Um dos responsáveis por mudar a indústria do entretenimento e emplacar os streamings, Reed Hastings, cofundador e presidente do conselho da Netflix, está deixando o conselho de diretores da empresa após atuar por 25 anos na empresa.
Nesta quinta-feira (16), Hastings informou a empresa em sua carta aos investidores do primeiro trimestre de 2026 que deixará o conselho da Netflix quando seu mandato atual expirar na reunião anual em junho “para se dedicar à filantropia e a outros projetos”. O anúncio aconteceu logo após a empresa anunciar que irá aumentar seus investimentos em conteúdo original como forma de permanecer relevante no mercado.
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Reed Hastings deixou um legado inegável na companhia
Após quase 30 anos na Netflix, a saída de Hastings deixará sua marca na empresa. Depois do anúncio as ações da gigante do streaming já caíram 9%.
- “Reed construiu uma cultura de inovação, integridade e alto desempenho que define quem somos hoje”, afirmou a empresa. “Sua visão e liderança foram pioneiras na forma como o mundo se entretém, e seu legado e impacto são sentidos não apenas por todos nós na Netflix, mas também pelo público ao redor do mundo. Em nome do conselho e dos nossos acionistas, expressamos nossa mais profunda gratidão por sua liderança e serviço extraordinários”;
- Hastings deixou o cargo de co-CEO da Netflix no início de 2023, após Ted Sarandos (ex-diretor de conteúdo) ter sido nomeado co-CEO em 2020. Desde então, Hastings vinha atuando como presidente do conselho;
- Em comunicado, Hastings disse: “A Netflix mudou minha vida de muitas maneiras, e minha lembrança favorita de todos os tempos foi janeiro de 2016, quando possibilitamos que praticamente todo o planeta aproveitasse nosso serviço.” Ele se refere à expansão da empresa, há 10 anos, quando o streaming foi lançado em 130 países e territórios;
- Hastings continuou: “Minha principal contribuição na Netflix não foi uma única decisão; foi manter o foco na satisfação dos assinantes, construir uma cultura que outros pudessem herdar e aprimorar, e criar uma empresa que pudesse ser amada pelos usuários e extremamente bem-sucedida por gerações”;
- Hastings também fez um “agradecimento especial” aos co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, “cujo compromisso com a excelência da Netflix é tão forte que agora posso me dedicar a novas atividades”;
- Sarandos afirmou: “Reed tem sido uma fonte única de inspiração para mim, pessoal e profissionalmente, desde que nos conhecemos em 1999. Tive o privilégio de trabalhar para e ao lado de alguém que fez história, e estou ansioso para ver tudo o que ele fará a seguir. Ele nos mostrou, a mim e ao Greg, um estilo de liderança altruísta e disciplinado que continuará moldando a forma como lideramos a Netflix nos tempos empolgantes que estão por vir”;
- Peters comentou: “Reed sempre será o fundador da Netflix e seu maior defensor — ele faz parte do nosso DNA. Sua visão, espírito empreendedor e compromisso firme com nossos valores moldaram cada etapa da nossa trajetória e continuam a influenciar a forma como Ted e eu lideramos a empresa hoje.”
Histórico de Hastings na Netflix
Hastings cofundou a Netflix em 1997. Atualmente, ele integra conselhos de diversas organizações educacionais sem fins lucrativos, incluindo a KIPP, a City Fund e o Charter School Growth Fund Em 2023, ele comprou o resort de esqui Powder Mountain, em Eden, Utah. No mês passado, Hastings refletiu sobre sua saída do cargo de CEO da Netflix, sua gestão do resort e comentou o que considera o maior risco para a empresa: a ameaça de vídeos gerados por inteligência artificial. “A IA vai transformar a criação de conteúdo de tal forma que os jovens passem a assistir apenas ao YouTube, e conteúdos impulsionados por IA se tornem atrativos o suficiente para ocupar todo o tempo deles?”, disse Hastings em entrevista ao programa “In Depth With Graham Bensinger”.
Hastings, cujo patrimônio líquido é estimado atualmente em US$ 5,8 bilhões (segundo a Forbes), já doou centenas de milhões de dólares para causas filantrópicas.
Em 2024, ele doou ações da Netflix avaliadas em cerca de US$ 500 milhões para a Silicon Valley Community Foundation, organização sem fins lucrativos que trabalha para “reduzir desigualdades sistêmicas” na região da baía de São Francisco.
No ano passado, Hastings também doou US$ 50 milhões para sua alma mater, o Bowdoin College, no Maine, para financiar pesquisas e ensino em inteligência artificial dentro de “estruturas éticas”.
