Marcelo Augusto Braga, Guarulhos (SP)
Esse fenômeno é comum e tem até nome: torque steer, ou esterçamento involuntário. Não é um defeito, apesar de ser agravado quando o veículo não está com a manutenção em dia, mas sim uma característica mecânica, sendo mais perceptível em carros de tração dianteira e com potência e torque elevados.
Longe de ser um defeito de fábrica, o comportamento dinâmico é uma característica inerente à construção do sistema de transmissão. A força motriz reage de forma imediata com a geometria da suspensão e altera a trajetória original.
Segundo Mário Pinheiro, especialista em dinâmica veicular da SAE Brasil, o torque steer acontece porque, dependendo da mecânica do carro, os semieixos podem ter tamanhos e massas diferentes. A arquitetura transversal dos motores coloca a caixa de câmbio em um dos lados do cofre. Isso exige que os semieixos tenham tamanhos e massas diferentes para conectar a transmissão às rodas.
Essa diferença faz com que uma roda receba mais torque que a outra, fazendo com que a direção “jogue” o carro para o lado que recebe mais força. O pneu com o semieixo mais curto traciona com mais vigor, gerando um desequilíbrio dinâmico que puxa a direção abruptamente para um dos lados da via.
“Essa é a causa principal e, claro, as fabricantes de veículos já resolveram isso com a massa de compensação em um dos semieixos quando eles não são exatamente do mesmo tamanho”, explica Pinheiro.
O envelhecimento dos componentes mecânicos pode anular as soluções de fábrica e agravar o esterçamento involuntário, porém. O especialista cita que o desgaste irregular da banda de rodagem dos pneus diminui a aderência simétrica, transferindo mais força para a roda com melhor contato com o solo. Folgas nas buchas de suspensão e juntas homocinéticas danificadas alteram a geometria de direção sob forte aceleração. Manter o alinhamento e o balanceamento em dia é uma forma de evitar surpresas desagradáveis nas arrancadas.
