As aves são os animais silvestres mais apreendidos pela Polícia Militar Ambiental em quatro das cinco maiores cidades da região de Campinas. De acordo com a corporação, o dado é um reflexo do cenário observado em todo estado de São Paulo, onde nove em cada dez animais resgatados em ações de combate ao tráfico e à criação ilegal pertencem a esse grupo.
Entre janeiro de 2023 e abril deste ano, mais de 43 mil animais silvestres foram apreendidos no estado, sendo que cerca de 90% deles eram aves. Ao todo, a Polícia Ambiental registrou 488 espécies diferentes entre os animais encontrados em situações irregulares.
Aves lideram apreensões na região
Na região, as aves lideram as apreensões em quatro cidades. Em Campinas, o pássaro trinca-ferro está no topo da lista com 172 registros. Por sua vez, o pássaro azulão lidera o ranking de apreensões em Indaiatuba, com 53 animais resgatados.
Já em Limeira, o canário-da-terra, é o animal mais apreendido da cidade, somando 40 apreensões. Em Sumaré, a ave também está no topo da lista do município, com 36 resgates.
Enquanto isso, Piracicaba é a única cidade da região onde as aves não lideram o ranking. No município, o jabuti-piranga é o animal mais apreendido, seguido do canário-da-terra, com 42 apreensões.

Segundo a Polícia Ambiental, a predominância dos pássaros está diretamente ligada à forte demanda do mercado clandestino. Isso porque aproximadamente 80% dos animais apreendidos são considerados aves de canto, característica que desperta o interesse de criadores ilegais, compradores e traficantes.
Em entrevista à EPTV Campinas, a bióloga Giulia Verdini explicou que muitos animais são resgatados com fome e com as asas quebradas.
“Eles normalmente chegam já em gaiolas. Então, as gaiolas são muito sujas, com fezes, alimentação errada e muitas vezes eles chegam sem alimentação também. A maioria das vezes estão com as asas todas quebradas, são animais que estão muito acostumados com as pessoas também”, explicou.
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O que acontece com as aves apreendidas?
As aves que são apreendidas são encaminhadas para uma área de quarentena da Associação Mata Ciliar, em Jundiaí. No local, os animais são testados para doenças e passam por um tratamento de cerca de 30 dias.
“Depois do teste dar negativo, esses animais vão descer para o setor clínico e nesse setor clínico a gente monta grupos para uma reabilitação. Para conseguirem musculatura, dependendo do tempo da gaiola, eles vão precisar de mais tempo no recinto para exibirem essa musculatura”, disse Giulia Verdini.
Ainda segundo a bióloga, muitas aves apresentam até mesmo dificuldade para voar. Mesmo assim, muitos animais conseguem se recuperar e voltar à natureza.
“A gente tem que observar mesmo por indivíduos, né? Então, aqueles indivíduos que estão há menos tempo em gaiola, eles vão ser habilitados mais rápido. Eles vão responder aos estímulos mais rápido e eles vão se soltar mais rápido”, disse.
Quanto pode valer uma ave silvestre?
O valor movimentado pelo mercado clandestino pode ser alto. De acordo com a Polícia Ambiental, um único exemplar de trinca-ferro pode alcançar um valor entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, dependendo do canto apresentado pela ave.
Além dos prejuízos à biodiversidade, o tráfico de animais silvestres é apontado pelas autoridades como uma atividade que contribui para o financiamento de organizações criminosas.
A Polícia Ambiental alerta que manter, comprar, vender ou transportar animais silvestres sem autorização é crime. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, pelo Disque-Denúncia 181 ou pelos canais ambientais do Governo do Estado de São Paulo.
*Com informações da EPTV Campinas
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