas que fez ao governador Cláudio Castro e ao secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, por conta do episódio da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) na manhã de quarta-feira. Paes chegou a chamar Castro de ”delinquente” e ”frouxo”. E fez um desafio para que o governador defenda em público ex-secretários da equipe dele presos nos últimos anos por envolvimento em atividades criminosas.
— Quero fazer um desafio ao governador: Cláudio Castro, comente a prisão de seus cinco secretários detidos nos últimos anos. Defenda-os ou acuse-os. Eu estou defendendo aqui nesse momento o Salvino. Tenha essa coragem. Nesse caso, falo do Cláudio Castro e do grupo político dele — disse. — Sem querer tirar vantagem política, eu tenho muito mais respeito que esse delinquente do Cláudio Castro nas instâncias federais, no Poder Judiciário. E vou utilizá-lo para defender não meus interesses, mas a política do Rio de Janeiro.
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Paes referia-se à decisão de seu partido, por meio do deputado federal Pedro Paulo, de acionar o Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal sobre suposto uso político da Polícia Civil para prender Salvino.
As declarações foram dadas no Palácio da Cidade (Botafogo), nesta quinta-feira, em cerimônia para assinatura dos dois primeiros lotes da concessão das linhas de ônibus da cidade, que vão atender à Zona Oeste da cidade.
Em nota, o Palácio Guanabara respondeu às críticas de Paes, afirmando que a prisão de Salvino seguiu critérios técnicos. ”A análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão de Justiça. (…) O governo do estado estranha que o prefeito esteja tentando politizar a investigação feita de forma totalmente legal”.
Em relação às críticas à Polícia Civil, o Palácio disse que o órgão atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há suspeitas de ligações entre agentes públicos e facções criminosas (veja a nota na íntegra no fim da matéria).
— Até me apresentarem provas, vou continuar defendendo Salvino. Ele se autointitula cria da Cidade de Deus. Eu sou cria do Jardim Botânico, de uma família de classe média do Rio de Janeiro. Alguém aqui é cria do Complexo da Penha, de Bangu, Campo Grande, Santa Cruz. Qual é o problema? Se querem me atingir, venham para cima de mim, o político experiente, não a honra de um jovem vereador. Tomem vergonha na cara de vocês — disse Paes.
Na entrevista, Paes relembrou ainda episódios envolvendo o alto escalão do estado nos últimos anos. Um dos citados foi o ex-secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro. Ele foi preso em 2021 em uma operação da Polícia Federal que investigava indícios de acordos entre a cúpula da Seap e o Comando Vermelho. Raphael foi acusado de procurar o traficante Marcinho VP em um presídio federal para negociar uma ”trégua” com as autoridades estaduais.
O prefeito recordou ainda a investigação da Polícia Federal que mostrou que o mesmo Raphael esteve envolvido na libertação irregular do traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, em julho de 2021. Na saída do presídio Vicente Piragibe, no Complexo de Bangu, Abelha cumprimentou o então secretário.
— Essa semana mesmo voltou a ser emitida uma ordem de prisão contra o ex-secretário de Esportes e Lazer (Alessandro Carracena, que está preso desde o ano passado) com o Comando Vermelho. Cadê os comentários, Cláudio Castro?
Paes criticou também a gestão de Castro na Educação:
— A manutenção das escolas do Estado é vergonhosa. Roubalheira nas escolas. São ladrões, bandidos mafiosos do governo Claudio Castro que vão cair quando perderem as imunidades. A gente vai ver isso. São vários casos: pegaram o dinheiro da previdência dos servidores e aplicaram no Banco Master sabendo que aquilo iria virar pó — acusou Paes.
Paes voltou a criticar a política de segurança do estado, afirmando que a atual gestão tem oito anos e não conseguiu resolver a questão do domínio do Comando Vermelho sobre comunidades.
A nota do Palácio Guanabara:
“A investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.
O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há ininclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança”.
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