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Review: God of War Sons of Sparta seria muito legal de jogar no celular

por SampaNews 20 de fevereiro de 2026
20 de fevereiro de 2026
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O novo God of War: Sons of Sparta chegou de surpresa no último State of Play, prometendo dar melhor contorno à história de Kratos antes de se tornar um Deus da Guerra. O jogo aposta em uma abordagem totalmente diferente: trata-se de um side-scroller 2D no estilo Metroidvania, com visual retrô, surpreendendo ainda mais o público.

Desenvolvido pela Mega Cat Studios e Santa Monica Studio, o título adota uma linguagem mais acessível, embora ainda em conformidade com o rigor do treinamento do Agogê. De cara, a comunidade reagiu aos gráficos com comparações ao God of War: Betrayal, antigo título da franquia desenvolvido para celulares Java. 

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Porém, a comparação é justa? Faz sentido investir R$ 170 no novo God of War? Confira abaixo a minha opinião, na review completa do Voxel com Sons of Sparta.

Kratos antes das tragédias

God of War: Sons of Sparta se passa na Grécia Antiga, muito antes dos eventos de God of War: Ascension, primeiro título na linha cronológica da saga. Aqui, Kratos ainda é adolescente e batalha ao lado do irmão mais novo, Deimos, em uma aventura intensa nos arredores de Esparta em busca de um colega de treino desaparecido.

A história é narrada por Kratos adulto, que conversa com sua filha Calíope. A trama se desenvolve majoritariamente por meio de diálogos que interrompem a jogabilidade, sem o uso frequente de cutscenes — salvo raras exceções.

O jogo acontece muito antes de Kratos se tornar general de um exército. Ele ainda é um soldado em treinamento, mas já demonstra capacidades excepcionais, frequentemente questionadas por adultos ao seu redor. Seu rigor aos valores espartanos é constantemente citado nos diálogos.

O ritmo, contudo, é um dos pontos mais problemáticos. As conversas com Deimos e outros personagens acontecem o tempo inteiro, muitas vezes quebrando sequências de exploração ou simplesmente tornando o progresso mais lento. A movimentação de Kratos no mapa é naturalmente cadenciada, e há momentos em que você caminha longas distâncias apenas para acionar um diálogo dispensável e descobrir que precisa retornar para outro ponto.

Visual retrô vintage

As comparações com God of War: Betrayal são compreensíveis, ainda que injustas. Ambos são side-scrollers bidimensionais, mas Sons of Sparta é significativamente mais moderno, com cenários, inimigos, personagens e animações bem elaborados dentro da proposta.

A história é narrada por Kratos adulto, que conversa com sua filha Calíope. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Por conta do estilo adotado, a experiência é menos cinematográfica do que nos capítulos mais recentes da franquia. Os personagens possuem expressões, mas limitadas a detalhes sutis. É uma questão de preferência, porém é possível argumentar que outros jogos da categoria entregam mais personalidade — como Dead Cells, adota uma estética similar, mas com carisma marcante.

Ainda assim, a clareza visual é eficiente. Inimigos clássicos da primeira trilogia são facilmente reconhecíveis, e as animações de golpes funcionam como releituras competentes do material original, demonstrando cuidado na adaptação.

Combate e exploração

Para quem já explorou Metroidvanias 2D como Hollow Knight, Ori and the Blind Forest e Dead Cells, Sons of Sparta soa familiar. O primeiro contraste, no entanto, está na lentidão. A exploração é mais contida, com forte apreço pelas animações do personagem, o que torna o deslocamento mais demorado do que deveria — especialmente em trajetos longos para falar com NPCs.

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O mapa é simples e bastante linear. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

O ritmo acelera conforme novas habilidades e atalhos são desbloqueados, mas ainda está longe da fluidez vista em títulos como Ori ou Hollow Knight: Silksong. São direções diferentes, claro, mas senti falta de mais pontos de fast-travel para tornar a experiência menos arrastada.

