O ex-ministro Aldo Rebelo, pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), afirmou que pretende se apresentar como uma alternativa à polarização política que domina o cenário eleitoral brasileiro.
Em entrevista à revista Veja publicada nesta sexta-feira (6), o ex-parlamentar disse que o país vive uma divisão “artificial” que, na sua avaliação, começa a ser questionada por parte do eleitorado.
Segundo Rebelo, os resultados das eleições municipais de 2024 indicaram espaço para candidaturas fora do eixo tradicional da disputa política nacional. Para ele, o sucesso de nomes que não se enquadravam na lógica da polarização pode sinalizar que parte da população busca soluções práticas para problemas cotidianos.
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“Se os problemas são comuns, por que a solução não pode ser também?”, afirmou. “O que move a população é a busca de soluções para os desafios da sobrevivência”, acrescentou.
Espaço entre os favoritos
As pesquisas eleitorais mais recentes apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principais nomes na disputa pelo Palácio do Planalto. Para Rebelo, contudo, ainda não surgiu uma candidatura capaz de ocupar o espaço fora desse embate.
Rebelo reconheceu que sua própria candidatura ainda é pouco conhecida pelo eleitorado. Segundo ele, o desafio inicial será ampliar visibilidade por meio de entrevistas e debates públicos.
“Eu estou há muito tempo fora da vida pública. Pouca gente sabe que sou candidato. Minha esperança é que os debates e as entrevistas possam oferecer uma plataforma que me torne um pouco mais conhecido”, disse.
Críticas à esquerda e à polarização
Na avaliação do ex-ministro, parte da esquerda perdeu conexão com valores que ainda mobilizam parcelas expressivas do eleitorado. Ele afirmou que o campo progressista se distanciou do sentimento popular e passou a representar mais uma “classe média laica, acadêmica”.
Para Rebelo, fatores como nacionalismo e valorização da família tiveram peso na ascensão política do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O nacionalismo é uma coisa natural da nossa população. O Bolsonaro espelhou isso. Da mesma forma os valores da família”, declarou.
Ele também criticou setores da esquerda que tratam a família como instituição conservadora. “Para os pobres, a família é o Estado de bem-estar social”, disse.
Golpe de 2022 e debate sobre anistia
O pré-candidato também comentou as investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. Na entrevista, afirmou que, em sua visão, os episódios registrados naquele período não atendem aos critérios que caracterizam um golpe de Estado.
“O que aconteceu não preencheu nenhum requisito de um manual de golpe. Golpe precisa de apoio institucional”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de anistia para condenados pelos atos ligados à tentativa de ruptura institucional, Rebelo disse que o tema faz parte da tradição política brasileira, mas que o debate atual está marcado por disputas ideológicas.
“A anistia é uma tradição brasileira, mas parece que o tema hoje também está ideologizado”, afirmou. Segundo ele, a medida poderia ser um instrumento para reduzir tensões políticas e permitir que o país avance para outras agendas.
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