
Quatro anos depois de chegar ao Brasil, a Factorial encerrou o último ano com crescimento de 67% na base de clientes e de 56% no faturamento. Para 2026, a empresa projeta triplicar de tamanho no país, reforçando a consolidação da operação local, marcada por autonomia estratégica em relação à matriz, em Barcelona.
“O mercado de RH no Brasil ainda está em desenvolvimento, e isso gera uma carência muito grande por tecnologia”, afirma Renan Conde, CEO da Factorial no Brasil. Segundo o executivo, a procura é alta, e muitas empresas ainda estão se conscientizando do quanto a tecnologia pode apoiar times de alta performance.
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A demanda levou à decisão de estruturar uma operação local, que hoje conta com cerca de 50 pessoas, dentro de um time global de 1.400 colaboradores. Embora parte da estratégia tenha sido replicar o que já funcionava fora, a adaptação ao mercado brasileiro veio rapidamente.
Questões legais, como regras de controle de ponto, exigiram ajustes técnicos, mas o principal impacto foi cultural. “No Brasil, o RH não olha só para o que a lei pede. Ele busca criar ambiente, marca empregadora, confiança”, explica Renan.
Essa maturidade se refletiu na demanda por funcionalidades mais avançadas. Em 2025, o Brasil foi o mercado que mais comercializou módulos de avaliação de desempenho e pesquisa de clima na companhia. “Antigamente, muitas empresas buscavam essas ferramentas porque ‘precisavam ter’. Hoje, elas vêm muito mais maduras, preocupadas com o impacto real dessas avaliações nos resultados”, diz.
Erros e aprendizados
Ao longo desses quatro anos, um dos principais aprendizados foi a importância da cultura como alicerce do crescimento. Segundo Renan, a empresa adotou desde o início uma lógica de aprendizado contínuo, com abertura ao erro e foco em velocidade.
“Tudo bem errar, desde que a gente aprenda algo com isso. Errar é inevitável, mas no final temos muito mais acertos. Criar essa consciência fortaleceu a empresa”, avalia o CEO.
Essa visão também levou a uma mudança na estratégia de expansão. Depois de um início fortemente orientado a vendas, a operação passou a priorizar experiência do cliente, evolução do produto e crescimento sustentável. “Não adianta ter três ou quatro mil clientes entrando de uma vez se eu não consigo acomodar todo mundo bem. Hoje, o foco é crescer de forma consistente”, pontua.
A maturidade da operação local se reflete no grau de independência. Desde 2024, quando Renan assumiu como CEO no Brasil, a filial passou a ter autonomia total para decisões estratégicas. “Tenho 100% de autonomia. Eu só formalizo e reporto financeiramente”, diz. Segundo o executivo, isso acelerou decisões como a tropicalização do produto e ajustes culturais.
Uma das decisões mais simbólicas da operação brasileira foi a consolidação do modelo 100% remoto – na contramão da matriz espanhola, que reforçou o trabalho presencial para preservar a cultura.
“No Brasil, essa decisão fez muito sentido. A gente opera em cidades como São Paulo, com longos deslocamentos. Pensamos muito em qualidade de vida, o que está totalmente alinhado com a nossa cultura de pessoas em primeiro lugar”, afirma Renan.
O modelo remoto ampliou o acesso da Factorial a talentos fora do eixo paulista. Hoje, a empresa mantém encontros presenciais periódicos, mas toda a rotina de trabalho acontece de forma distribuída.
Visão de futuro
O plano global da empresa para 2026 é crescer três vezes. No Brasil, a meta vem acompanhada de um cuidado maior com recrutamento, cultura e onboarding, aprendizados diretos do crescimento vivido em anos anteriores.
“No passado, a gente contratou muito rápido e perdeu um pouco de processo e cultura”, admite Renan. “Agora, o crescimento está muito mais estruturado.” Entre as prioridades está a expansão para os 27 estados brasileiros por meio de parceiros, além do fortalecimento de parcerias estratégicas já existentes.
A Factorial, que em 2023 adquiriu a startup de gestão de despesas Fuell, mantém M&As no radar, mas com cautela. “A corrida da IA mudou prioridades. A gente tem capacidade interna de desenvolvimento, então o foco agora é não perder velocidade”, explica.
A empresa tem apostado em uma IA própria, integrada à plataforma, com governança e segurança de dados, em resposta ao uso crescente de ferramentas abertas por colaboradores. “O Brasil é um dos países que mais consomem IA no mundo. As pessoas usam essas ferramentas e acabam colocando dados sensíveis ali. Nossa proposta é ter uma IA interna, com os dados protegidos”, diz Renan.
Na prática, a tecnologia apoia desde relatórios automáticos até avaliações de desempenho, sugerindo planos de desenvolvimento e alertando gestores sobre possíveis sinais de desgaste emocional nos times. “A IA não substitui o lado humano. Ela apoia decisões que impactam positivamente a vida das pessoas”, conclui.
Conteúdo produzido por Startups.
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