Por outro lado, a exploração é quase linear — o que acaba sendo positivo considerando a velocidade de corrida de Kratos. O mapa raramente deixa o jogador perdido, e essa simplicidade torna o game competente nesse aspecto.

No meio tempo, há um puzzle ou outro para resolver, e eles são eficientes em aproveitar as mecânicas e itens disponibilizados para o jogador.

Lutas bonitas, às vezes injustas

O combate é, sem dúvidas, o ponto mais forte. Não é tão acrobático quanto Hollow Knight, mas possui seu charme. Sons of Sparta herda mecânicas recentes da franquia, como o parry com escudo, além de um conjunto enxuto de golpes normais e especiais.

A personalização também parece ser uma versão compacta do que foi apresentado nos God of War (2018) e God of War Ragnarok. Você pode alterar detalhes da lança, do escudo e do cinturão que modificam golpes e finalizadores, mas nada tão denso ou complicado de entender.

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A personalização de Kratos é bem simples. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

É tudo bem simples, mas a cadência e a variedade de ataques inimigos tornam os confrontos interessantes. É preciso dominar esquiva, defesa e aparo para explorar combinações. A janela de parry é generosa, e o jogo não pune com longas caminhadas após a morte. 

As animações tornam as batalhas agradáveis de assistir, e as habilidades desbloqueadas ao longo da campanha enriquecem o sistema — ainda que sem a profundidade vista em capítulos principais da franquia.

Nas lutas contra chefes, há momentos de frustração que flertam com a sensação de injustiça. Diferentemente da lógica quase matemática de Hollow Knight: Silksong, em que o desafio é duro, mas justo, Sons of Sparta por vezes exige antecipações incompatíveis com a própria lentidão de Kratos.

Pode ser uma questão de adaptação — o clássico “Git Gud” ecoa na cabeça —, mas mesmo com experiência em jogos exigentes como Sekiro e Sifu, houve ocasiões em que senti os padrões de ataque inimigos desalinhados com o kit do protagonista.

Ainda assim, o combate é prazeroso. Em vários momentos, me vi enfrentando inimigos mesmo sem necessidade, apenas pela satisfação do confronto.

O modo multiplayer quase secreto

Apesar da impressão inicial de ser uma experiência exclusivamente single-player, Sons of Sparta inclui um modo multiplayer local desbloqueado apenas após a conclusão da campanha. Nele, dois jogadores controlam Kratos e Deimos em desafios de combate.

A adição é interessante, mas sua restrição é questionável. Quem adquirir o jogo motivado pela descrição “1–2 jogadores” na PlayStation Store pode se frustrar ao descobrir que precisa finalizar a campanha para acessá-lo.

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Sons of Sparta pode ser jogado cooperativamente com mais uma pessoa, mas só depois de zerar a campanha principal sozinho. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

O modo contém spoilers e antecipa habilidades desbloqueadas na história principal, mas outras soluções seriam possíveis — como ocorre em Sifu, cujo modo Arena fica disponível desde o início, com aviso claro ao jogador.

Às vezes, a proposta é simples: jogar com um amigo. Condicionar isso a cerca de 20 horas de campanha pode transformar a expectativa em decepção. Ainda mais em um mercado em que jogos com multiplayer local são tão raros de encontrar.

Os problemas

Além das interrupções constantes por diálogos — que podem ser minimizadas (mas não eliminadas) ao ativar a opção de pular cenas —, há questões técnicas relevantes.

No combate, inimigos que perseguem o jogador na beirada de plataformas atacam com tanta velocidade que, em certos momentos, impedem até mesmo um salto seguro, sem oferecer margem clara de contra-ataque.

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Nesse print, eu estava preso em uma arena com um boss que já havia derrotado. (Fonte: Igor Almenara/Voxel)

Mais grave é a queda de frames no PlayStation 5. Em determinados trechos, o desempenho oscila de forma perceptível, algo difícil de justificar em um jogo 2D em um console tão poderoso. Cheguei a me questionar sobre esse problema e busquei por queixas online. Para minha surpresa, vi que outros jogadores também passavam por quedas de quadro semelhantes.

