Nos últimos anos, a expressão “red pill” tem aparecido com cada vez mais frequência em debates nas redes sociais e em comunidades online. O termo é usado principalmente em espaços da internet ligados à “machosfera”, ambiente que reúne fóruns, canais e perfis voltados a discussões sobre masculinidade e relações entre homens e mulheres. Mas afinal, você sabe o que “red pill” significa?
O termo tem suas raízes no filme “Matrix”, de 1999. Na história, o protagonista Neo (Keanu Reeves) descobre que vive em uma simulação controlada por máquinas e acaba sendo confrontado por Morpheus (Laurence Fishburne) com uma escolha: tomar a pílula azul ou a pílula vermelha.
Caso escolhesse a pílula azul, Neo esqueceria a verdade sobre seu “mundo”, mas se tomasse a pílula vermelha despertaria para a “verdadeira realidade”.
A partir dessa ideia fictícia, comunidades começaram a usar a expressão “red pill” para descrever indivíduos que acreditam ter “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres ‘manipulariam’ ou ‘explorariam’ os homens.
Nas redes sociais, ainda circulam outros desdobramentos do termo “red pill”. Na visão dos “blackpill”, por exemplo, o destino dos homens seria determinado apenas por características genéticas, como aparência física, altura ou estrutura óssea.
De acordo com essa ideia, homens que não possuem determinados padrões físicos estariam condenados ao fracasso social e amoroso, independentemente de esforço ou comportamento.
Já “bluepill” é uma expressão usada de forma pejorativa para se referir a homens que acreditam na igualdade de gênero ou que buscam relacionamentos considerados mais equilibrados. Nesses grupos, esses homens costumam ser rotulados como “ingênuos”, “alienados” ou “fracos”.
Região de Campinas registra onda de feminicídios
Em meio a essa onda de discursos que pregam a favor da submissão e inferioridade das mulheres, a região de Campinas registrou uma onda de feminicídios, em janeiro deste ano.
Em Sumaré, Itatiba e Valinhos, três mulheres foram assassinadas em circunstâncias brutais, a maioria dos casos cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Além das mortes, a região também contabilizou em janeiro diversos episódios de agressões graves, tentativas de homicídio e violência doméstica, revelando um cenário preocupante logo no início do ano.
À EPTV, a advogada Camila Reinberg, especialista em Direito Civil e Direito de Família e doutora em Filosofia e Teoria Geral do Direito, analisou os fatores que contribuem para o aumento desse tipo de crime.
“O machismo não é algo novo, é algo milenar. A cultura está enraizada em nós como sociedade, seja em mulheres, crianças e principalmente nos homens. Até chegar ao feminicídio, há a reprodução de uma cultura de posse, em que se acredita ser necessário ter o corpo do outro. E, quando o homem se sente fracassado, e, para o público masculino, o fracasso é visto como algo ruim, isso precisa ser descontado em alguém, e geralmente é descontado na mulher”, disse.
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Feminicídios bateram recorde em 2025
Em 2025, os feminicídios nas regiões de Campinas e Piracicaba superaram, já no dia 11 de dezembro, todo o total registrado em 2024. Foram 29 mulheres assassinadas, contra 28 casos no ano anterior. Somente em dezembro, cinco feminicídios foram confirmados.
Em todo o Brasil, 2025 também registrou um recorde histórico, com 1.470 feminicídios, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera os 1.464 casos registrados em 2024, até então a maior marca.
Os dados indicam que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país no ano passado.
De acordo com o 18º Boletim Sisnov, do Sistema de Notificação de Violência de Campinas, cônjuges e ex-cônjuges são responsáveis por 42% das agressões contra mulheres.
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