O mercado de veículos seminovos consolidou uma posição estratégica no Brasil. Com os carros novos mais caros, os usados chegaram à soma histórica de 18,5 milhões de unidades comercializadas ao longo de 2025. Este cenário de alta rotatividade exige do consumidor uma atenção redobrada ao valor dos seus carros no mercado, especialmente em um período onde a média de desvalorização do mercado se manteve em 12% após o primeiro ano de uso.
Para orientar essa escolha, nesta edição de Abril trazemos o prêmio Melhor Revenda 2026. Aqui você terá uma análise detalhada de 73 modelos distribuídos em 22 categorias distintas, destacando aqueles que apresentam a menor depreciação em cada segmento.
A metodologia deste ano foi atualizada para refletir a nova realidade do setor, unificando segmentos de hatches e incluindo categorias de modelos eletrificados, além de ampliar as faixas de preço para contemplar veículos acima de R$ 350.000.
Estratégia tropicalizada: o plano da Changan
A chinesa Changan retorna ao Brasil em uma parceria com a Caoa, estabelecendo sua operação na fábrica de Anápolis (GO). O SUV Uni-T é o símbolo dessa nova fase, chegando com motor 1.5 flex de 180 cv e suspensão adaptada para as condições das vias brasileiras.
Para garantir a confiabilidade do produto, mais de 100 protótipos foram submetidos a testes rigorosos pelo país, resultando em um modelo que combina visual futurista com um preço competitivo, abaixo dos R$ 170.000. O Uni-T marca a segunda investida da marca no país, buscando apagar o histórico de utilitários de trabalho do passado e focar exclusivamente em veículos de passeio tecnológicos. É uma aposta ambiciosa para conquistar o consumidor que busca design disruptivo sem abrir mão da adaptabilidade mecânica local.
BMW M135i xDrive: resistência à eletrificação
Em um mercado cada vez mais voltado para SUVs e eletrificação, o novo BMW M135i xDrive surge como um refúgio para os entusiastas de hatches esportivos. Equipado com um motor a combustão de mais de 300 cv e tração integral, o modelo chega para desafiar o Volkswagen Golf GTI, Honda Civic Type R e Toyota GR Corolla.

Com preço de R$ 459.950, o esportivo alemão se destaca por detalhes exclusivos da divisão M, como logotipos iluminados nos bancos e a chamativa cor Roxo Thundernight. Ele ocupa um espaço entre o Audi A3 e o Mercedes-AMG A45, apostando na carência por hatches médios de alto desempenho. Para quem valoriza a dirigibilidade clássica e o ronco do motor, o M135i apresenta-se como uma “espécie em extinção” que ainda respira no mercado nacional.
Peugeot 308: hatch médio em dia na Europa
O Peugeot 308, um dos líderes de vendas no mercado europeu, acaba de passar por uma renovação focada em estilo e eficiência. No exterior, as mudanças incluem novos vincos laterais e a adoção da identidade visual com barras nos faróis, além de uma grade frontal redesenhada nas versões híbridas para se assemelhar aos modelos elétricos.

A gama de motorizações foi aprimorada, com destaque para a versão elétrica que recebeu um incremento na bateria, alcançando 58,3 kWh e uma autonomia homologada de 450 km no ciclo WLTP. O modelo também oferece opções híbridas plug-in de 156 cv, mantendo o foco na transição energética da marca.
Pequeno notável: Toyota GR Yaris
Não é só a BMW busca representatividade entre os hatches esportivos. A Toyota traz seu grande trunfo ao Brasil, o GR Yaris, para bater de frente nesse segmento que está em constante crescimento e traz grandes expectativas para os entusiastas.
O conjunto mecânico é o mesmo do GR Corolla: motor 1.6 turbo de três cilindros de 304 cv, mas ajustado para entregar 40,8 kgfm, um pouco a mais que o “irmão”. Toda essa potência é entregue às rodas por um câmbio automático de oito marchas, mas uma versão manual de cinco marchas também está disponível. E o melhor é que ambos custam os mesmos R$ 354.990.

Nesse teste exclusivo, pudemos ver o que o motor três cilindros mais potente em produção atualmente é capaz de fazer em um carro com o preparo esportivo, porém mais leve que o GR Corolla.
Carta ao leitor
Informação útil
Brasil precisa mesmo ser estudado. E não é só pela Nasa, como diz o gracejo popular. Os cidadãos devem analisar profundamente aquilo que os cerca para evitarem surpresas. QUATRO RODAS promove a pesquisa Melhor Revenda, que analisa a desvalorização dos carros no primeiro ano de uso, há seis anos, e em cada edição o mercado se apresenta diferente, sempre tendo alguma instabilidade que influencia os preços.
É inflação, mudanças na carga tributária, novidades tecnológicas, crise de abastecimento de peças… É verdade que algumas dessas variáveis são importadas, como a falta de semicondutores, em 2021. Mas até nisso o Brasil é diferente por ter um mercado de usados tão relevante, a ponto de ser afetado pelo que acontece na indústria.
O ano de 2025, considerado na pesquisa desta edição, que comparou os preços dos carros entre janeiro de 2025 e janeiro 2026, foi um ano marcado pelo avanço das marcas chinesas e a adequação das tradicionais ao novo cenário, trazendo suas novidades. Por um lado, esse movimento de lançamentos influenciou negativamente os preços dos seminovos, pois contribuiu para a obsolescência desses carros. Mas, por outro, foi positivo, porque os novos modelos chegaram mais caros, na média, aumentando a procura por alternativas mais em conta. Lógico que essa não foi a única variável.
Como você verá no texto do repórter Mauro Balhessa, com a parceria da Suiv, que forneceu os dados do estudo, a partir da pág. 32, entre altos e baixos houve seminovos que desvalorizaram conforme se esperava, mas houve carros que valorizaram. Ou seja: o usado passou a custar mais caro que o novo na loja (por falta de produto zero-km, para atender o mercado).
Este Melhor Revenda será útil, mais uma vez, tanto para orientar o consumidor que tem um carro na garagem e quer apenas saber como esse modelo está cotado no mercado quanto para aquele que quer comprar um seminovo e precisa de informação para a decisão. O comprador pode preferir um carro que segura o valor, já pensando na revenda, ou optar por outro similar que sofreu maior desvalorização, pensando em gastar menos na aquisição.
Esta edição, porém, traz outras informações, como a chegada de mais uma marca chinesa ao mercado, a Changan, associada à brasileira Caoa. O teste do veículo de estreia, o SUV Uni-T, começa na pág. 42 e coube ao editor Henrique Rodriguez. E, para os mais puristas, há dois testes sob medida: um é o do BMW M135 xDrive, na pág. 48, e o outro do Toyota GR Yaris, na pág. 60. A missão de avaliar esses dois esportivos coube ao (sortudo) editor-assistente Guilherme Fontana.
Não deixe de ver a reportagem sobre hidrogênio, feita pelo Henrique, na pág. 70. O editor rodou a bordo de um Honda CR-V eFCEV abastecido com hidrogênio produzido no Brasil. Essa tecnologia ainda vai demorar a chegar às ruas. Mas é sempre bom estar informado. Boa leitura!