Há também bugs variados. Em um duelo obrigatório, após a vitória, o evento foi acionado novamente sem inimigos na arena, resultando em um soft lock que me obrigou a retornar ao último save. Perdi uns 20 minutos por conta disso, e resolvi até parar para tomar um ar.

Dessincronizações entre falas e legendas ocorrem com frequência, além de problemas na mixagem de áudio. A dublagem brasileira é excelente no geral, com destaque para Pedro Alcântara (Kratos adolescente), Ricardo Juarez (narração do Kratos adulto) e Mari Guedes (Deimos). Contudo, há momentos em que a voz de Deimos soa significativamente mais baixa que as demais, prejudicando a imersão.

Vale a pena?

God of War: Sons of Sparta é um bom jogo. O lançamento surpresa no evento da Sony foi uma escolha acertada. O problema está no preço e em decisões de ritmo que impactam a experiência.

Custando R$ 169,90, o valor parece elevado diante da proposta. A comparação com Hollow Knight (R$ 85,50) e Hollow Knight: Silksong (R$ 114,90) é inevitável, sobretudo considerando a quantidade de conteúdo e polimento oferecida por ambos.

Sons of Sparta enriquece o universo de Kratos e diversifica a franquia com ousadia. É competente, tem combate divertido e ótima dublagem. No entanto, os problemas técnicos, o ritmo truncado e o preço alto tornam difícil recomendá-lo pelo valor cheio.

Para quem tem interesse, eu diria que a melhor alternativa seja aguardar uma eventual inclusão no catálogo da PlayStation Plus. Ironicamente, acho que Sons of Sparta seria um ótimo jogo para baixar no celular.

De certa forma, parece que Sons of Sparta foi primeiro pensado para o mobile – afinal, ele é como uma versão reduzida dos títulos mais recentes. Faria sentido por diversas razões:

  • O mapa é simples, fácil de navegar e explorar, bom para jogatinas descompromissadas;
  • A interface do jogo (textos, botões, legendas, mapas, itens e outros elementos) é de fácil compreensão;
  • O jogo tem ambientação mais leve, ideal para alcançar um público mais jovem;
  • A história é relativamente curta, mas suficiente para uma jogatina portátil de qualidade;
  • Os visuais são aparentemente acessíveis e fáceis de adaptar para telas menores com controles embutidos no touchscreen ou com controles Bluetooth.

Além desses fatores, justificaria a estreia do novo título, expandindo a história de Kratos para além das plataformas convencionais e, naturalmente, convidando mais pessoas para o universo da Santa Monica. O jogo poderia até ser pago, sendo justo algo entre R$ 60~80, e provavelmente renderia avaliações bem mais positivas pela comunidade e mídia especializada.

Enquanto o Sons of Sparta é exclusivo de PS5, os lançamentos de jogos da Sony já são recorrentes no PC. Logo, quem sabe, em um futuro próximo, o game pelo menos rode no Steam Deck, o que já daria uma bela nostalgia para quem jogou God of War: Betrayal nas antigas.

Nota: 60

Pontos positivos (Prós)

  • História simples, mas que enriquece o universo de God of War e Kratos;
  • Ótima dublagem brasileira;
  • Combate simples e elegante.

Pontos negativos (Contras)

  • Ritmo lento (diálogos disruptivos recorrentes e objetivos desnecessários);
  • Quedas de quadros por segundo no PlayStation 5;
  • Bugs variados (soft locks e inimigos presos em paredes);
  • Problemas de mixagem de áudio;
  • Preço elevado.

God of War: Sons of Sparta foi concedido pela Sony ao Voxel para avaliação. O game foi executado em um PlayStation 5 padrão.

Curtiu a análise? Acompanhe o Voxel nas redes sociais para mais reviews, bastidores da indústria e cobertura completa do universo gamer e da tecnologia.

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