
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na semana passada, evidencia o desafio enfrentado por governadores — tanto os que tentam a reeleição quanto os que querem fazer um sucessor. Dos dez estados mensurados, o resultado se mostra desafiador para a continuidade das gestões em ao menos oito : Rio, Minas, Pernambuco, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará. As exceções são São Paulo, que tem Tarcísio de Freitas (Republicanos) em liderança confortável, e Goiás, onde o vice do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) lidera em todos os cenários.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO ponderam que lideranças pouco conhecidas associadas aos governadores tendem a ganhar projeção com o início da campanha, mas pontuam que a transferência automática de apoio vem perdendo força nas eleições mais recentes.
Em Minas, onde Romeu Zema (Novo) deixou o Palácio da Liberdade para disputar a Presidência da República, há dificuldade de ele alavancar o sucessor, o agora governador Mateus Simões (PSD), que busca ganhar visibilidade após cumprir o mandato quase completo como vice. A pesquisa aponta Simões, numericamente, na quarta colocação, com 4% das intenções de voto.
O levantamento mostra na liderança em todos os cenários de primeiro e segundo turno um político que sequer decidiu se será candidato: o senador Cleitinho (Republicanos). Ele é seguido pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB) e por Ben Mendes (Missão) — esse último numericamente empatado com Simões.
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que chegou a ser cogitado como o nome de seu partido para tentar o Planalto, mas optou por concluir o mandato para apoiar o sucessor, enfrenta cenário semelhante. Seu correligionário e ex-secretário de Infraestrutura Sandro Alex aparece na quarta posição nos cenários de primeiro turno, variando entre 5% e 6% — atrás do senador Sergio Moro (PL), que está na dianteira, do deputado estadual Requião Filho (PDT) e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).
Eleitor volátil
Outro governador que estava na lista do PSD como opção presidenciável, Eduardo Leite (PSD) apoia o vice Gabriel Souza (MDB), que aparece com apenas 6% das intenções de voto no Rio Grande do Sul no primeiro turno. Ele está atrás da ex-deputada Juliana Brizola (PDT), com 24%, e do deputado federal Luciano Zucco (PL).
Cientista político da UnB, Murilo Medeiros aponta que candidatos governistas costumam crescer durante a campanha, quando entram a estrutura da máquina, a força das alianças e a maior exposição pública. Medeiros ressalta, contudo, que “transformar o apoio do governo em ativo eleitoral não é garantido”:
— Temos hoje um eleitorado muito mais volátil e menos fiel a padrinhos políticos. O voto está mais individualizado. Ratinho Junior e Eduardo Leite, por exemplo, mesmo permanecendo à frente dos governos estaduais, ainda não foram capazes de impulsionar seus sucessores. São casos de lideranças que herdam a máquina, mas não necessariamente o capital político dos governadores.
A situação também é desfavorável para o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, escolhido pelo PL para disputar a sucessão do ex-governador Cláudio Castro (PL). Em meio à vacância de poder no estado, que é atualmente governado interinamente por Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) desponta como favorito.
Nos três cenários testados de primeiro turno no Rio, Paes marca de 34% a 40% das intenções de voto, enquanto Ruas tem entre 9% e 11%. Já a simulação de segundo turno mostra o ex-prefeito com 49%, contra 16% do bolsonarista.
No Pará, a pesquisa mostra um cenário dividido. O ex-prefeito de Ananindeua Dr. Daniel Santos (Podemos) marca entre 22% e 24% nos cenários de primeiro turno. A governadora Hana Ghassan (MDB), que assumiu após Helder Barbalho (MDB) deixar o posto para disputar o Senado, aparece empatada tecnicamente, variando entre 19% e 22%. Santos mantém a vantagem numérica no cenário de segundo turno (34% contra 29%).
Desafio para reeleição
A conquista da reeleição também se mostra um desafio no Nordeste. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), está atrás do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). O aliado do presidente Lula aparece com 42% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, enquanto a atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas chega a 34%. O filho do ex-governador Eduardo Campos também lidera no segundo turno (46% contra 38%).
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) aparece numericamente atrás do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), considerando a margem de erro — 41% contra 37% no primeiro turno. Quando considerada a simulação do segundo turno, o representante do carlismo aparece com 41% das intenções de voto, e o petista marca 38%.
Situação parecida ocorre no Ceará, onde a oposição tem vantagem contra o atual governador Elmano de Freitas (PT). O petista marca 32% na simulação de primeiro turno, contra 41% do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) , que também lidera em um eventual segundo turno (46% contra 35%).
O cientista político Antônio Lavareda avalia que os cenários, até aqui desfavoráveis para os governadores que buscam a reeleição ou aliados, resultam do “currículo” político” dos rivais.
— Historicamente, ex-prefeitos de capitais fazem parte de uma categoria que costuma eleger um bom número de governadores. Isso traz impacto na disputa de Pernambuco e Bahia. Já no caso do Ceará, o governador aparece atrás de um candidato que já foi prefeito de Fortaleza, governador e ministro. Um nome com prestígio consolidado no estado — opina.
Na contramão, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece em uma posição de liderança. Ele marca entre 38% e 40% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno, contra os 26% a 28% conquistados pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). A distância cresce na simulação de segundo turno: 49% contra 32%.
E em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB), que assumiu a cadeira após Ronaldo Caiado deixar o posto para disputar a Presidência, é líder na corrida. Vilela aparece com 33% a 34% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno, seguido por Marconi Perillo (PSDB), ex-governador, que marca 21%. A vantagem é ainda maior em um eventual embate direto de segundo turno: 46% contra 27%.
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