As preocupações relacionadas às câmeras dos óculos inteligentes chegaram ao tribunal. Na quarta-feira (18), a juíza responsável pelo processo em que as redes sociais da Meta são acusadas de causar problemas de saúde mental em jovens proibiu o recurso durante o depoimento de Mark Zuckerberg.
“Se você fez isso (gravou o julgamento), deve apagar, ou será considerado em desacato ao tribunal”, alertou a magistrada Carolyn Kuhl, de acordo a CNBC. Esse teria sido um dos primeiros recados dados por ela antes do aguardado depoimento do CEO da Meta.
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Seguranças usavam óculos Ray-Ban Display
O aviso de Kuhl no tribunal foi motivado pelo uso de óculos inteligentes por seguranças que escoltaram Zuckerberg até o local do depoimento. Como relata a reportagem, alguns membros da equipe estavam com o dispositivo.
- Eles usavam óculos Meta Ray-Ban Display, lançados em setembro do ano passado, que possuem várias tecnologias integradas;
- Um dos atrativos é a câmera de 12 MP com zoom de 3x, que permite registrar fotos e vídeos e compartilhar as imagens diretamente do gadget;
- O equipamento possui LED que pisca enquanto a câmera funciona, uma espécie de alerta indicando o uso do recurso;
- No entanto, há brechas e gambiarras que permitem gravar e tirar fotos sem a luz acender, o que dificulta saber quando o usuário está fazendo imagens.
É proibido gravar vídeos e tirar fotos no interior de tribunais superiores do estado da Califórnia, onde ocorre o julgamento da Meta, como destaca a Forbes. Pessoas que descumprirem a determinação podem ser expulsas do local e sofrerem outras punições.
Durante o depoimento, o bilionário garantiu que a Meta não faz mais apps que maximizam o tempo de tela do usuário. No processo, a autora associa seu quadro de depressão ao uso compulsivo do Instagram e do YouTube, acessados por ela desde criança.
Fabricante recomenda seguir as leis
Nos termos de uso do Ray-Ban Display, a Meta recomenda que o proprietário siga as determinações da legislação quanto à privacidade. Ela também reitera que o LED deve estar aceso quando a câmera for acionada.
Apesar das sugestões da big tech, vários relatos de gravações não autorizadas têm surgido desde o lançamento dos óculos inteligentes. Em um desses casos, o dispositivo foi usado para gravar assédio em casas de massagem, levando ao banimento das contas envolvidas.
Este mês, o humorista Paulo Vieira compartilhou no X um incidente envolvendo a tecnologia. Conforme a postagem, ele diz ter sido filmado sem saber por alguém que usava óculos com câmera e postou toda a interação no Instagram.
Quais são os direitos de pessoas filmadas sem autorização? O TecMundo ouviu especialistas que falaram sobre a legalidade das gravações com óculos inteligentes.
