O avanço de pesquisas conduzidas pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em parceria com o Ministério da Justiça tem ampliado a identificação das NSP (Novas Substâncias Psicoativas), drogas sintéticas que escapam dos controles legais. Firmado em 2022, o convênio entre a universidade e a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos) criou um projeto que reúne e analisa informações sobre intoxicações por drogas.
Intitulada Projeto Baco, a iniciativa avalia o uso de NSP em festas e festivais, e integra dados de atendimentos de emergência na Região Metropolitana de Campinas. A ideia é que estes dados sirvam como base para a organização de campanhas de prevenção e orientação de sintomas de alarme.
O que são as NSP?
Criadas a partir de pequenas alterações químicas em substâncias já conhecidas, as NSP podem ter alto potencial tóxico e representam um risco adicional: muitas vezes, os usuários não sabem exatamente o que estão consumindo, o que dificulta o atendimento médico em casos de intoxicação.
Investimento em pesquisa possibilitou descoberta de nova droga
Foram os investimentos nas pesquisas realizadas pela a Unicamp e a Senad, que revelaram a chegada de uma nova droga no Brasil, em julho de 2025. Na época, um paciente deu entrada no Hospital de Clínicas em estado grave, após ingerir um comprimido que acreditava ser estimulante.
Porém, exames realizados pelo Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica), ligado à FCF (Faculdade de Ciências Médicas), identificaram a presença de uma substância até então inédita no país: o N-pirrolidino protonitazeno, um opióide sintético altamente tóxico.
“A sorte é que o plantonista que o atendeu no HC é médico do Ciatox e identificou os efeitos de um opióide”, afirma José Luiz da Costa, professor da FCF e coordenador-executivo do Ciatox.
Drogas que driblam a legislação
Diferente das drogas tradicionais, que constam em convenções internacionais, as NSP ficam fora das listas de controle. Além disso, muitas são produzidas no Sudeste asiático e vendidas pela internet, o que facilita a disseminação.
“As pessoas as consomem para fins recreativos de forma indiscriminada até o momento em que elas são incluídas em algum tipo de controle internacional”, explica José Luiz da Costa. Segundo ele, quando passam a ser proibidas, essas substâncias costumam ser modificadas quimicamente para escapar novamente da legislação. “É um mercado muito dinâmico”, afirma.
Entre os exemplos estão as catinonas sintéticas, com efeito estimulante, e os canabinoides sintéticos, que imitam o THC. Atualmente, existem cerca de 200 variações desse último grupo. “Estamos na sétima geração de grupos diferentes dos canabinoides sintéticos”, comenta o professor.
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Pesquisa vai até onde o consumo acontece
Para tentar antecipar tendências e reduzir riscos, os pesquisadores decidiram ir além dos laboratórios. Com isso, festas de música eletrônica, onde o consumo dessas substâncias é mais comum, se tornaram pontos estratégicos para a coleta de dados.
“Em festas desse tipo, é comum encontrarmos pessoas interessadas em conhecer as substâncias e seus efeitos. São eventos com estandes informativos, para que as pessoas tenham conhecimento”, conta Náthaly Bueno, pesquisadora de doutorado ligada ao programa de pós-graduação em Farmacologia e ao Ciatox.
Entre 2023 e 2025, o projeto esteve em 14 eventos em diferentes estados. Em São Paulo, os pesquisadores marcaram presença em eventos em Campinas, Araraquara, Assis, Hortolândia, Mairiporã, São José dos Campos, Sorocaba e Taquaritinga.
Ao todo, foram coletadas 1.565 amostras de saliva de forma voluntária e anônima, além de informações sobre o perfil dos participantes.
Os dados mostraram um cenário de consumo frequente. Mais de 70% dos participantes relataram uso de substâncias ilícitas, e a maioria afirmou ter consumido drogas nos três meses anteriores à coleta. O panorama evidencia o desafio enfrentado por profissionais de saúde e autoridades ao lidar com substâncias em constante transformação.
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