
Duas semanas antes da rejeição inédita da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria procurado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manifestar preocupação com investigações conduzidas pela Polícia Federal e com os possíveis desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações são da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo relatos feitos por aliados do senador à publicação, Alcolumbre afirmou a Lula que vinha sendo alvo de “perseguições injustas” e demonstrou preocupação específica com o conteúdo da colaboração premiada entregue nesta quarta-feira (6) por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
PF vê “mesada” de Vorcaro a Ciro e uso do mandato em favor do Master, diz jornal
Conversas apreendidas indicam repasses mensais ao senador e atuação em proposta que ampliaria negócios do banco investigado
PF deflagra nova fase da operação que investiga Master; Ciro Nogueira entre os alvos
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça
De acordo com interlocutores, Alcolumbre afirmou que a delação poderia trazer “mentiras e injustiças” contra ele e pediu ajuda ao presidente para evitar ser atingido pelas investigações.
Ainda segundo os relatos, Lula respondeu que não teria como interferir em órgãos de investigação ou no Judiciário. O presidente teria dito que não controla a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal nem do Supremo Tribunal Federal, acrescentando que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, vinha atuando com responsabilidade para evitar excessos.
A conversa passou a ser reinterpretada no Palácio do Planalto após a derrota sofrida pelo governo no Senado. Em 29 de abril, Jorge Messias se tornou o primeiro indicado ao STF barrado pelo plenário da Casa em mais de um século. Nos bastidores do governo, integrantes próximos de Lula passaram a enxergar a articulação conduzida por Alcolumbre como uma reação política diante do avanço das investigações ligadas ao caso Banco Master.
Além da delação de Vorcaro, auxiliares do presidente afirmam ao jornal que o senador acompanha com atenção outras frentes investigativas que poderiam atingir seu entorno político, entre elas os apurados desvios no INSS e aplicações de cerca de R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
A proposta de delação entregue por Vorcaro começou a ser analisada nesta semana pela PF e pela PGR. Conforme revelado anteriormente pela CNN, o material está dividido em anexos organizados por personagens políticos e empresariais. Investigadores esperam que a análise preliminar leve mais de dois meses antes da eventual formalização do acordo.
Procurado, Alcolumbre negou ter tratado do Banco Master com Lula. Em nota enviada por sua assessoria, o presidente do Senado afirmou que “jamais tratou do Banco Master com o presidente Lula e muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido”.
A nota também afirma que Alcolumbre “não possui qualquer relação com o Banco Master e não é investigado, citado ou arrolado, sob nenhuma forma, em qualquer apuração relacionada ao caso”.
A assessoria do senador criticou ainda o que chamou de “interpretações subjetivas e rumores de bastidores” usados para associá-lo às investigações.
The post Pré-derrota de Messias, Alcolumbre buscou blindagem de Lula contra Master, diz jornal appeared first on InfoMoney.
