
Acompanhar a trajetória do USS Gerald R. Ford — principal porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos — rumo à Ásia Ocidental, tem sido uma tarefa de especialistas em estratégia militar que veem nesse deslocamento uma contagem regressiva para um potente ataque em alvos no Irã. Mas a embarcação, que é e um dos símbolos do poder militar americano, esconde um segredo sujo, segundo matérias da mídia americana a partir de relatórios sigilosos: o sistema de esgoto do navio pode estar entrando em colapso.
A crise foi divulgada já na virada do ano, quando o Gerald R. Ford se juntou à frota no Caribe e participou dos eventos que culminaram com a deposição de Nicolás Maduro na Venezuela, posteriormente levado aos EUA para ser processado por tráfico internacional de drogas.
O porta-aviões, comissionado em 2017 e que custou US$ 13 bilhões aos cofres dos EUA, passou a enfrentar problemas em seus sistemas de esgoto, que têm se mostrado ineficientes para suportar o uso por um prazo muito estendido de quase 4,6 mil marinheiros.
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O site Navy Times relatou que os “tubos estreitos” do sistema têm causado entupimentos frequentes e falhas de vácuo. O site NPR publicou o conteúdo de documentos como uma série de e-mails que detalham o esforço do navio para lidar com essas falhas.
A origem dos problemas foi a adoção de um sistema a vácuo, adaptado em parte da indústria de navios de cruzeiro, numa tentativa de consumir menos água durante o uso dos sanitários. As primeiras falhas foram relatadas em 2023, mas os problemas com o sistema de Coleta, Armazenamento e Transferência a Vácuo (VCHT) aumentaram em 2025.
“Todos os dias em que toda a tripulação está presente no navio, uma chamada de emergência é feita para que o pessoal (…) repare ou desentupa uma parte do sistema VCHT, desde junho de 2023”, diz um documento sem data fornecido pela Marinha, por meio de um pedido da Lei de Liberdade de Informação dos EUA.
Relatórios obtidos pela Forbes dizem que o desentupimento exigia uma lavagem de ácido especializada, custando US$ 400.000 a cada uso. E, durante sua missão em 2025, que incluiu as operações na Venezuela em janeiro, o USS Ford teve uma média de chamada de manutenção relacionada a esgoto por dia, informou o Navy Times.
O NPR afirmou que recebeu e-mails mostrando 205 falhas em quatro dias, com equipes de engenharia trabalhando em turnos de 19 horas para lidar com vazamentos e transbordamentos.
Prazo estendido
Os problemas persistem e podem piorar, uma vez que o Gerald Ford e seus três contratorpedeiros de escolta estão prestes a cruzar seu limite habitual de sete meses no mar. Em meados de fevereiro, a tripulação já estava com mais de 240 dias de serviço ininterrupto.
Um problema que estaria agravando a crise é que a idade média no USS Ford é semelhante à de um campus universitário. Há relatos que tudo, desde camisetas até um pedaço de corda e partes de esfregões já foram removidos sistema. Como os tubos de vácuo são estreitos, até o papel toalha marrom e o papel higiênico comercial costumam causar quebras.
Mas o problema mais comum é uma válvula instalada na parte de trás dos vasos sanitários (chamada de cabeça), que se solta com frequência e faz com que todos os vasos sanitários em uma das 10 zonas do navio percam sucção. O navio possui mais de 600 vasos sanitários, divididos em 10 zonas independentes.
Até 75 aviões
A embarcação impressiona quem a vê de fora. Pesando aproximadamente 100.000 toneladas e medindo cerca de 1.000 pés [300 metros] de comprimento, o Ford pode abrigar até 75 aviões — incluindo caças furtivos F-35C Lightning II, F/A-18 Super Hornets e plataformas de alerta aéreo precoce E-2D Hawkeye — formando uma ala aérea integrada capaz de ataques sustentados, superioridade aérea e operações ISR.
Projetada para reduzir as necessidades de tripulação em cerca de 20% em comparação com os porta-aviões da classe Nimitz, ao mesmo tempo em que aumentava as taxas de geração de missões em aproximadamente 33%, a classe Ford foi concebida para entregar maior produção operacional com menores cargas de mão de obra a longo prazo.
A missão atual começou em 24 de junho de 2025 com operações focadas na OTAN no Atlântico e Mediterrâneo, alinhando-se com missões de garantia da aliança. Em outubro de 2025, o porta-aviões foi realocado para o Caribe sob o Comando Sul dos EUA. Isso estendendo assim o destacamento além da janela de sete meses que a Marinha acredita ser a mais apropriada.
A embarcação foi avistada no Estreito de Gibraltar em 20 de fevereiro e foi fotografa nesta segunda-feira atracada na Baía de Guda, na Ilha de Creta.
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