
O presidente do PSD do Rio, deputado federal Pedro Paulo, afirmou que está pedindo uma audiência de urgência com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD). Ele foi detido nesta quarta-feira durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Rio para investigar a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). O diretório do partido também decidiu representar no STJ, junto à PGR, o suposto uso do aparato policial do estado para perseguir adversários políticos. A informação foi antecipada na coluna de Lauro Jardim.
Segundo o deputado, o pedido ao STJ é apenas uma das medidas tomadas pelo partido para contestar a prisão do vereador.
— Acabei de formalizar, junto a outros deputados, o pedido de uma audiência com o diretor-geral da Polícia e com o relator da ADPF, ministro Alexandre de Moraes. Pedi que fosse já amanhã para entender presencialmente o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro. É uma máfia que está instrumentalizando a polícia para prender adversários — disse.
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O deputado argumentou que não há provas de ligação contra Salvino e que a medida foi uma forma de perseguir adversários políticos do atual governo do Rio.
— Não há qualquer prova contra ele, a não ser o fato de ser morador de comunidade e uma conversa de um terceiro com um quarto citando o nome de Salvino, que não tem sequer resposta. Vamos até as últimas consequências para cobrar responsabilidades por essa prisão. O que acontece é algo muito sério e típico de máfia.
O GLOBO procurou o governo do Estado e a Polícia Civil do Rio, mas ainda não obteve retorno.
Disputa política
A prisão de Salvino intensificou o embate político entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL), que publicou em sua conta numa rede social o vídeo do vereador sendo detido em sua casa no Pechincha, na Zona Sudoeste. Na mesma postagem, lê-se que a “Polícia Civil prendeu o braço direto do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.
À tarde, veio a resposta de Paes na mesma rede social: “Eu e o governador somos muito diferentes. Aqui não tem omissão. Nem conivência. Repito, se houver qualquer ilegalidade, se a polícia comprovar a ligação do vereador Salvino com qualquer um desses delinquentes, eu vou ser o primeiro a condenar. Aliás, algo que o governador Cláudio Castro não fez em relação a nenhum dos seus amiguinhos presos, e foram muitos”.
A troca de farpas aconteceu dois dias depois de o prefeito ter feito uma crítica pública ao fato de “dirigentes do governo do estado” terem sido presos por ligação com o crime organizado. O comentário foi feito logo após a operação da Polícia Federal que resultou em novo mandado de prisão para o ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor Alessandro Pitombeira Carracena. “Já teve secretário negociando com traficante em presídio federal, já teve secretário entregando operação contra o crime, já teve secretário preso por conexões com bicheiros”, escreveu Paes, que é pré-candidato ao governo do Rio. Já Castro foi anunciado por seu partido, o PL, como postulante a uma vaga no Senado.
O próprio Salvino tinha feito coro às críticas de Paes. Um dia antes de ser preso, usou a tribuna da Câmara Municipal para afirmar que “quem estiver errado, envolvido com escândalo, que pague”. Na ocasião, criticou a prisão de secretários e ex-secretários do governo estadual investigados por ligação com o Comando Vermelho.
Além de Salvino, seis policiais militares foram presos sob a acusação de vender informações para o tráfico e até de negociar a liberação de eventos em favelas. De acordo com a polícia, o vereador recebeu autorização de Edgard Alves de Andrade, o Doca, chefe do CV no Rio, para fazer campanha na Gardênia. Como prova, os agentes apresentaram a transcrição de uma conversa do criminoso com um homem. “Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é para eu dar suporte e ajudar nos projetos deles. Procede?”, perguntou o interlocutor. A polícia não informa, no entanto, qual foi a resposta.
— Ele não tinha acesso a essa comunidade e queria ter para fazer campanha eleitoral. É um absurdo você ter que pedir autorização a qualquer tipo de liderança criminosa para poder fazer campanha — disse Felipe Curi, secretário de Polícia Civil.
Os investigadores dizem ainda que o político teria beneficiado o grupo criminoso na concessão de licenças para explorar quiosques na Gardênia, mas nenhuma prova foi apresentada. De acordo com os agentes, parte dos comerciantes teria sido escolhida pela facção, sem processo público transparente. A prefeitura instalou cem barracas na comunidade.
Em abril do ano passado, o então secretário municipal de Ordem Pública, o delegado Brenno Carnevale, procurou a polícia para relatar que as barracas da Feira da Gardênia estavam fechadas. Segundo seu depoimento, as licenças foram concedidas pela prefeitura a comerciantes que já atuavam em antigas tendas, e as restantes foram sorteadas, o que nega qualquer interferência política ou do tráfico. Carnevale, na época, também informou que a ordem para fechar o comércio teria partido da associação de moradores, por determinação do então deputado estadual TH Jóias.
Com forte atuação em favelas da Zona Sudoeste, TH Jóias foi preso em setembro do ano passado sob a acusação de vazar operações para o Comando Vermelho. O levantamento feito em seu celular resultou, três meses depois, na prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União), hoje solto com tornozeleira eletrônica, mas afastado do cargo de presidente da Assembleia Legislativa do Rio. De acordo com a polícia, conversas entre os dois mostram que Bacellar avisou TH sobre sua prisão.
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‘Absolutamente não’
Questionado sobre uma possível ligação com Doca, Salvino, que foi secretário municipal de Juventude de 2021 e 2024, afirmou à TV Globo: “Absolutamente não”. O vereador também negou qualquer responsabilidade na instalação de quiosques na Gardênia Azul.
O delegado Vinícius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD), afirmou que a investigação ainda está em andamento e que a prisão temporária do vereador busca auxiliar no avanço dos procedimentos:
— Os indícios encontrados foram enviados à Justiça, que entendeu que cabia a prisão para aprofundar as investigações. Por meio da busca e apreensão, também conseguiremos identificar a cadeia exata da participação dele.
Em nota, a assessoria do vereador afirmou que o parlamentar “repudia com veemência a acusação” e que lamenta “as truculentas e desnecessárias medidas tomadas em seu prejuízo, com base em narrativa evidentemente desprovida de provas, construída com propósito de macular a sua reputação com mentiras”. Nascido e criado na Cidade de Deus, Salvino está em seu primeiro mandato.
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