Um tipo de crime que se tornou recorrente na capital paulista começa a migrar com força para o interior de São Paulo: os roubos e furtos de alianças. Na área de abrangência do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-9), que inclui a região de Piracicaba, o aumento de ocorrências envolvendo o acessório foi de 77,8% no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo dados oficiais, o número de registros saltou de 9 para 16 casos entre janeiro e fevereiro. O município de Hortolândia concentra metade dessas ocorrências, com oito casos registrados. Em contrapartida, a região de Campinas apresentou uma tendência oposta, com queda de 27,6% no mesmo período.
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Violência e trauma
Para as vítimas, o prejuízo vai além do financeiro. O aposentado Vivaldo José Rodrigues, de 77 anos, viveu momentos de pânico ao ser abordado na rua de sua casa, no Jardim Nova Europa, em Hortolândia. Imagens de câmeras de monitoramento registraram a violência do criminoso, que derrubou o idoso e arrancou a joia com força antes de fugir.
“Ia descendo e de repente surgiu um sujeito e falou ‘perdeu, perdeu’. Ele bateu com um objeto no meu rosto e eu caí”, relata Rodrigues.
O assaltante, que morava no próprio bairro, foi identificado e preso, mas o trauma permanece. “Fiquei muito abatido porque era uma aliança de 37 anos. Eu achava que era um lugar tranquilo, mas agora acontece muita coisa aqui: roubo de moto, de celular”, lamenta o aposentado, que decidiu não usar mais o acessório.
“Parece que estão perseguindo as alianças. Não vou usar mais. Falei em comprar e minha esposa falou ‘eu vou é tirar a minha’. Não vou mais usar aliança”, finaliza o aposentado.
Outro caso recente ocorreu em uma churrascaria às margens da Rodovia Anhanguera, em Nova Odessa. Bandidos invadiram o estabelecimento durante o jantar e renderam clientes, levando alianças, celulares e pertences pessoais. Até o momento, ninguém foi preso por este crime.
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Por que as alianças?
De acordo com o delegado Lúcio Petrocelli, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana, a preferência dos criminosos pelo ouro tem explicações de mercado. “A aliança é de fácil retirada durante a abordagem. Se o criminoso percebe que o celular não tem um alto valor agregado, ele opta pela joia, que é de fácil derretimento e o ouro está em alta”, explica.
A autoridade policial orienta que a população redobre a atenção ao circular em via pública. “Uma das orientações é que as pessoas tenham um pouco mais de cuidado ao andar na rua e fiquem sempre observando o local onde estão”, diz Petrocelli.
O que diz a secretaria de Segurança Pública
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que tem reforçado o combate ao roubo e furto de joias em todo o Estado. Segundo a pasta, as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada para desarticular quadrilhas especializadas. A Polícia Militar também afirma ter intensificado o policiamento preventivo e as ações de saturação em áreas estratégicas para inibir a criminalidade.
*Com informações de Helen Sacconi/ EPTV Campinas
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